Kyrie Flagg
Basquete NBA

Kyrie Irving pode ser a peça que faltava para Cooper Flagg decolar na NBA?

O retorno de Kyrie Irving pode mudar o patamar de Cooper Flagg e acelerar os planos do Dallas Mavericks para voltar aos playoffs da NBA. Depois de uma temporada de estreia que confirmou o enorme potencial do jovem ala, a franquia texana aposta na experiência do armador para construir uma dupla capaz de dividir responsabilidades e transformar o talento individual em resultados coletivos.

A temporada 2026/27 chega com mudanças importantes em Dallas. A franquia reformulou sua diretoria, contratou um novo treinador e promoveu alterações no elenco. No entanto, a principal novidade dentro de quadra pode ser justamente um jogador que já estava no grupo: Kyrie Irving, que se prepara para retornar após uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho.

Se conseguir recuperar seu melhor nível, o veterano poderá oferecer a Flagg algo que fez falta em diferentes momentos de sua temporada de estreia: um armador de elite para dividir a criação de jogadas e aliviar a pressão sobre o jovem talento. A combinação entre os dois pode ser determinante para o futuro imediato dos Mavericks.

Cooper Flagg mostrou que pode ser uma estrela da NBA

A primeira temporada de Cooper Flagg na NBA foi marcada por uma evolução impressionante. Escolhido como a grande promessa do Draft, o jovem precisou lidar com a responsabilidade de comandar parte do ataque de Dallas, inclusive atuando como armador em determinados momentos sob o comando do então treinador Jason Kidd.

No começo, a experiência deixou claro que ainda havia muito a aprender. Flagg demonstrava dificuldades naturais de um adolescente enfrentando defesas profissionais, especialmente quando precisava organizar o ataque e tomar decisões sob pressão. Mas a evolução ao longo da campanha foi evidente, transformando o novato em uma das principais referências da equipe.

Nos últimos 26 jogos da temporada regular, Flagg registrou médias de 25,2 pontos, 7,2 rebotes e 5,3 assistências por partida. O desempenho incluiu uma atuação de 51 pontos, que ajudou a consolidar sua candidatura e culminou na conquista do prêmio de Novato do Ano.

Os números mostram que o jovem não é apenas um pontuador promissor. Flagg consegue contribuir em diferentes áreas, seja criando oportunidades para os companheiros, atacando a cesta ou participando da construção das jogadas desde o início da posse.

Ainda assim, o fato de conseguir desempenhar diversas funções não significa que precise assumir todas elas ao mesmo tempo. E é justamente nesse ponto que Kyrie Irving entra na equação.

Por que Kyrie Irving pode melhorar o jogo de Flagg?

A principal questão para Dallas é encontrar o equilíbrio entre dar liberdade a Flagg e evitar que ele tenha de carregar sozinho a responsabilidade de organizar o ataque. Os dados da temporada passada indicam que a presença de um armador tradicional ajudou tanto o jovem quanto o desempenho coletivo dos Mavericks.

Quando Flagg dividiu a quadra com Ryan Nembhard, por exemplo, Dallas apresentou saldo de pontos de +0,4 por 100 posses e eficiência ofensiva de 115,5 pontos. Sem Nembhard, esses números caíram para -8,1 e 110,2, respectivamente. O aproveitamento de Flagg nos arremessos, ajustado pela eficiência, também foi superior com o companheiro: 58%, contra 54,5%.

Esses números não significam que Flagg seja incapaz de comandar o ataque. Pelo contrário, a experiência como armador contribuiu para seu desenvolvimento e ampliou seu repertório. O ponto é que, neste estágio da carreira, ele pode ser ainda mais eficiente quando não precisa assumir todas as funções de criação.

Com Kyrie Irving disponível, Flagg terá a possibilidade de alternar entre diferentes papéis durante uma partida. O veterano pode iniciar as jogadas, atrair a marcação e encontrar o companheiro em boas condições para finalizar. Em outros momentos, o jovem poderá assumir o controle da bola e explorar as vantagens que sua versatilidade oferece.

Para uma defesa adversária, isso representa um problema considerável: não basta encontrar uma maneira de limitar um dos dois jogadores, porque o outro terá condições de assumir o protagonismo.

Dupla com funções complementares

A possibilidade de combinar Kyrie e Flagg é interessante porque os dois não precisam disputar o mesmo espaço para serem protagonistas. O armador já demonstrou que consegue atuar ao lado de jogadores que gostam de ter a bola nas mãos e participam ativamente da criação ofensiva.

Durante sua passagem pelo Cleveland Cavaliers, Irving conquistou o título da NBA ao lado de LeBron James. Posteriormente, também apresentou bons resultados atuando com Luka Dončić em Dallas. Embora Flagg ainda esteja no início da carreira e não tenha o currículo dos antigos companheiros de Kyrie, seu conjunto de habilidades oferece características que podem favorecer uma parceria semelhante.

Flagg tem capacidade para iniciar contra-ataques após pegar um rebote, atacar em situações de pick-and-roll e criar jogadas a partir do cotovelo do garrafão. Ao mesmo tempo, consegue atuar sem a bola, realizar cortes em direção à cesta, participar dos bloqueios e aproveitar os espaços criados pelos companheiros.

Essa versatilidade permite que Kyrie tenha liberdade para conduzir o ataque sem transformar Flagg em um simples espectador. O jovem pode se movimentar, buscar espaços e atacar a defesa quando a marcação estiver concentrada no armador.

Também existe a possibilidade de inverter os papéis. Quando Flagg estiver com a bola, Kyrie poderá participar das jogadas como bloqueador, inclusive em situações de bloqueio invertido, nas quais um armador utiliza seu corpo para criar espaço para um companheiro de maior porte.

Na prática, Dallas terá duas alternativas de criação que podem ser utilizadas conforme o adversário e o momento da partida. Para um treinador, contar com dois jogadores capazes de iniciar e concluir jogadas oferece uma variedade de soluções táticas que poucas equipes conseguem reunir.

Elenco de Dallas também pode ajudar a dupla

O sucesso da parceria, porém, não dependerá exclusivamente de Kyrie e Flagg. A diretoria dos Mavericks também trabalhou para montar um elenco capaz de complementar as características dos dois principais jogadores.

Na posição de pivô, Daniel Gafford e Dereck Lively II oferecem presença física e capacidade de finalizar jogadas próximas à cesta. Ambos podem funcionar como ameaças verticais em situações de pick-and-roll, abrindo espaço para infiltrações de Irving e Flagg.

Lively, entretanto, ainda se recupera de uma cirurgia no pé, e sua condição física é uma preocupação para a franquia. Por isso, a escolha de Morez Johnson Jr. no Draft também ganha importância. Com aproximadamente 2,06 metros e 113 quilos, o jovem jogador combina capacidade atlética e versatilidade defensiva, características que podem permitir sua utilização contra diferentes tipos de adversários.

Outro reforço é Santi Aldama, ala-pivô que oferece capacidade de arremesso de longa distância e disposição para executar as tarefas menos valorizadas do jogo. Sua presença pode ajudar a espaçar a quadra, criando mais espaço para as infiltrações de Flagg e Kyrie.

O elenco ainda conta com P.J. Washington, Max Christie e Naji Marshall, jogadores que oferecem tamanho, versatilidade e diferentes alternativas defensivas. Zaccharie Risacher, por sua vez, também pode encontrar em Dallas uma oportunidade de conquistar espaço na rotação.

A ideia é cercar Flagg de jogadores capazes de contribuir em diferentes funções, sem exigir que ele seja responsável por resolver todos os problemas da equipe. Com mais opções ao redor, o jovem poderá concentrar seus esforços nas situações em que seu talento é mais decisivo.

Chegada de Dusty May e os desafios da temporada

A responsabilidade de transformar todas essas peças em um time competitivo ficará com Dusty May, novo treinador dos Mavericks. O técnico chega à NBA após construir uma trajetória de destaque no basquete universitário, levando a Florida Atlantic ao Final Four e conquistando o título nacional com Michigan em sua segunda temporada à frente do programa.

May já indicou que pretende utilizar Flagg em diferentes regiões da quadra, uma decisão que combina com as características do elenco. Em vez de limitar o jovem a uma posição específica, o treinador poderá explorar sua capacidade de atuar como criador, finalizador e defensor de múltiplas funções.

A reformulação da diretoria, liderada por Masai Ujiri e Mike Schmitz, também aponta para uma tentativa de acelerar a construção de uma equipe competitiva ao redor de Flagg. A chegada de jogadores versáteis e a aposta no retorno de Kyrie fazem parte desse planejamento.

Ainda assim, existe uma questão que pode determinar o sucesso ou o fracasso da temporada: a condição física do armador.

Kyrie Irving tem 34 anos e está voltando de uma lesão no ligamento cruzado anterior que o afastou das quadras por praticamente um ano. Recuperar o ritmo de jogo, a explosão física e a confiança nos movimentos será um processo importante, especialmente para alguém cujo estilo depende tanto de mudanças rápidas de direção e controle corporal.

Não há garantia de que o veterano conseguirá retornar imediatamente ao nível que apresentou antes da lesão. Por isso, o planejamento de Dallas precisará considerar alternativas para os momentos em que ele estiver indisponível ou ainda não conseguir jogar por muitos minutos.

Se Kyrie Irving conseguir voltar saudável, os Mavericks terão motivos para acreditar que a evolução de Cooper Flagg pode se traduzir em resultados coletivos mais rapidamente do que o esperado. A combinação de experiência, criatividade e versatilidade oferece uma base interessante para a franquia, embora a execução dentro de quadra e a condição física dos principais jogadores sejam determinantes.

O potencial está presente, ainda mais com o retorno de Kyrie Irving. Agora, Dallas precisa transformar essa combinação de talentos em uma equipe capaz de competir na exigente Conferência Oeste, seja com Kyrie como líder, ou fazendo o papel de co-estrela, que já deu certo no passado.

Foto: Jerome Miron-Imagn Images | Jerome Miron-Imagn Images