A Itália terá de disputar, novamente, a repescagem para tentar garantir vaga na Copa do Mundo. A derrota em casa para a Noruega reviveu o fantasma das últimas Eliminatórias, nas quais a Azzurra fracassou e ficou fora dos dois Mundiais anteriores. O revés no San Siro, no domingo (16), acendeu um alerta importante: a defesa da tetracampeã mundial vive um dos seus momentos mais frágeis em décadas.
A instabilidade começa na formação da zaga. Os trios — e, às vezes, quartetos — defensivos raramente se repetem, gerando uma alternância constante entre os convocados. Como destacou o portal italiano Calciomercato, estas foram as composições utilizadas nas Eliminatórias:
- NORUEGA–ITÁLIA: Di Lorenzo, Bastoni, Coppola
- ITÁLIA–MOLDÁVIA: Di Lorenzo, Ranieri, Bastoni
- ITÁLIA–ESTÔNIA: Di Lorenzo, Calafiori, Bastoni, Dimarco
- ISRAEL–ITÁLIA: Di Lorenzo, Mancini, Bastoni, Dimarco
- ESTÔNIA–ITÁLIA: Di Lorenzo, Calafiori, Bastoni, Dimarco
- ITÁLIA–ISRAEL: Di Lorenzo, Mancini, Calafiori
- MOLDÁVIA–ITÁLIA: Bellanova, Mancini, Buongiorno, Cambiaso
- ITÁLIA–NORUEGA: Di Lorenzo, Bastoni, Mancini
A derrocada da Azzurra
Muito se discute sobre o motivo do declínio técnico da Itália. Uma seleção que já dominou o mundo, referência em competitividade e solidez tática, hoje está distante desse patamar, após ficar fora de duas Copas seguidas e correr risco real de perder a terceira.
Foram oito jogos e oito formações defensivas diferentes. Sistemas que mudaram o tempo inteiro, sem continuidade, sem repetição, sem consolidação. O resultado: 12 gols sofridos e uma sensação crescente de vulnerabilidade — um problema que não começou agora e vem se agravando há anos. A falta de sequência é apenas a ponta do iceberg.
Entre os muitos fatores, um é evidente: o país abandonou princípios fundamentais que sempre foram sua espinha dorsal, na tentativa de se adaptar às tendências do futebol moderno. Não se trata de defender o retorno ao “catenaccio”, mas de reconhecer que evoluir não significa abandonar completamente a própria identidade.
Limitações técnicas e problemas que vem desde a base
Por décadas, o país foi a maior fábrica de defensores do futebol mundial. Hoje, vive uma escassez preocupante de atletas com domínio pleno dos fundamentos essenciais da função — marcação, leitura de jogo, posicionamento e duelos individuais.
No entanto, em algum momento, decidiu-se que, para se adequar a um futebol mais ofensivo, valia sacrificar características que um defensor jamais poderia perder. As mudanças táticas do jogo atual — linhas altas, mais espaço às costas, necessidade de coberturas coordenadas — exigem ainda mais precisão, automatismos mais fortes e atenção absoluta aos detalhes. Mas essas competências deixaram de ser prioridade.
Outro ponto a ressaltar é em relação a base formadora. Enquanto tentamos diagnosticar por que a Itália deixou de produzir jogadores criativos, esquecemos que ela também deixou de formar bons defensores.
Na base, aparecem jovens com bom toque na bola, mas com deficiências graves em leitura defensiva, orientação corporal, controle de posicionamento e marcação individual. A identidade tradicional — jogo duro, atenção total, proteção da área — perdeu espaço para a estética.
Para compensar, os clubes recorreram a esquemas como o 3-5-2, multiplicando funções híbridas: alas que percorrem o campo inteiro e zagueiros que constroem. Mas os resultados, no geral, seguem decepcionantes.
Itália na repescagem
A Azzurra chega à repescagem carregando dúvidas, inconsistências e uma crise estrutural que ultrapassa o momento. O futebol italiano tenta se reinventar, mas ainda não encontrou o equilíbrio entre modernização e identidade. E, mais uma vez, a vaga na Copa dependerá de um jogo de sobrevivência.
Créditos pela foto de capa: : Loris Roselli/NurPhoto — Reprodução



