O New York Knicks está destruindo todo mundo nos playoffs da NBA. E não, isso não é exagero de torcida emocionada depois de duas vitórias. Os números literalmente colocam essa sequência entre as mais absurdas da história da liga.
Após atropelar o Cleveland Cavaliers por 109 a 93 e abrir 2 a 0 nas finais da Conferência Leste, os Knicks chegaram à incrível marca de nove vitórias consecutivas na pós-temporada. Até aí já seria impressionante. O detalhe assustador é a forma como essas vitórias aconteceram.
New York possui um saldo de +212 pontos nos últimos nove jogos. Isso representa a maior diferença de pontos em qualquer sequência de nove partidas da história da NBA. Não apenas em playoffs. Em qualquer contexto. Temporada regular, mata-mata, tanto faz. Ninguém fez isso antes.
Nem os Bucks lendários dos anos 70. Nem os Rockets de James Harden. Nem o Showtime Lakers. Nem os Warriors dinásticos. Os Knicks simplesmente estão demolindo adversários.
Só que no meio de toda essa empolgação surge uma discussão extremamente válida: quanto dessa dominância vem da força real dos Knicks… e quanto vem da fraqueza absurda da Conferência Leste?
Porque sinceramente? Essa pergunta precisa ser feita.
Knicks parece uma máquina impossível de parar
Primeiro, vamos deixar uma coisa clara: os Knicks estão jogando um basquete assustador.
Desde o Jogo 4 contra o Atlanta Hawks, o time virou completamente a chave. O que parecia uma série perigosa, com chance real de zebra, se transformou em uma sequência quase cruel de atropelos.
Os resultados falam sozinhos:
- Vitória por 16 contra Atlanta
- Vitória por 29 contra Atlanta
- Vitória por 51 contra Atlanta
- Vitória por 39 contra Philadelphia
- Vitória por 14 contra Philadelphia
- Vitória por 30 contra Philadelphia
- Vitória por 11 contra Cleveland
- Vitória por 16 contra Cleveland
Isso não é apenas vencer. Isso é acabar emocionalmente com adversários de playoff. E o mais impressionante talvez seja a eficiência ofensiva.
Os Knicks estão arremessando 53,6% de quadra nessa sequência, além de um aproveitamento efetivo de 61,7%. Esse último número é o maior já registrado em qualquer sequência de nove jogos da história da NBA.
Basicamente, o ataque virou um triturador industrial.
Jalen Brunson virou o dono dos playoffs
Muito dessa transformação passa diretamente por Jalen Brunson.
O armador chegou naquele ponto onde parece controlar completamente o ritmo emocional do jogo. Nada o acelera. Nada o desespera. E isso é assustador em playoffs. Brunson mistura pontuação, controle de posse e liderança de uma forma que faz parecer que ele nasceu para esse tipo de cenário.
E o mais importante: agora ele finalmente tem um elenco que acompanha esse nível.
Karl-Anthony Towns está jogando talvez o basquete mais completo da carreira. Josh Hart continua sendo aquele maluco que pega rebote, se joga no chão, acerta bola importante e parece alimentado por cafeína industrial durante 48 minutos.
OG Anunoby saudável virou um dos jogadores mais valiosos dos playoffs defensivamente.
E talvez ninguém represente melhor a transformação do time do que Mikal Bridges.
Contra Atlanta, parecia um jogador completamente perdido ofensivamente. Agora? Está beirando 19 pontos por jogo com aproveitamento de videogame: 68% nos arremessos, 50% nas bolas de três e 100% nos lances livres.
Isso é completamente absurdo.
Mas o Leste continua sendo um problema para qualquer análise
E aqui chegamos na parte delicada. Porque por mais dominante que Nova York esteja sendo, o caminho até aqui claramente ajuda bastante.
O Atlanta Hawks nunca pareceu contender real. O Philadelphia 76ers veio do play-in e passou a temporada inteira oscilando. Já o Cleveland Cavaliers ainda carrega dúvidas enormes ofensivamente e quase sofreu eliminação anteriormente.
Enquanto isso, no Oeste, a sensação é de sobrevivência em estado de guerra.
Spurs, Thunder, Nuggets, Timberwolves… cada série parece arrancar um pedaço físico dos times envolvidos. Todo jogo vira batalha de sete rounds. Todo quarto período parece final de conferência.
E isso importa muito. Playoffs não são apenas sobre talento. São sobre desgaste. Sobre quanto seu corpo ainda responde em junho. Hoje, olhando friamente, é impossível ignorar que os Knicks estão tendo um caminho muito menos brutal do que qualquer candidato vindo do Oeste.
O problema dos Knicks talvez seja justamente parecerem bons demais
Existe uma ironia interessante nessa discussão. Talvez o Leste pareça tão fraco justamente porque os Knicks estão transformando qualquer adversário em vítima. Porque olhando individualmente, esse elenco realmente parece completo.
O time defende forte, possui profundidade, espaçamento, tamanho, intensidade física e maturidade emocional. Coisas que, honestamente, faltaram em temporadas anteriores.
Essa versão dos Knicks não lembra aquelas equipes talentosas que entregavam vantagens gigantescas ou perdiam controle emocional em momentos decisivos. Agora parece um grupo que acredita completamente que vai vencer qualquer jogo, independentemente do contexto.
E isso muda tudo.
A virada sobre Cleveland no primeiro jogo da série talvez seja o maior exemplo disso. Anos atrás, New York provavelmente desmoronaria após ficar mais de 20 pontos atrás. Hoje? O time simplesmente continuou jogando como se nada tivesse acontecido.
O verdadeiro julgamento virá nas finais
No fim das contas, talvez toda essa discussão só tenha uma resposta possível: esperar as finais da NBA. Porque aí não existirá mais debate sobre conferência fraca ou caminho fácil.
Se os Knicks chegarem lá e hoje parece muito provável, terão pela frente um time vindo do Oeste completamente testado em batalhas físicas absurdas. Só que também desgastado. E talvez aí exista uma vantagem gigantesca para New York.
Enquanto Spurs e Thunder parecem estar disputando uma guerra medieval do outro lado da chave, os Knicks estão vencendo séries sem precisar entrar em modo sobrevivência.
Isso pode significar duas coisas. Ou os Knicks realmente são uma máquina histórica pronta para dominar a NBA… Ou a Conferência Leste acabou inflando uma sequência absurda contra concorrência abaixo do nível ideal.
De qualquer forma, uma coisa já é certa: o que New York está fazendo agora entra diretamente na conversa das sequências mais dominantes que a NBA já viu.
Foto: USA TODAY Sports via Reuters Connect / Reuters



