Lamine Yamal voltou a ser um dos grandes protagonistas da Espanha e ajudou a mostrar que a seleção de Luis de la Fuente está reencontrando uma de suas maiores virtudes na Copa do Mundo: a força pelos lados do campo. Na vitória sobre a Arábia Saudita, a equipe espanhola exibiu intensidade, profundidade e velocidade nas jogadas pelas pontas, lembrando bastante a versão que encantou o futebol europeu durante a conquista da Eurocopa de 2024.
Naquele torneio, a Espanha encontrou uma fórmula que parecia simples, mas era extremamente difícil de parar. De um lado, Lamine Yamal desequilibrava com sua criatividade e habilidade. Do outro, Nico Williams acelerava como poucos jogadores do futebol mundial. Atrás deles, laterais agressivos completavam o trabalho e transformavam os corredores em verdadeiras avenidas rumo ao gol adversário.
Dois anos depois, a receita continua sendo a mesma. E os primeiros sinais indicam que ela ainda funciona muito bem.
Lamine Yamal dá espetáculo e comanda o lado direito
Se existia alguma dúvida sobre o papel de Lamine Yamal nesta Copa do Mundo, ela foi rapidamente eliminada contra a Arábia Saudita.
O jovem atacante foi o principal destaque ofensivo da equipe e demonstrou mais uma vez por que é considerado um dos jogadores mais talentosos de sua geração. Sempre perigoso quando recebe a bola, o camisa espanhol encontrou espaços, criou jogadas e participou ativamente das principais ações ofensivas da partida.
Mas o sucesso de Lamine não aconteceu sozinho.
Um dos aspectos mais interessantes da atuação espanhola foi a conexão construída com Pedro Porro pelo lado direito. O lateral participou constantemente da construção das jogadas e ofereceu uma opção segura para tabelas, ultrapassagens e movimentações que confundiram a marcação saudita.
A parceria funcionou tão bem que o setor direito se tornou uma das principais armas ofensivas da Espanha durante boa parte do confronto.
Pedro Porro responde à confiança de De la Fuente
Pedro Porro foi um dos jogadores mais participativos da partida e apresentou números que ajudam a explicar sua importância dentro da proposta de jogo espanhola.
O lateral completou 75 passes e teve papel fundamental na progressão da equipe ao campo de ataque. Sua capacidade de quebrar linhas chamou atenção durante todo o confronto. Foram 22 tentativas de ruptura e 16 ações concluídas com sucesso, estatísticas que evidenciam sua agressividade para acelerar as jogadas.
Mais do que os números, Porro mostrou personalidade.
Em uma seleção que valoriza a posse de bola, mas que também busca acelerar quando encontra espaço, o lateral ofereceu exatamente o equilíbrio que Luis de la Fuente procura. Sua movimentação constante abriu caminhos para Lamine Yamal atuar com mais liberdade e receber a bola em condições favoráveis.
E quando Lamine recebe a bola com espaço, normalmente alguma coisa boa acontece para a Espanha.
Cucurella segue indispensável pelo lado esquerdo
Enquanto o lado direito chamou atenção pela parceria entre Porro e Lamine, a faixa esquerda continuou sendo território de Marc Cucurella.
O lateral mais uma vez demonstrou por que se tornou uma peça praticamente insubstituível no esquema espanhol. Incansável na marcação e extremamente participativo no ataque, Cucurella teve mais uma atuação consistente.
Foram 59 passes completados e 13 ações de ruptura de linha para levar a equipe ao campo ofensivo. Além disso, ele teve influência direta em um dos gols da partida.
O quarto gol espanhol nasceu justamente de uma finalização do lateral. A tentativa acabou desviada e terminou em gol contra da Arábia Saudita, mas a origem da jogada reforçou aquilo que já virou rotina na equipe: os laterais não apenas apoiam os ataques, eles fazem parte deles.
Essa característica tem sido uma das marcas da Espanha nos últimos anos e continua aparecendo nesta Copa do Mundo.
Álex Baena aproveita oportunidade enquanto Nico Williams se recupera
Se o lado esquerdo ainda não apresentou sua formação ideal, isso não significa que a Espanha tenha sofrido com a ausência de Nico Williams.
Enquanto o atacante segue recuperando sua melhor condição física, Álex Baena assumiu a vaga e aproveitou a oportunidade para mostrar serviço.
O jogador trouxe movimentação, intensidade e ajudou a manter o equilíbrio ofensivo da equipe. Embora tenha características diferentes das de Nico, conseguiu cumprir bem sua função e mostrou que Luis de la Fuente possui alternativas interessantes para a sequência da competição.
Mesmo assim, a expectativa dentro da seleção é pelo retorno do melhor Nico Williams.
O próprio atacante afirmou recentemente que espera estar em condições ideais para o confronto diante do Uruguai. Caso isso aconteça, o treinador espanhol terá uma decisão importante pela frente.
Manter Baena, que vem respondendo bem, ou reunir novamente a dupla de extremos que encantou a Europa em 2024?
Espanha sonha com o retorno da dupla que encantou a Europa
Quando Lamine Yamal e Nico Williams atuam juntos em alto nível, a Espanha ganha uma dimensão diferente.
A combinação entre velocidade, drible, criatividade e capacidade de atacar espaços transforma a seleção em uma das equipes mais perigosas do futebol mundial. Não por acaso, a dupla foi um dos grandes símbolos da campanha vitoriosa na Eurocopa.
Lamine costuma atrair marcadores e criar superioridade numérica pelo lado direito. Nico, por sua vez, é um dos jogadores mais explosivos do planeta quando encontra campo para acelerar. Juntos, obrigam as defesas adversárias a escolher qual incêndio tentar apagar primeiro.
Para qualquer treinador rival, essa é uma péssima notícia.
Espanha volta a mostrar sinais de candidata ao título
A vitória sobre a Arábia Saudita trouxe mais do que três pontos. Ela serviu para reforçar a confiança de uma seleção que busca recuperar sua melhor versão na Copa do Mundo.
A Espanha voltou a apresentar intensidade, controle da posse de bola e, principalmente, agressividade pelos lados do campo. A conexão entre Pedro Porro e Lamine Yamal funcionou, Cucurella manteve seu alto nível de atuação e a expectativa pelo retorno de Nico Williams aumenta a sensação de que o time ainda tem margem para crescer.
Se as pontas foram fundamentais para a conquista da Eurocopa de 2024, tudo indica que elas também podem ser o caminho para uma campanha de sucesso no Mundial.
E se depender do que foi visto contra a Arábia Saudita, os espanhóis têm motivos para acreditar que a seleção está, mais uma vez, pronta para voar alto.
Foto: Reuters