O Remo tomou uma decisão surpreendente quando anunciou a contratação de Juan Carlos Osorio para o comando técnico em 2026, depois de ter garantido acesso á elite do Brasileirão após várias décadas amargando posições indigestas nas divisões de acesso. G3uto Ferreira foi o nome que tornou possível a ascensão para a primeira divisão na próxima temporada, mas discordâncias internas em relação à pagamento e maior valorização causaram esse impasse, e o tradicional clube resolveu apostar em um estrangeiro.
Guto Ferreira encontrou uma “terra arrasada” quando assumiu o comando do Remo em 2025, e por isso acertadamente apostou em um trabalho com uma defesa muito sólida e bastante efetiva nas transições ofensivas, buscando aquele tradicional jogo pelos lados, terminando em cruzamentos na região central da grande área para a definição da cabeçada ou na individualidade de um atleta mais bem qualificado tecnicamente. Com isso, a posse de bola sofreu uma queda drástica, mas o time se tornou extremamente competitivo e eficaz nas suas ligações diretas, garantindo os pontos que eram necessários para alcançar o acesso.
No entanto, as experiências mais recentes de Guto Ferreira na primeira divisão do Brasileirão já mostraram que conviver com um estilo de jogo tão direto e simples está cada vez mais difícil na elite do futebol brasileiro, principalmente devido à evolução tática puxada pelo trabalho de Jorge Jesus com o Flamengo de 2019. Experiente dirigente, Marcos Braz (ex-Flamengo) possui conhecimento disso e acabou apostando em um rompimento corajoso do estilo de jogo que fez o Remo subir, apostando em um técnico exigente e com capacidade para realizar grandes trabalhos.
Remo jogará de forma totalmente diferente com Juan Carlos Osorio
Juan Carlos Osorio possui um estilo de jogo muito mais posicional com valorização considerável da posse de bola e um trabalho tático de manter as linhas aproximadas quando ganhar território e ter bom avanço coordenado no terço final, adotando uma postura muito mais ofensiva e que depende de leitura tática inteligente de todos os jogadores envolvidos. Em seu melhor trabalho na carreira, chegou a ter mais posse e levou dificuldades para seleções de Alemanha e Portugal enquanto esteve no comando do México.
Seus times costumam trabalhar principalmente com o sistema 4-3-3 (com leves alterações feitas dependendo da necessidade/adversário), buscando uma saída de jogo apoiado com circulação rápida em busca do último terço, privilegiando a individualidade dos atletas e suas tomadas de decisão quando estão na região próxima da grande área para não automatizar todos os processos.
Uma das características mais marcantes dos trabalhos de Juan Carlos Osorio no São Paulo e no Athletico-PR consistiram na utilização de bilhetes enviados aos jogadores com instruções táticas, além de muitas variações de escalações (sem utilização de um time titular fixo), algo que deve ser entendido como recado da diretoria em relação à necessidade de reforços para tornar o Remo um clube com elenco profundo.
A diretoria precisa ter conhecimento da complexidade que envolve o sistema de Juan Carlos Osorio e não pode esperar por resultados imediatos, principalmente no Brasileirão 2026. Contudo, resta saber se o torcedor tão carente de protagonismo no futebol brasileiro conseguirá entender isso e levará apoio para Juan Carlos Osorio.
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