O problema do Internacional não é simplesmente ter perdido o Gre-Nal. A derrota por 3 a 1 para o Grêmio expôs uma dificuldade que parece maior: quando o jogo exige alguém capaz de mudar o roteiro, o Colorado encontra poucas respostas.
Alan Patrick ainda é o principal jogador capaz de criar algo diferente. E isso ficou evidente na Arena.
O meia participou diretamente da reação, encontrou Vitinho para o gol e criou outras situações de perigo. Enquanto tentava organizar a equipe, porém, o ataque praticamente não existia.
Sanabria ganhou uma oportunidade como titular e terminou substituído no segundo tempo praticamente sem tocar na bola. Para um time que precisava buscar uma classificação, isso diz muito.
O Internacional encontra espaços, mas não encontra quem os aproveite
O começo do jogo teve uma ideia interessante. O Inter adiantou a marcação, tentou dificultar a saída do Grêmio e buscou jogar no campo ofensivo. A estratégia funcionou em alguns momentos, mas o problema apareceu quando o time recuperava a bola.
Faltava transformar a recuperação em uma jogada decisiva. Alan Patrick tentou. Bernabei apareceu. Depois, com Vitinho e Carbonero, o Inter ganhou velocidade e passou a incomodar mais.
Mas a equipe precisou de muito esforço para produzir relativamente pouco.O Grêmio, ao contrário, precisou de poucas oportunidades para construir uma vantagem enorme.
Essa diferença não é apenas de eficiência. É também de capacidade individual para decidir.
Os números do ataque ajudam a explicar o problema
A própria lista de artilheiros do Internacional na temporada é reveladora.
Borré, que já deixou o clube, e Bernabei, lateral-esquerdo que também atua como ala, são os maiores goleadores, com nove gols cada. Na sequência aparecem Alan Patrick e Vitinho, com sete. Carbonero tem seis, enquanto Alerrandro, centroavante, soma cinco.
Não há nada de errado em um lateral ser um dos principais artilheiros de uma equipe. O problema está no conjunto.
Quando o atacante de referência aparece atrás de jogadores de outras posições na lista de goleadores, fica mais fácil perceber por que o Inter sente tanta falta de alguém capaz de decidir partidas.
E isso não significa colocar toda a responsabilidade em Alerrandro ou Sanabria. Significa reconhecer que o elenco não encontrou, até agora, um centroavante capaz de assumir regularmente esse protagonismo.
Sanabria representa um problema maior do que uma noite ruim
A atuação do paraguaio merece atenção porque não pode ser analisada isoladamente. Sanabria chegou ao Inter depois de uma longa passagem pelo futebol europeu, com experiências por Roma, Betis, Genoa, Torino e Cremonese. O clube o contratou em definitivo até dezembro de 2029 justamente esperando que essa experiência pudesse oferecer uma referência ofensiva.
O problema é que seus números recentes não apontavam para um atacante com grande produção goleadora.
Na temporada 2025/26, pela Cremonese, marcou apenas um gol em 25 partidas e 947 minutos. Na temporada anterior, pelo Torino, também fez somente um gol em 26 jogos e 1.318 minutos. Em 2023/24, passou 35 partidas e 2.133 minutos sem marcar no Campeonato Italiano.
Isso não significa que Sanabria seja incapaz de funcionar no futebol brasileiro. Mas aumenta a responsabilidade do Inter na avaliação.
Contra o Grêmio, ele teve justamente a oportunidade de mostrar que poderia ser uma solução para um problema antigo. Não conseguiu participar do jogo e saiu no segundo tempo.
O clube, portanto, continua procurando essa resposta.
Alan Patrick não pode ser o plano inteiro
A dependência fica ainda mais evidente quando se observa quem conseguiu criar.
Alan Patrick foi o principal responsável pelas melhores ações do Internacional. No segundo tempo, encontrou um cruzamento preciso para Vitinho descontar e ainda obrigou Weverton a trabalhar em uma finalização de fora da área.
Mas o Colorado precisa de mais de um jogador capaz de assumir esse papel. Quando o adversário consegue limitar Alan Patrick, quem aparece? Essa é a pergunta que o elenco ainda não respondeu.
Vitinho conseguiu marcar, Carbonero trouxe velocidade e Bernabei participou de boas jogadas. Mas nenhum deles demonstrou durante a partida a capacidade de assumir consistentemente a responsabilidade de decidir.
Em um mata-mata, isso pesa. O Grêmio teve Carlos Vinícius marcando duas vezes, Krovinovic aparecendo para fazer o terceiro e Amuzu criando desequilíbrio. No Inter, a reação dependeu novamente de Alan Patrick encontrar uma solução.
Essa diferença ajuda a explicar o resultado.
A eliminação expôs uma deficiência de elenco
O Inter pode discutir o sistema utilizado por Paulo Pezzolano, as escolhas da escalação e a estratégia para o Gre-Nal. Tudo isso faz parte da análise.
Mas existe um problema anterior: o treinador precisa encontrar soluções dentro de um elenco que parece ter poucos jogadores capazes de produzir algo diferente quando a partida trava.
O Colorado até teve volume em alguns momentos. O que faltou foi transformar esse volume em gols antes que o cenário ficasse praticamente irreversível.
A eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil também mostrou como o problema não está apenas na criação. O Inter consegue chegar a determinadas zonas do campo, mas nem sempre possui alguém preparado para transformar essas situações em gol.
É uma diferença importante. Criar uma oportunidade é uma coisa. Ter quem assuma a responsabilidade de aproveitá-la é outra.
O Brasileirão vai cobrar essa deficiência
A eliminação deixa o Inter com apenas uma frente importante no restante da temporada: o Campeonato Brasileiro. E a situação é delicada.
O Colorado ocupa a 18ª posição, com 25 pontos em 25 partidas, dentro da zona de rebaixamento.
Isso significa que a discussão sobre jogadores decisivos deixou de ser apenas uma questão de competitividade em mata-mata. Agora é uma necessidade para sobreviver no campeonato.
O Inter precisa encontrar formas de dividir a responsabilidade de Alan Patrick, fazer Sanabria produzir e descobrir outras soluções dentro do próprio elenco. Porque depender de um único jogador para criar algo diferente funciona até o momento em que o adversário consegue neutralizá-lo.
E foi exatamente isso que o Gre-Nal mostrou.
O Inter não precisa apenas de mais jogadores. Precisa de mais jogadores capazes de decidir. Quando os principais goleadores da temporada são um lateral, um jogador que já deixou o clube e nomes que ainda não conseguiram assumir esse protagonismo de forma constante, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.
Foto: Divulgação/Internacional


