Lamine Yamal
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Lamine Yamal se reinventa no Barça: do drible ao sacrifício que Flick exigia

Lamine Yamal se tornou um dos rostos do Barcelona, nos dias atuais e para o futuro também, porém, ainda existem movimentações necessárias para crescer ainda mais. Apesar de ter se encontrado na segunda colocação da Bola de Ouro, não dá para considerar que o time catalão está em suas mãos, e o crescimento da equipe com o retorno de Raphinha diz bastante sobre isso. Entretanto, o ponta-direita já está fazendo questão de buscar melhorar, para em breve, ser visto como o pilar principal, seja de Hansi Flick, ou do treinador presente na época.

O espanhol já não é mais só o “menino prodígio” do Barça. Nem apenas “joia”, ou “promessa”, ou qualquer termo que usamos quando um talento está dando seus primeiros passos na carreira. Ele já virou realidade, todos já sabem que ele é diferente, mas e agora?

Até os gênios têm pontos fracos, e Flick, que não é alisar para seus jogadores, ou tirar o peso de suas responsabilidades, enxergou exatamente onde o Yamal precisava evoluir: na pressão, na recuperação, o famoso trabalho sem bola, que tem virado ponto vital na vida do futebol moderno. O treinador alemão queria ver suor além do brilho. E, pelo visto, o camisa 10 entendeu o recado rápido.

O talento nunca foi o problema… mas a pressão, sim

Ninguém discute o que Yamal faz com a bola no pé. Drible, aceleração, quebra de linhas, chute. Aquele estilo de quem parece jogar futsal em espaço aberto. Mas havia um ponto de seu jogo que precisava ser melhorado, simplesmente o fator do trabalho defensivo. Essa pauta foi colocada na mesa no Real Madrid com Vinicius Júnior, depois da chegada de Xabi Alonso, e parece que a realidade será a mesma para o espanhol.

Segundo Flick, Lamine Yamal é verticalidade pura, mas faltava esse lado maduro de ajudar a equipe a desarmar, dificultar a vida do rival, pressionar a saída, cortar linha de passe. Tudo aquilo que treinador europeu repete como mantra desde o café da manhã, ainda mais em seguida da enorme chegada do futebol moderno.

Yamal chegava pouco, pressionava pouco, desistia rápido. Seu plano era sempre receber, partir e criar. Bonito de ver, sim. Eficiente? Muito. Completo? Ainda não.

Flick, aliás, deixou clara a insatisfação algumas vezes. Não só com Lamine, para ser justo, o alemão costuma cobrar que todo mundo trabalhe sem bola, do centroavante ao gandula. Mas o garoto era um dos alvos principais.
Depois da derrota contra o Chelsea, por exemplo, o técnico soltou:

“Não se trata só dos quatro defensores. Todos precisam pressionar. Preciso que cada jogador comece a pressão.”

Esse é um fator que Raphinha sempre conseguiu entregar com excelência, muito se fala sobre ser o papel do “pedreiro da bola”. O camisa 11 é visto como o pilar do time catalão, existem múltiplas estrelas, mas é difícil colocar em grau de importância, ao comparar qualquer um nome com o brasileiro.

Lamine Yamal responde em campo

Contra o Atlético de Madrid, no duelo antecipado da 19ª rodada de LaLiga, veio o jogo da virada de chave. Não só no placar, mas na narrativa de Lamine Yamal como jogador “completo”. O extremo foi simplesmente o atleta com mais recuperações de bola em campo: nove. Sim, o mesmo camisa 10 que até mês passado era acusado de relaxar na pressão roubou mais bola que qualquer jogador do Barça. Até mais que Pedri, o príncipe do meio-campo, que teve oito.

Raphinha e Lewandowski? Três cada. Ou seja: Lamine foi o “Raphinha da pressão” por um dia, e sem perder seu brilho ofensivo. Foram 87 minutos de trabalho duro, fechando linhas, encurtando espaço, incomodando a construção dos rojiblancos como se tivesse nascido para isso. Não foi só disciplina: foi intensidade, leitura, vontade. Hansi Flick, que não economiza bronca, tirou o chapéu.

Mas calma: ele não deixou de ser o Yamal que encanta

A parte mais interessante é que todo esse sacrifício não apagou o talento. Pelo contrário, parece até ter dado mais gás. O 10 soma sete gols e nove assistências em 18 partidas entre LaLiga e Champions. É, simplesmente, o jogador que mais deu passes para finalização em TODA a liga espanhola e, pasme, nas cinco grandes ligas europeias. É o líder absoluto.

E não para por aí: Yamal também é o rei dos dribles na temporada 2025/26. Já são 60, sendo nove só contra o Atlético. Nenhum jogador das cinco principais ligas supera esse número até agora. O menino de Rocafonda virou o tipo de atleta que o Barça sempre sonhou em ter: criativo, decisivo e agora… trabalhador. Um ponta moderno, desses que desequilibram com a bola e matam com a pressão.

O novo Lamine é, definitivamente, um jogador total

Quando um jovem de 18 anos começa a juntar talento extraordinário com entendimento tático maduro, o céu se torna o limite, crescendo dúvidas sobre até onde ele pode chegar. Já não é só sobre potencial. É sobre impacto. Sobre liderança. Sobre se tornar indispensável.

Lamine Yamal já deixou de ser “promessa”. Está virando referência. E o mais assustador? Ainda nem tocou o teto. Se Flick pediu um jogador mais comprometido, ganhou um quase-mutante: o Lamine que encanta, mas agora também morde. Um atleta que dribla e corre atrás. Que cria e evita criação. Que faz o Barça respirar melhor em todos os sentidos.

Se isso é o começo, é melhor o futebol europeu se preparar. Porque Lamine não está apenas evoluindo, está acelerando. E, sinceramente? Ele ainda nem começou de verdade.

Foto: Isabel Infantes