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Knicks mostram que existe vida fora do tanking; Entenda

New York Knicks são os novos campeões da NBA, mas o impacto da conquista vai muito além da festa nas ruas de Manhattan ou do troféu Larry O’Brien levantado após 53 anos de espera. A campanha histórica da franquia deixou uma mensagem importante para o restante da liga: não existe apenas um caminho para construir um time campeão.

Nos últimos anos, o tanking virou quase uma religião para algumas franquias. A lógica é simples: perder o máximo possível, acumular escolhas altas de Draft e torcer para que uma futura superestrela apareça para salvar a organização. Em teoria, parece um plano inteligente. Na prática, porém, nem sempre funciona.

Os Knicks acabaram de provar isso.

Enquanto diversas equipes seguem presas em ciclos intermináveis de reconstrução, New York encontrou outra rota para chegar ao topo da NBA. Uma rota mais agressiva, mais ousada e que exigiu coragem para abrir mão de escolhas de Draft que muitos executivos tratam como relíquias sagradas.

Um campeão construído de forma diferente

Quando olhamos para os campeões recentes da NBA, normalmente encontramos um padrão bastante claro.

A principal estrela quase sempre foi selecionada pela própria franquia.

Foi assim com Stephen Curry no Golden State Warriors. Foi assim com Giannis Antetokounmpo no Milwaukee Bucks. Foi assim com Nikola Jokic no Denver Nuggets. Até mesmo o Oklahoma City Thunder campeão de 2025 possuía diversos jogadores desenvolvidos internamente, como Jalen Williams, Chet Holmgren e Lu Dort ao lado de Shai Gilgeous-Alexander.

Os Knicks quebraram completamente essa lógica.

Nenhum dos principais nomes da equipe foi escolhido pelo Draft da franquia.

Jalen Brunson chegou como agente livre. Karl-Anthony Towns veio através de troca. Mikal Bridges, OG Anunoby e Josh Hart também desembarcaram em New York por meio de negociações.

Os jogadores selecionados pelos Knicks que participaram da rotação campeã tiveram papéis importantes, como Mitchell Robinson e Deuce McBride, mas nenhum deles era o rosto da franquia.

É uma construção extremamente incomum para um campeão da NBA moderna.

Jalen Brunson foi o ponto de partida dos Knicks

Toda grande história precisa de um começo.

No caso dos Knicks, tudo mudou quando a franquia apostou em Jalen Brunson na agência livre de 2022.

Na época, muita gente considerou o contrato caro demais. Afinal, Brunson ainda não havia sido All-Star e vinha de um papel secundário no Dallas Mavericks de Luka Doncic.

Hoje, essa discussão parece até engraçada.

Brunson se transformou em uma das maiores estrelas da NBA e no principal líder da campanha histórica dos Knicks. Mais importante ainda: sua chegada mudou completamente a percepção da franquia.

Os Knicks deixaram de ser apenas uma equipe tentando sobreviver na Conferência Leste para se tornarem um destino atraente para outros jogadores de alto nível.

Foi a primeira peça do dominó.

Knicks e suas trocas ousadas que fizeram a diferença

Se a contratação de Brunson acendeu a chama, as trocas realizadas nos anos seguintes alimentaram o incêndio.

Leon Rose, presidente da franquia, não teve medo de fazer movimentos arriscados.

A negociação por OG Anunoby foi vista como cara por muitos analistas. A chegada de Karl-Anthony Towns também gerou dúvidas. Mas nenhuma movimentação recebeu tantas críticas quanto a troca por Mikal Bridges.

Para adquirir o ala, os Knicks enviaram uma enorme quantidade de escolhas de primeira rodada ao Brooklyn Nets.

Durante meses, a negociação virou motivo de piada nas redes sociais.

Muita gente acreditava que New York havia pago caro demais. Hoje, depois do título, ninguém parece muito preocupado com aquelas escolhas de Draft. Ou, como resumiu Josh Hart durante a celebração do campeonato:

“Aye man, forget them picks.”

Traduzindo livremente para o português: esqueçam essas escolhas de Draft. O troféu está em casa.

O problema do tanking moderno

O sucesso dos Knicks também levanta uma discussão interessante sobre a obsessão atual da NBA pelo tanking.

Nos últimos anos, diversas equipes passaram temporadas inteiras acumulando derrotas com a esperança de encontrar a próxima grande estrela no Draft.

O problema é que não existe garantia alguma. Os próprios Knicks conhecem essa dor.

Em 2019, a equipe terminou com a pior campanha da liga, registrando apenas 17 vitórias em 82 jogos. O sonho era conquistar a primeira escolha do Draft e selecionar Zion Williamson. Mas a loteria não colaborou.

New York caiu para a terceira posição e acabou escolhendo RJ Barrett. Na época, muitos consideraram aquilo um desastre. Anos depois, Barrett acabou sendo uma peça importante na troca que trouxe OG Anunoby, um dos heróis da campanha do título.

O basquete adora essas ironias.

Construir aos poucos também funciona

Existe uma tendência de enxergar reconstruções apenas de forma radical. Ou você é candidato ao título ou precisa perder desesperadamente para acumular escolhas.

Os Knicks mostraram que existe uma terceira via.

A franquia foi melhorando gradualmente. Primeiro veio Brunson. Depois Hart. Então Anunoby. Mais tarde Bridges. Em seguida Towns. Cada movimento aumentava um pouco o teto da equipe.

Nenhum deles, isoladamente, transformou os Knicks em campeões. Mas a soma de todas as decisões criou uma das equipes mais completas da NBA. Foi uma construção paciente, mas ao mesmo tempo agressiva quando surgiam oportunidades.

A mensagem para os times que estão no fundo da tabela

Franquias como Washington Wizards, Charlotte Hornets, Portland Trail Blazers e outras equipes em reconstrução certamente observaram com atenção o que aconteceu em New York.

A principal lição é simples: perder não é a única solução.

Claro que escolhas de Draft continuam sendo extremamente valiosas. Nenhum dirigente responsável vai simplesmente distribuir seleções de primeira rodada por aí sem planejamento. Mas o título dos Knicks mostra que existe valor em ser criativo, agressivo e oportunista.

Nem toda reconstrução precisa durar uma década. Nem todo campeão precisa nascer de uma sequência interminável de escolhas altas no Draft.

Às vezes, o caminho até o topo passa por uma grande contratação, uma troca ousada e uma série de decisões inteligentes tomadas ao longo dos anos.

O legado imediato do título

Os Knicks não conquistaram apenas um campeonato. Eles desafiaram uma das principais crenças da NBA moderna.

Enquanto várias equipes continuam apostando todas as fichas na loteria do Draft, New York mostrou que montar um elenco campeão também pode acontecer através de negociações inteligentes, desenvolvimento de cultura vencedora e coragem para assumir riscos.

Talvez essa fórmula não funcione para todos. Talvez os Knicks sejam uma exceção. Mas, depois de encerrar um jejum de 53 anos e levantar o troféu mais importante do basquete, ninguém pode dizer que o método estava errado.

E, neste momento, existe uma boa chance de que alguns executivos espalhados pela NBA estejam olhando para suas pilhas de escolhas de Draft e se perguntando se não está na hora de fazer algo um pouco mais ousado.

Foto: Dustin Safranek-Imagn Images