Isaquias Queiroz tinha uma motivação extra e muito especial para conquistar uma medalha nas Olimpíadas de Paris: presentear seus filhos, Sebastian e Luigi. O mais velho completará 7 anos em 25 de agosto, enquanto o caçula fez 1 ano no início da semana. Durante a final do C1 1000m, nesta sexta-feira, ao se encontrar em uma situação difícil, o abraço nos filhos e na esposa, Laina Guimarães, antes de entrar na água, foi o impulso necessário para que Isaquias saísse da quinta posição e, com uma arrancada impressionante, alcançasse o segundo lugar, cumprindo a promessa feita ao filho mais velho.
Após a conquista, Isaquias compartilhou o momento com a família, entregando o “presente” aos filhos. No entanto, durante a comemoração, a medalha acabou caindo no chão e sofreu uma lasca quando Isaquias a colocou no pescoço de Sebastian.
Chateado com o incidente, ele pediu à assessoria para verificar com a organização das Olimpíadas a possibilidade de trocar a medalha, e as negociações já estão em andamento.
Há um precedente favorável a Isaquias: em Londres 2012, o judoca Felipe Kitadai, que ganhou bronze na categoria ligeiro (até 60kg), quebrou sua medalha ao tomar banho e recebeu uma nova.
Antes disso, Isaquias havia comentado com o repórter Pedro Bassan, da TV Globo, sobre a emoção de viver momentos tão especiais ao lado dos filhos e da esposa.
“É uma sensação incrível, diferente. É muito especial para mim. Ganhei medalha de prata e bronze no Rio, o ouro em Tóquio, mas sem a presença de familiares e torcida (por causa da pandemia de Covid-19). Agora, poder ganhar essa medalha de prata na frente dos filhos e da esposa é maravilhoso.
Ele (Sebastian) estava me pedindo muito a medalha. Consegui para ele. Não foi o ouro, mas essa prata, do jeito que foi, vale ouro. Ele ficou feliz, mordeu a medalha. O Sebastian já entende todo o processo, tem acompanhado bem de perto. A minha família me ajudou bastante ao longo desses últimos anos, e poder comemorar com eles presentes aqui é algo único,” afirmou.
Isaquias contou com o apoio da família nas arquibancadas do Estádio Náutico desde o início das competições de canoagem de velocidade. Após terminar em oitavo lugar no C2 500m ao lado de Jacky Godmann, ele transformou a frustração do dia anterior em uma conquista nesta sexta-feira.
Isaquias na história do Brasil
Com esta medalha, Isaquias alcançou seu quinto pódio olímpico na carreira, igualando-se aos velejadores Robert Scheidt e Torben Grael como o segundo maior medalhista olímpico do Brasil. O topo do ranking é ocupado pela ginasta Rebeca Andrade, com seis medalhas.