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Automobilismo Fórmula 1

Jenson Button revela lado cruel da Fórmula 1 e impacto na saúde mental

Jenson Button revelou o custo mental de competir na Fórmula 1, um aspecto que muitas vezes é deixado de lado em um ambiente marcado por pressão extrema. A F1 é frequentemente chamada de “clube das piranhas”, um cenário em que desempenho imediato é exigido e onde a incapacidade de atingir rapidamente o nível esperado pode significar o fim de uma carreira.

Como categoria máxima do automobilismo, os pilotos ocupam o topo dessa hierarquia, tendo cada movimento observado, analisado e criticado pelas equipes e por milhões de espectadores ao redor do mundo.

Button, que competiu em tempo integral entre 2000 e 2016, conquistou o título mundial de pilotos em 2009 pela Brawn GP, em uma campanha que muitos consideram um verdadeiro conto de fadas do esporte moderno.

Temporadas difíceis e a influência de Ross Brawn

Apesar do sucesso em 2009, outras temporadas foram muito mais complicadas para o britânico, especialmente nos últimos anos da Honda, quando frequentemente se via correndo nas últimas posições do grid.

Button explicou que Ross Brawn teve uma influência importante em sua trajetória, embora acreditasse que a responsabilidade principal por resolver problemas de desempenho sempre recaía sobre os próprios pilotos. “Acho que a atitude calma dele era ótima nos dias difíceis, eu realmente não acho que alguém possa fazer você se tornar um piloto melhor. Cabe a você mesmo lidar com seus próprios demônios.” afirmou o piloto ao poadcast Beyond The Grid.

Segundo Jenson, líderes dentro de uma equipe precisam estar dispostos a ouvir. “Acho que as pessoas podem escutar, e acho que é isso que você precisa fazer como líder. Ouça os problemas do seu piloto, mas não seja excessivamente opinativo.”

A dificuldade mental de perder mais do que vencer

Button também falou sobre como lidava emocionalmente com o fato de perder mais corridas do que vencer para companheiros de equipe e rivais. Ao longo da carreira, ele conquistou 15 vitórias em Grandes Prêmios em 315 largadas, um índice de vitórias de 4,9%.

O britânico contou que conversou com Roger Federer no ano passado sobre esporte e o lado psicológico da competição. “Conversei com Roger Federer no ano passado sobre esporte e o lado mental disso tudo, e ele disse: ‘Você precisa pensar que eu sou o tenista mais bem-sucedido de todos os tempos. E perdi 75% das minhas partidas, e ainda assim isso é um ótimo retrospecto. E tudo se resume ao fato de que você perde mais do que ganha.” declarou Jenson. 

Button utilizou esse exemplo para explicar como a derrota é uma realidade constante mesmo para atletas extremamente vitoriosos. Na F1, disputei 300 Grandes Prêmios e venci 15. Então perdi 285 corridas. Lewis Hamilton, pelo extraordinário que conquistou, ainda assim perdeu muito mais do que venceu. E é exatamente isso que torna qualquer esporte mentalmente difícil, porque você perde mais do que ganha.” concluiu. 

Pressão constante e novos desafios para os pilotos

As declarações de Button destacam um lado da F1 que começa a ser mais compreendido pelo público em geral. Durante muitos anos, a atenção esteve voltada apenas para resultados, velocidade e conquistas, enquanto o impacto psicológico da competição recebia menos destaque.

A necessidade de apresentar resultados imediatos, lidar com críticas constantes e enfrentar derrotas frequentes cria uma pressão contínua sobre os pilotos. Em um ambiente tão competitivo quanto a Fórmula 1, qualquer queda de rendimento pode gerar questionamentos internos e externos.

Button enfatizou que, apesar do apoio de líderes e integrantes da equipe ser importante, o trabalho mental acaba sendo algo muito individual. Segundo ele, cada piloto precisa aprender a enfrentar suas próprias dificuldades emocionais e encontrar maneiras de lidar com a pressão.

Além disso, os pilotos da geração atual enfrentam desafios adicionais em comparação aos competidores do passado, especialmente devido ao impacto das redes sociais. Hoje, críticas e opiniões chegam de forma instantânea e constante, ampliando ainda mais a pressão psicológica já existente dentro do esporte.

(Foto: Fórmula 1)