João Félix
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João Félix mostra que ganhar o Golden Boy não garante sucesso nenhum!

O atacante João Félix se tornou mais um dos nomes cotados como jovens talentos do futuro a deixar o futebol europeu e ser considerado um “fracasso”. O português, que foi nomeado o “Golden Boy” de 2019, permitiu que nesta temporada de 2025/26 se encaminhasse para o futebol saudita, tendo Cristiano Ronaldo como seu companheiro de equipe no Al-Nassr. A questão é que o ex-Chelsea, Barcelona e Milan tem apenas 25 anos de idade.

Após uma transferência bilionária para o Atlético de Madrid, João Félix não conseguiu se firmar sob o comando de Diego Simeone, enfrentando dificuldades com o estilo mais rígido e defensivo do técnico argentino. A relação entre os dois nunca foi das melhores, e o português passou a ser figura frequente no banco de reservas. Mesmo em empréstimos para clubes como Chelsea e Barcelona, nunca conseguiu mostrar regularidade, bons momentos até surgiram, mas nunca se sustentaram por mais do que algumas rodadas. Agora, ao ir para a Arábia Saudita tão jovem, acaba sendo incluído naquele grupo de “oportunidades perdidas”, pelo menos dentro do padrão europeu.

Entretanto, João Félix não é o único a seguir esse caminho de expectativas altíssimas que acabaram frustradas. O inglês Jadon Sancho entra nessa conversa com facilidade. Depois de ter feito chover no Borussia Dortmund, com seus dribles rápidos e plásticos, não foi capaz de manter o nível quando pisou na Premier League. Simplesmente irreconhecível com a camisa do Manchester United, Sancho acabou emprestado de volta ao Borussia, e mais recentemente ao Chelsea, onde também não empolgou. A impressão que fica é que seu futebol ficou preso na Bundesliga.

Nesta mesma edição do Golden Boy em que João Félix saiu vencedor, o ponta-esquerda que hoje está no Aston Villa, sob o comando de Unai Emery, terminou em segundo colocado. Sancho foi negociado por cerca de 85 milhões de euros, enquanto o português quebrou a banca do Atlético de Madrid, custando cerca de 127 milhões de euros, um valor que entrou direto nos cofres do Benfica.

Vale lembrar: essa foi a contratação mais cara da história dos colchoneros, que simplesmente não funcionou. Além da relação estremecida com Simeone, João Félix virou símbolo de um projeto mal executado, com potencial que nunca se traduziu em protagonismo. E neste caso, tanto Félix quanto Sancho aparecem como provas vivas de que ser apontado como superestrela não os torna, de fato, estrelas.

João Félix não é o único Golden Boy a entregar pouco

Anderson: Assunto João Félix
Foto: GLYN KIRK / AFP

 

A realidade de João Félix é complicada tanto para o jogador quanto para os clubes que apostaram nele, mas não é exatamente um caso isolado. Se a gente volta para 2003, o primeiro vencedor do prêmio Golden Boy foi Rafael van der Vaart. O holandês superou ninguém menos que Wayne Rooney e Cristiano Ronaldo na votação, realizada por 30 jornalistas esportivos da Europa. Hoje, olhando em retrospecto, fica difícil defender essa escolha.

Van der Vaart teve bons momentos no Ajax e no Hamburgo, passou também por Real Madrid e Tottenham, mas nunca foi o craque dominante que se imaginava, ainda mais quando comparado a Rooney e Cristiano, que entraram para a história do futebol. E o problema não parou por aí.

Nas edições seguintes, até houve uma sequência forte: Rooney (2004), Messi (2005), Fàbregas (2006) e Kun Agüero (2007). Nomes que de fato marcaram época. Mas depois disso, veio uma sequência de escolhas questionáveis: Anderson (2008), Alexandre Pato (2009) e Mario Balotelli (2010), três jogadores que tinham tudo para brilhar, mas acabaram sendo lembrados mais pelo potencial perdido do que pelas conquistas.

O Golden Boy só voltou a ganhar algum prestígio em 2011, com Mario Götze. Depois vieram Isco (2012) e Pogba (2013), que, embora tenham alcançado algum sucesso, nunca chegaram a ser unanimidade. A sequência seguinte voltou a mostrar inconsistência: Raheem Sterling, Anthony Martial e Renato Sanches venceram entre 2014 e 2016, mas nunca chegaram a justificar totalmente o hype.

A cada edição, ficava claro que o prêmio muitas vezes apontava para jogadores ainda em formação, e nem sempre esses nomes estavam prontos para corresponder à pressão. Mesmo com exceções brilhantes como Kylian Mbappé e Erling Haaland, que venceram em 2017 e 2020, respectivamente, o histórico de acertos ainda é muito misto.

João Félix levou o prêmio em 2019, depois de uma temporada avassaladora pelo Benfica, com gols, assistências e muito impacto em campo. Tudo indicava que ali nascia uma estrela. Mas o tempo mostrou outra coisa.

Um ponto interessante nessa história é o protagonismo da Espanha no prêmio. O país é o que mais revelou vencedores do Golden Boy até hoje, com cinco troféus. A França aparece logo atrás, com três, enquanto Inglaterra, Brasil e Argentina têm dois cada. Mas o número de vencedores por país nem sempre reflete a qualidade ou constância desses talentos.

Foto: Getty Images