Miami Heat Klay
Basquete NBA

Klay Thompson chega ao Heat para resolver problema, mas outro ainda preocupa

O Miami Heat encontrou em Klay Thompson uma solução para uma das principais carências do elenco depois da chegada de Giannis Antetokounmpo. O veterano de 36 anos está prestes a deixar o Dallas Mavericks após chegar a um acordo de rescisão do contrato e, depois de passar pelo período de dispensas, deve assinar com a franquia da Flórida para disputar a próxima temporada da NBA.

A contratação faz bastante sentido quando se olha para o elenco que o Heat montou depois da negociação que levou Giannis para Miami. Para conseguir uma das maiores estrelas da liga, a franquia precisou abrir mão de várias peças importantes, incluindo Tyler Herro, Jaime Jaquez Jr., Kasparas Jakučionis e Kel’el Ware, além de perder Norm Powell na agência livre. O resultado foi um elenco muito mais estrelado, mas também bastante mais curto.

É justamente aí que Klay entra. O veterano não chega para ser a segunda estrela do time, tampouco precisa assumir um volume enorme de arremessos. Sua missão é bem mais simples: ficar aberto, punir as defesas e transformar a vida de Giannis e Bam Adebayo em algo um pouco mais fácil.

E, convenhamos, colocar um dos maiores arremessadores da história ao lado de Giannis parece uma ideia que até o videogame aprovaria.

Klay Thompson resolve a falta de arremesso

A principal deficiência do Heat após a chegada de Giannis era evidente: faltava arremesso de três pontos. A equipe perdeu Herro na negociação com Milwaukee e também viu Powell deixar Miami, enquanto outras peças importantes foram incluídas no pacote para adquirir o astro grego.

A franquia tentou compensar essas perdas durante a offseason. Tim Hardaway Jr. foi contratado, Simone Fontecchio renovou seu vínculo e Ryan Conwell foi selecionado na segunda rodada do Draft. Andrew Wiggins também permaneceu em Miami depois de uma temporada bastante eficiente nos arremessos de longa distância.

Ainda assim, não parecia suficiente.

A chegada de Thompson muda esse cenário imediatamente. Na última temporada pelo Mavericks, ele converteu 38,3% das tentativas de três pontos em alto volume. Mesmo que já não seja o jogador explosivo que dominava a NBA ao lado de Stephen Curry no Golden State Warriors, sua capacidade de arremessar continua sendo uma das principais armas ofensivas da liga.

E o encaixe com Giannis é especialmente interessante.

O grego é um dos jogadores que mais atraem defensores quando ataca a cesta. Se a defesa fechar o garrafão, Thompson poderá receber a bola livre no perímetro. Se os adversários decidirem permanecer próximos do veterano, Giannis terá mais espaço para atacar a cesta.

É uma relação que pode funcionar muito bem.

Além disso, Thompson não precisa da bola nas mãos para ser útil. Isso é importante porque Giannis naturalmente terá grande participação na criação das jogadas. Klay pode passar longos períodos sem tocar na bola e, ainda assim, mudar completamente a maneira como a defesa adversária se posiciona.

Heat ainda tem um problema maior

Só que a contratação de Thompson não resolve tudo. Na verdade, ela faz com que outro problema do Heat fique ainda mais evidente. Miami ainda precisa de criadores de jogadas.

Depois de toda a movimentação da offseason, a franquia possui poucos jogadores capazes de controlar o ataque, organizar a equipe e criar arremessos para os companheiros de maneira consistente. Giannis é um excelente passador e terá bastante responsabilidade com a bola, mas não deveria ser a única solução para esse problema.

Bam Adebayo também tem capacidade para criar jogadas e participar da construção ofensiva, mas o Heat ainda precisa de um armador capaz de manter o ataque funcionando quando Giannis não estiver com a bola.

Davion Mitchell deve começar como titular no perímetro. O jogador evoluiu como passador nas últimas temporadas e também oferece uma combinação interessante de defesa e arremesso de três pontos.

Mas Mitchell não é exatamente aquele armador tradicional que controla todos os aspectos de um ataque. Essa diferença pode pesar bastante em uma temporada de 82 jogos.

Giannis vai precisar dividir a responsabilidade

Uma das grandes mudanças para Miami será justamente a quantidade de responsabilidade que Giannis terá com a bola. O astro é perfeitamente capaz de comandar o ataque e já demonstrou diversas vezes que consegue encontrar companheiros livres depois de atrair a defesa.

O problema é que fazer isso durante uma temporada inteira pode ser desgastante.

Além disso, nos momentos decisivos, ter outro jogador capaz de criar uma vantagem individual pode fazer toda a diferença. Se o ataque do Heat depender exclusivamente de Giannis para iniciar as jogadas, adversários mais fortes poderão simplesmente concentrar a defesa nele e obrigar os demais jogadores a resolverem a partida.

É por isso que a ausência de um verdadeiro armador chama tanta atenção.

O Heat chegou a ter uma opção interessante no mercado, mas Russell Westbrook decidiu se aposentar depois de 18 temporadas na NBA. Com isso, as alternativas disponíveis ficaram ainda mais limitadas.

Miami poderia simplesmente confiar em Mitchell, Giannis e Adebayo para dividir a criação. Também pode esperar até a trade deadline ou apostar novamente no mercado de jogadores dispensados durante a temporada. Mas, se o objetivo é disputar o topo da Conferência Leste, esperar pode ser uma aposta perigosa.

Conferência Leste não vai facilitar

O contexto torna a situação ainda mais interessante. A Conferência Leste promete ser bastante competitiva, e o Heat não terá muito tempo para descobrir se seu elenco possui criação suficiente.

A chegada de Giannis muda completamente o patamar da equipe. O Heat deixa de ser apenas um time competitivo e passa a ter uma estrela capaz de colocar a franquia na conversa sobre o título.

Por outro lado, ter Giannis não significa automaticamente ter um ataque pronto para disputar quatro séries de playoffs.

A franquia abriu mão de bastante profundidade para conseguir o grego. Herro era uma importante fonte de pontos e criação, enquanto Jaquez e Ware representavam peças jovens que poderiam contribuir em diferentes áreas. Powell também oferecia arremesso e pontuação.

Agora, o elenco precisa encontrar novas formas de substituir tudo isso.

Thompson ajuda bastante em uma dessas áreas. Ele oferece experiência, arremesso e a capacidade de punir defesas que decidirem dar atenção demais a Giannis. Wiggins, Hardaway e Adebayo também podem contribuir para manter o espaçamento.

Mas quem vai colocar a bola nas mãos desses jogadores?

Miami ainda tem espaço para mais uma peça

A boa notícia é que a contratação de Thompson não encerra completamente a movimentação de Miami. A franquia ainda possui duas vagas abertas no elenco e cerca de US$ 10,4 milhões abaixo do primeiro apron antes de definir os detalhes do contrato de Thompson.

Isso dá ao Heat algum espaço para continuar procurando alternativas.

A diretoria pode buscar um armador experiente no mercado, esperar oportunidades durante a temporada ou simplesmente avaliar o desempenho de Mitchell nas primeiras semanas antes de tomar uma decisão.

Também existe a possibilidade de o time apostar que a combinação entre Giannis, Mitchell e Adebayo será suficiente para organizar o ataque. Se funcionar, ótimo. Se não funcionar, a trade deadline pode virar o momento ideal para corrigir o problema.

O importante é que Miami agora possui uma base muito mais clara.

Giannis será o principal motor da equipe. Adebayo continuará sendo uma peça fundamental dos dois lados da quadra. Thompson chega para abrir espaço e castigar as defesas no perímetro. Só falta descobrir quem vai ligar tudo isso.

Klay é uma ótima contratação, mas não é a peça final

A chegada de Klay Thompson representa um excelente movimento para o Heat. O veterano ataca exatamente uma das deficiências criadas pela negociação por Giannis e oferece uma arma que pode mudar completamente o espaçamento da equipe.

Ao mesmo tempo, a contratação também deixa evidente que Miami ainda não terminou de montar seu elenco.

O Heat trocou profundidade por uma superestrela. Agora precisa garantir que essa superestrela tenha peças suficientes ao seu redor para funcionar no máximo de sua capacidade. Thompson é uma delas, mas provavelmente não será a última.

Se Miami encontrar um armador confiável para dividir a criação com Giannis, o encaixe pode ficar bastante interessante. Caso contrário, o Heat corre o risco de ter uma das duplas mais talentosas da NBA e, ao mesmo tempo, um ataque dependente demais de um único jogador para fazer tudo acontecer.

Klay resolve o problema do arremesso. Agora, Miami precisa encontrar alguém que resolva o problema de criar as jogadas.

Foto: USA TODAY Sports