Brighton, Jack Hinshelwood. Foto: Adam Davy/PA.
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Por que Jack Hinshelwood pode ser a próxima grande aposta do Arsenal?

O Arsenal pode estar diante de uma daquelas contratações que parecem caras no presente, mas que podem ganhar outro significado alguns anos depois. O clube londrino aparece na frente na corrida por Jack Hinshelwood, do Brighton, em uma negociação avaliada em cerca de 51 milhões de libras.

O Arsenal não precisa exatamente de mais um meio-campista. E talvez seja justamente esse o primeiro ponto para entender o interesse em Jack Hinshelwood. O elenco de Mikel Arteta já conta com nomes como Declan Rice, Martin Zubimendi, Martin Odegaard, Mikel Merino e Bruno Guimarães, contratado nesta janela por cerca de 75 milhões de libras.

Então, por que os Gunners estariam dispostos a investir mais de um pouco mais de 50 milhões de libras em um jogador de apenas 21 anos?

A resposta está em uma característica que não aparece simplesmente quando se olha para a lista de meio-campistas: Hinshelwood é capaz de desempenhar diferentes funções sem obrigar o time a mudar completamente sua estrutura.

O Arsenal aparece como favorito na disputa pelo jogador do Brighton, embora Manchester United e Manchester City também estejam interessados. Os dirigentes do time de Emirates Stadium já fizeram contato com os representantes do atleta e estudam uma proposta pelo inglês, que pode se transformar em uma das apostas mais interessantes do mercado. E, olhando para o futebol que Arteta tenta construir, não é difícil entender o motivo.

Um jogador que aprendeu a jogar em praticamente qualquer lugar

Jack Hinshelwood, Birghton. Foto: George Wood/Getty Images.
Jack Hinshelwood, Birghton. Foto: George Wood/Getty Images.

 

Hinshelwood tem uma característica que pode parecer apenas uma curiosidade, mas que é extremamente valiosa do ponto de vista tático: ele praticamente nunca ficou preso a uma única posição. Na base do Brighton, começou como meio-campista. No profissional, foi utilizado como lateral-direito e também atuou pelo lado esquerdo. Depois, voltou a ocupar o meio e, mais recentemente, passou a aparecer como meia-atacante.

Os números ajudam a dimensionar essa trajetória: até março de 2026, Hinshelwood havia disputado 33 partidas como meio-campista e 23 como lateral, além de ter atuado até mesmo como centroavante em uma ocasião. Ao todo, já eram 70 jogos pelo time principal do Brighton.

E não se trata simplesmente daquele jogador que “quebra um galho” em várias posições. Existe uma compreensão tática por trás disso. Fabian Hürzeler, treinador do Brighton, destacou justamente esse aspecto ao explicar a utilização de Hinshelwood como camisa 10. Mesmo mais avançado, o inglês mantém uma mentalidade defensiva e consegue acompanhar infiltrações adversárias.

Isso é particularmente importante para Arteta, que gosta de jogadores capazes de mudar de função durante a própria jogada. A posição inicial nem sempre determina onde o atleta estará quando a bola chegar a determinado setor: um meio-campista pode ocupar o corredor, um lateral pode entrar por dentro e um atacante pode recuar para criar superioridade. Hinshelwood parece ter sido formado justamente para entender esse tipo de futebol.

O encaixe com Arteta começa pela inteligência sem bola

Talvez essa seja a parte mais interessante da possível contratação. Quando pensamos em um jovem destaque da Premier League, é natural olhar primeiro para gols, assistências e dribles. Hinshelwood tem números ofensivos interessantes, mas seu diferencial parece estar justamente na compreensão do jogo. Uma análise da Squawka destacou que o inglês passou a atuar com mais frequência como camisa 10 e, mesmo assim, manteve características defensivas. Desde a mudança para uma posição mais avançada, passou a participar mais diretamente dos gols, sem deixar de ser importante na pressão e na recuperação da bola.

Hürzeler também já chamou atenção para sua capacidade física e disposição para percorrer grandes distâncias. A intensidade permite que Hinshelwood pressione, acompanhe movimentos e ajude a equipe a criar superioridade sem a bola. E isso combina bastante com o Arsenal. Arteta não precisa apenas de jogadores capazes de receber entre as linhas; ele precisa de atletas que saibam quando pressionar, quando recuar, quando acompanhar um corredor e quando ocupar o espaço deixado por um companheiro.

Hinshelwood parece oferecer exatamente essa leitura. O próprio jogador já afirmou que se sente mais confortável atuando no meio-campo, mas está disposto a jogar “em qualquer lugar” pela equipe. Para um treinador como Arteta, essa mentalidade pode ser quase tão valiosa quanto a qualidade técnica.

Onde Hinshelwood poderia jogar no Arsenal?

Mikel Arteta, Arsenal. Foto: Stuart MacFarlane/Arsenal FC/Getty Images
Mikel Arteta, Arsenal. Foto: Stuart MacFarlane/Arsenal FC/Getty Images

 

É aqui que a contratação começa a ficar realmente interessante. Imagine o Arsenal com Rice, Zubimendi e Bruno Guimarães disputando espaço no meio-campo, enquanto Odegaard e outros jogadores aparecem como opções mais avançadas. À primeira vista, não sobra muito espaço para Hinshelwood. Mas talvez a ideia seja justamente não tratá-lo como um jogador de posição única.

Ele poderia atuar como um meia de apoio, principalmente em partidas nas quais Arteta queira mais intensidade e chegada à área. Também poderia oferecer uma alternativa para Rice ou Zubimendi em funções mais recuadas.

Existe ainda a possibilidade de utilizá-lo como lateral em determinadas circunstâncias, algo que ele já fez no Brighton. Isso permitiria ao Arsenal alterar as funções de algumas peças sem necessariamente modificar toda a estrutura. Hinshelwood pode começar como meio-campista e cair para o lado durante a construção, assim como pode partir de uma posição mais aberta e entrar por dentro quando a equipe tiver a posse.

Essa capacidade de interpretar diferentes espaços é justamente o que faz o inglês ser mais interessante do que simplesmente um reserva. Ele pode ser uma ferramenta tática para Arteta. A contratação de Bruno Guimarães também reforça essa tendência: o brasileiro é capaz de atuar como volante, participar da construção e avançar para zonas mais altas. Hinshelwood seria uma versão muito mais jovem e ainda em desenvolvimento dessa lógica, capaz de oferecer alternativas sem necessariamente exigir uma mudança completa no desenho da equipe.

Os números mostram que existe mais do que potencial

Outro motivo para o Arsenal enxergar o inglês como uma aposta de longo prazo é a experiência que ele já acumulou apesar da pouca idade. Na temporada 2025/26, Hinshelwood disputou 27 partidas de Premier League, marcou quatro gols e deu três assistências.

O Brighton também destacou que, entre jogadores de até 21 anos na competição desde o início da temporada anterior, ele aparecia entre os líderes em minutos jogados, passes completados e recuperações de bola.

Ou seja, não estamos falando de alguém que simplesmente apareceu durante alguns minutos e chamou atenção. Hinshelwood já passou pelo processo de adaptação ao futebol profissional e ainda existe margem para crescimento. Ele chegou ao Brighton aos oito anos, passou por todas as categorias de base e estreou profissionalmente em 2023, aos 18. Em março deste ano, assinou um novo contrato até 2029 e também foi peça importante da seleção inglesa sub-21 campeã europeia em 2025.

É exatamente o tipo de jogador que grandes clubes ingleses gostam de contratar: jovem, formado dentro do futebol local, com experiência na Premier League e ainda longe de atingir seu teto.

A comparação com Pascal Groß ajuda a entender o jogador

Existe ainda uma história interessante na formação de Hinshelwood. Quando Roberto De Zerbi comandava o Brighton, o italiano comparou o jovem a Pascal Groß, um dos jogadores mais inteligentes que passaram pelo clube na última década. Após uma partida contra o Brentford, em 2023, De Zerbi brincou que Hinshelwood era “filho de Pascal Groß”. A comparação não estava necessariamente relacionada a características físicas ou técnicas, mas à maneira como o jovem entendia o jogo apesar da pouca idade.

E isso é significativo. Groß nunca foi necessariamente o jogador mais rápido, mais forte ou mais habilidoso da equipe. Seu grande diferencial estava na capacidade de entender onde deveria estar. Hinshelwood parece seguir um caminho parecido. Em um futebol cada vez mais baseado na ocupação de espaços e na capacidade de interpretar diferentes funções, essa característica pode valer muito.

O Arsenal estaria comprando o presente ou o futuro?

Jack Hinshelwood, Brighton. Foto: Matthew Childs/Action Images via Reuters.
Jack Hinshelwood, Brighton. Foto: Matthew Childs/Action Images via Reuters.

 

Talvez os dois. É difícil imaginar Hinshelwood chegando ao Emirates para simplesmente tomar a vaga de Rice, Bruno Guimarães ou Zubimendi. Isso não faria muito sentido. O Arsenal acabou de investir pesado para montar um dos meio-campos mais fortes da Europa. Por isso, a chegada do inglês teria muito mais cara de investimento estratégico.

Ele poderia começar como uma peça de rotação, ganhar minutos em diferentes funções e, aos poucos, transformar essa versatilidade em protagonismo. É justamente esse tipo de trajetória que pode fazer uma contratação parecer cara no primeiro momento e barata alguns anos depois.

O problema, naturalmente, é o preço. O Brighton pode exigir entre 43 milhões e 51 milhões de libras pelo jogador, enquanto seu contrato vai até 2029 e o clube não tem necessidade de vendê-lo. Manchester United e Manchester City também acompanham a situação, o que pode aumentar ainda mais a dificuldade da operação. Mas talvez seja justamente por isso que o Arsenal esteja se movimentando agora.

A próxima grande aposta do Arsenal?

Arsenal, Mikel Arteta. Foto: Reprodução/Getty Images.
Arsenal, Mikel Arteta. Foto: Reprodução/Getty Images.

 

O mais curioso em Hinshelwood é que ele não chega com o mesmo status de outras grandes promessas. Não é um ponta de drible que viralizou nas redes sociais, tampouco um jovem contratado por uma cifra estratosférica vindo de outro continente. É um meio-campista inglês de 21 anos que passou boa parte da carreira aprendendo a entender o jogo em diferentes posições.

E isso pode ser muito mais valioso para Arteta do que parece. O Arsenal já mostrou nesta janela que quer montar um elenco capaz de disputar Premier League e Champions League com profundidade. A chegada de Bruno Guimarães foi justamente uma resposta à necessidade de elevar o nível do grupo. Hinshelwood seria outro passo nessa direção: não necessariamente o jogador para decidir uma final amanhã, mas aquele que pode entrar aos 20 minutos, ocupar três posições diferentes, pressionar, correr, fechar espaços e mudar a estrutura da equipe sem que Arteta precise redesenhar todo o sistema.

Talvez seja exatamente por isso que o Arsenal esteja disposto a investir tanto em um jogador que ainda está longe de atingir seu auge. Se Hinshelwood conseguir transformar sua versatilidade em especialização — tornando-se realmente excelente em uma ou duas funções sem perder a capacidade de atuar em outras —, pode deixar de ser apenas um coringa. E 51 milhões de libras, que hoje parecem uma aposta ousada, podem se transformar em uma das grandes barganhas do Arsenal no futuro.

Créditos da foto de capa: Adam Davy/PA.