O Grêmio não virou outro time de uma hora para outra. Mas as contratações feitas no meio da temporada começam a produzir um efeito que vai além da simples reposição de elenco: algumas delas já estão mudando a maneira como a equipe joga.
A vitória por 3 a 1 sobre o Internacional, que colocou o Tricolor na semifinal da Copa do Brasil, foi uma fotografia desse processo.
Krovinovic marcou um gol e ajudou a organizar o meio-campo. Wallace foi seguro na defesa e participou do lance que originou o primeiro gol. Diego Caito, por sua vez, atuou mesmo convivendo com uma fratura no ombro e mostrou que já deixou de ser apenas uma alternativa para se tornar uma peça importante.
O mais interessante é que nenhum deles precisou de uma temporada inteira para começar a interferir no funcionamento da equipe.
Krovinovic mudou a qualidade da construção
A principal mudança talvez esteja no meio-campo. Krovinovic chegou para oferecer uma característica que o Grêmio precisava: capacidade de circular a bola com mais qualidade, participar da progressão e encontrar espaços entre as linhas.
Contra o Inter, isso apareceu especialmente quando o Tricolor precisou escapar da pressão colorada. O croata não ficou limitado ao passe curto. Movimentou-se, participou da construção e ainda apareceu no ataque para marcar o terceiro gol.
A jogada resume bem seu impacto.
Amuzu e Tetê combinaram pelo lado, encontraram espaço e Krovinovic apareceu na entrada da área para finalizar. Não foi apenas um gol de oportunismo. Foi também o resultado de um meio-campista que acompanhou a jogada e ocupou uma zona perigosa.
É cedo para dizer que o Grêmio resolveu definitivamente seu problema de criação. Mas já existe uma peça capaz de mudar a dinâmica do setor.
Wallace trouxe segurança e profundidade ao elenco
Wallace é outro reforço que ganhou importância rapidamente. O zagueiro não chegou com o peso de uma contratação milionária, mas encontrou espaço em uma defesa que precisava de alternativas. Contra o Inter, mostrou capacidade de antecipação, força nos duelos e tranquilidade para cortar as jogadas adversárias.
Além disso, participou diretamente do lance do primeiro gol. Sua cabeçada após o escanteio foi bloqueada pela defesa, mas a sobra terminou com Carlos Vinícius, que abriu o placar.
O ganho para Luís Castro está justamente aí: ter um jogador capaz de assumir uma função importante sem obrigar o treinador a alterar toda a estrutura da equipe.
Em uma temporada longa, profundidade não é luxo. É necessidade.
Diego Caito talvez seja o exemplo mais simbólico
Se Krovinovic representa a mudança técnica e Wallace a ampliação das opções defensivas, Diego Caito representa outra coisa: a rapidez com que um reforço conseguiu conquistar a confiança do treinador.
O lateral chegou ao Grêmio durante a janela e rapidamente ganhou espaço. Mais do que isso, tornou-se titular em uma posição que precisava de estabilidade. E existe um detalhe que aumenta ainda mais o peso dessa história.
Caito sofreu uma lesão no ombro no Gre-Nal de ida, mas, mesmo com a confirmação de uma fratura, decidiu continuar à disposição da equipe. Luís Castro revelou que o jogador atuou “debaixo de muito sacrifício” na partida de volta, depois de treinar nos dias anteriores. A previsão inicial era de três a quatro semanas antes de um retorno gradual.
A escolha de seguir ajudando o clube mostra o tamanho da importância que Caito adquiriu em pouco tempo.
É preciso separar as coisas: jogar lesionado não deve ser romantizado, e a questão médica precisa ser tratada com responsabilidade. Mas, do ponto de vista esportivo, o episódio revela que Caito já se tornou um jogador em quem o treinador deposita confiança.
E seus dois Gre-Nais ajudam a explicar isso.
A janela não trouxe estrelas. Trouxe soluções
Esse talvez seja o ponto mais importante. O Grêmio não precisava necessariamente de nomes capazes de mudar o clube sozinhos. Precisava de jogadores que resolvessem problemas específicos.
A segunda janela foi muito mais econômica que a primeira e trouxe cinco nomes: Matheus Nascimento, Diego Caito, Wallace, Jovane Cabral e Krovinovic. O investimento direto ficou muito abaixo do realizado no início da temporada.
O resultado ainda está em construção. Mas já existe uma diferença importante no elenco: Luís Castro passou a ter mais alternativas de perfil e, principalmente, jogadores que começam a disputar espaço de verdade.
Isso muda a competição interna e permite que o treinador escolha pelo desempenho, e não apenas pela falta de opções.
O desafio agora é transformar impacto individual em evolução coletiva
O Grêmio ainda ocupa a parte de baixo do Brasileirão e não pode usar a classificação na Copa do Brasil para esconder os problemas da campanha. A equipe está em 15º, com 28 pontos, enquanto o Internacional aparece em 18º, com 25.
Por isso, o Gre-Nal precisa ser visto como um sinal, não como uma conclusão. Krovinovic pode dar mais qualidade ao meio. Wallace pode aumentar a segurança. Caito pode oferecer estabilidade pela direita.
Mas o verdadeiro ganho acontecerá quando essas peças deixarem de ser apenas boas soluções individuais e passarem a fazer parte de uma equipe mais equilibrada. É aí que a janela poderá ser julgada.
O Grêmio não precisava necessariamente contratar jogadores para virar favorito aos títulos. Precisava contratar jogadores capazes de fazer o time funcionar melhor. E, aos poucos, é isso que começa a acontecer.
Krovinovic trouxe organização, Wallace trouxe segurança e Diego Caito trouxe uma dose de confiança que ultrapassou o campo. Agora, cabe a Luís Castro transformar essas respostas em uma mudança permanente no Grêmio.
FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA/DIVULGAÇÃO



