Os Knicks podem manter o núcleo campeão?
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Os Knicks podem manter o núcleo campeão? Finanças apertam, mas o essencial fica

O New York Knicks é campeão da NBA pela primeira vez em 53 anos. A seca acabou. As ruas de Nova York estão tomadas por celebrações. O time construído por Leon Rose ao longo de seis anos finalmente chegou ao topo da montanha. Agora, a pergunta que fica é: como manter esse grupo unido para defender o título?

A resposta não é simples. O elenco é caro e vai ficar ainda mais caro nos próximos anos. Mas o núcleo principal pode permanecer intacto. Vamos analisar as finanças, os agentes livres e as extensões contratuais para entender até onde os Knicks podem ir para manter o time que conquistou o anel.

O desconto de Brunson e o plano de quatro anos

Tudo começou com Jalen Brunson. Em 2022, o Knicks assinou com o armador um contrato de quatro anos e US$ 104 milhões. Foi um dos melhores negócios da história da free agency. Brunson liderou o time ao título e se tornou talvez o jogador mais importante da franquia. Mas o verdadeiro impacto foi estrutural.

A maioria dos contratos começa baixo e sobe anualmente. O de Brunson foi o oposto: começou em US$ 27,7 milhões e diminuiu a cada ano. Na temporada 2024-25, ele ganhou menos de US$ 25 milhões. Essa estrutura permitiu que o Knicks tivesse flexibilidade para fazer grandes movimentos.

Antes do training camp, o time trocou por Karl-Anthony Towns. O desconto de Brunson deu espaço para a aquisição sem estourar o segundo apron na temporada 2025-26. Isso foi crucial. O segundo apron impõe restrições severas, e ficar três anos seguidos acima dele faz a escolha de primeira rodada cair para a 30ª posição.

Sem o desconto de Brunson, talvez os Knicks não tivessem coragem de trazer Towns. Essa flexibilidade também permitiu contratações menores, como Guerschon Yabusele, que acabou sendo trocado por Dalen Terry e, posteriormente, ajudou a trazer Jose Alvarado, herói das Finais.

Finanças atuais e o futuro imediato

Atualmente, o Knicks tem oito jogadores com contratos garantidos para a próxima temporada: Brunson, Towns, Hart, OG Anunoby, Mikal Bridges, Deuce McBride, Tyler Kolek e Pacôme Dadiet. Com a 24ª escolha do draft e a opção de Alvarado de US$ 4,5 milhões, são dez nomes no total.

O salário projetado fica em torno de US$ 209 milhões, deixando cerca de US$ 13 milhões abaixo do segundo apron. Teoricamente, é possível ficar abaixo novamente assinando veteranos mínimos ou usando a exceção de meio nível do tax payer. Mas para manter o time inteiro, os Knicks provavelmente vão ultrapassar o segundo apron.

A partir da temporada 2027-28, entra o repeater penalty, que torna tudo mais caro. James Dolan tem mostrado disposição para pagar, mas nem ele é Steve Ballmer. O teto vai apertar. A janela de título é agora, mas o custo vai aumentar rapidamente.

Agentes livres: Quem fica?

O nome mais importante é Mitchell Robinson. Os Knicks têm direitos Bird completos e podem pagar o máximo para mantê-lo. Robinson é o jogador mais antigo do elenco e encaixa perfeitamente como reserva. Ele não aguenta carga de titular, mas é excelente vindo do banco.

Porém, Robinson foi mal pago no último contrato e vai ter ofertas no mercado. Lakers e Bulls precisam de pivô e podem oferecer salário de titular. Os Knicks devem priorizá-lo, mas a 24ª escolha pode ser usada para draftar um big man caso percam a briga.

Landry Shamet tem direitos Early Bird. É mais fácil mantê-lo, pois ninguém deve oferecer acima do nível de exceção. Aos 29 anos e com minutos limitados nos playoffs, Shamet deve ficar se os Knicks quiserem.

Jose Alvarado tem opção de US$ 4,5 milhões. Ele vale mais, mas os Knicks têm Tyler Kolek pronto para crescer. Uma estratégia possível é fazer Alvarado optar e depois estender, como fizeram com Josh Hart.

Mohamed Diawara é restricted free agent. Seus direitos Non-Bird limitam o aumento a 20%. Para pagar mais, os Knicks entrariam no segundo apron. Se alguém oferecer contrato melhor, o time pode perdê-lo. Diawara mostrou potencial e seria bom mantê-lo como ala defensivo.

Extensões no horizonte

Karl-Anthony Towns pode estender por três anos e US$ 208 milhões ou declinar a opção e assinar por quatro anos e US$ 272 milhões. Aos 31 anos no início da próxima temporada, os Knicks devem negociar um valor mais amigável, como fez Rudy Gobert em Minnesota.

Josh Hart tem opção de time em 2027-28. Aos 31 anos e com estilo físico, ele pode não envelhecer bem. Se um titular precisar ser sacrificado por finanças, Hart é o nome mais provável.

Deuce McBride entra no último ano de contrato barato. Ele pode estender-se a algo entre US$ 12 e 14 milhões anuais. É um ótimo negócio para backup de qualidade.

Mikal Bridges já tem extensão de quatro anos e US$ 150 milhões começando na próxima temporada. Brunson ainda tem um ano para estender, mas deve receber recompensa generosa pelo desconto anterior.

O que vem pela frente

Os Knicks têm capacidade de manter a maior parte do elenco para a defesa do título. Ultrapassar o segundo apron era o plano. Se perderem alguém, será na rotação. A partir de 2027-28, o repeater penalty vai forçar escolhas difíceis.

Leon Rose fez a parte difícil: montou um time campeão. Agora precisa navegar pelas restrições do CBA para manter o grupo o máximo possível. Com um título no currículo, os Knicks podem se dar ao luxo de pagar caro por mais um ou dois anos.

O futuro é brilhante, mas o teto financeiro se aproxima. A torcida vive o sonho. Resta saber até quando o elenco atual consegue sustentar a magia.

Foto: REUTERS.