Não foi uma noite fácil para Lamine Yamal. Se por um lado o atacante deu mais um passo importante em sua recuperação física ao permanecer 84 minutos em campo, por outro teve uma atuação bem abaixo do que havia apresentado nas partidas anteriores da Espanha nesta Copa do Mundo.
A evolução física chama atenção. Depois de atuar apenas 25 minutos contra Cabo Verde e chegar ao intervalo diante da Arábia Saudita, o camisa 19 praticamente completou uma partida inteira contra o Uruguai. Nesse aspecto, a comissão técnica de Luis de la Fuente sai satisfeita.
Recuperação física de Yamal avança, mas rendimento cai

Tecnicamente, porém, o cenário foi diferente. Mesmo completando cinco dribles, Lamine encontrou enormes dificuldades para ser decisivo. Segundo a Opta, ele criou apenas uma chance clara de gol em toda a partida — justamente a oportunidade desperdiçada por Dani Olmo, que finalizou por cima do travessão. Boa parte dessa atuação discreta tem explicação na estratégia uruguaia.
Marcelo Bielsa montou um sistema de marcação praticamente direcionado para neutralizar o principal talento espanhol. Sanabria fez uma partida segura pelo setor, enquanto Olivera e os meio-campistas constantemente aproximavam a marcação para impedir que Yamal recebesse em condições de atacar no um contra um.
Sem transições rápidas e com uma circulação de bola mais lenta da Espanha, o jovem atacante quase nunca encontrou o cenário que mais favorece seu futebol: receber aberto, em velocidade e com espaço para partir para cima do marcador.
Faltou a conexão que fez diferença contra a Arábia Saudita

Outro fator que chamou atenção foi a falta das conexões que haviam potencializado seu desempenho diante da Arábia Saudita.
Naquele jogo, Pedro Porro e Dani Olmo formaram um trio muito bem sincronizado com Lamine. O lateral sabia exatamente quando oferecer apoio por fora ou preservar o espaço para o atacante acelerar, enquanto Olmo alternava aproximações e infiltrações no momento certo, facilitando as combinações pelo lado direito. Contra o Uruguai, essa dinâmica praticamente desapareceu.
Yamal participou bastante da partida — foram 52 ações com a bola — e em nenhum momento se escondeu do jogo. Ainda assim, faltou a explosão que havia encantado na rodada anterior. Muito disso porque o contexto da partida foi completamente diferente: menos espaços, marcação dobrada e uma Espanha que encontrou dificuldade para acelerar a circulação da bola.
No fim das contas, a atuação discreta do camisa 19 parece dizer mais sobre os méritos do sistema defensivo uruguaio do que sobre uma queda de rendimento do jovem espanhol.
Ainda longe da melhor condição física, Lamine mostrou que já consegue suportar uma carga maior de minutos. Agora, o próximo desafio será voltar a encontrar o protagonismo ofensivo que o transformou em uma das grandes atrações desta Copa do Mundo.
Créditos da foto de capa: Carl Recine/Getty Images