Enquanto grande parte das atenções da Fórmula 1 continua voltada para Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull, a Racing Bulls vem construindo uma campanha cada vez mais consistente em 2026 e se consolidando como uma das equipes mais competitivas do pelotão intermediário. Mesmo assim, o desempenho da dupla formada por Liam Lawson e Arvid Lindblad ainda recebe menos destaque do que os resultados sugerem.
No GP da Áustria, os dois pilotos voltaram a terminar na zona de pontuação, alcançando o terceiro resultado consecutivo em que ambos marcaram pontos na mesma corrida. O desempenho permitiu à equipe manter a sexta colocação no Campeonato de Construtores e reduzir para apenas 13 pontos a diferença para a Alpine.
Com as principais manchetes concentradas nas disputas pelas vitórias e pelo campeonato, acaba sendo fácil ignorar equipes que não brigam pelas primeiras posições. No entanto, a evolução da Racing Bulls nas últimas corridas mostra que o time merece muito mais atenção.
Liam Lawson consolida recuperação e assume papel de líder da equipe
A trajetória de Liam Lawson na F1 tem sido marcada por mudanças rápidas. Esta é apenas sua segunda temporada completa na categoria e a primeira em que disputa todo o campeonato pela mesma equipe, depois de ter sido transferido da Red Bull para a Racing Bulls apenas duas etapas após o início da temporada de 2025.
Desde então, o neozelandês assumiu naturalmente a posição de principal referência dentro da equipe. Até o momento, Lawson soma 30 pontos no campeonato. Sua campanha começou de forma positiva, com dois sétimos lugares, tanto na Sprint quanto no GP da China, antes de enfrentar um fim de semana bastante complicado em Miami.
Na ocasião, um incidente envolvendo Pierre Gasly encerrou sua corrida prematuramente. Aquela foi uma das apenas duas etapas em que Lawson deixou de pontuar. O piloto voltou a apresentar um bom desempenho no Circuito Gilles Villeneuve, com outro sétimo lugar, antes de igualar o melhor resultado de sua carreira ao terminar em sexto no Grande Prêmio de Mônaco.
Após aquela prova, Lawson elogiou a evolução da Racing Bulls. “Houve uma grande mudança na equipe.” Ele também reconheceu que aproveitar todas as oportunidades disponíveis tem sido uma das principais virtudes do time. “Às vezes, apenas sobreviver à corrida já está nos dando pontos.”
O momento atual confirma essa consistência. Lawson acumula quatro Grandes Prêmios consecutivos terminando entre os dez primeiros colocados, mesmo enfrentando diversos problemas mecânicos ao longo da temporada.
Em Miami, sofreu uma falha no câmbio. No Canadá, um problema hidráulico comprometeu sua corrida. Já na Áustria, revelou que passou boa parte das voltas iniciais enfrentando fumaça dentro do cockpit. “Eu praticamente não conseguia respirar durante várias voltas.”
Mesmo diante dessa dificuldade, conseguiu cruzar a linha de chegada na nona posição. Ao avaliar o desempenho da Racing Bulls no Red Bull Ring, preferiu manter a discrição. “Foi bom. Honestamente, o carro esteve competitivo durante todo o fim de semana. Comparando com a semana passada, demos um passo importante principalmente no ritmo de corrida, então estou muito satisfeito.” disse Lawson.
Arvid Lindblad impressiona em sua temporada de estreia
Arvid Lindblad é o único estreante do grid em 2026 e, justamente por isso, enfrenta um desafio ainda maior do que os demais pilotos. Sem outro novato como referência direta, o britânico precisa medir seu desempenho exclusivamente contra adversários muito mais experientes. Mesmo assim, o jovem rapidamente mostrou por que recebeu uma vaga na Fórmula 1.
Logo em sua estreia, no Grande Prêmio da Austrália, conquistou quatro pontos ao terminar entre os dez primeiros. Segundo ele próprio, o resultado foi “completamente maluco”. As etapas seguintes, disputadas em circuitos onde jamais havia competido, evidenciaram naturalmente sua falta de experiência.
Erros, rodadas e dificuldades para encontrar ritmo impediram Lindblad de voltar aos pontos até a Sprint do Canadá. Depois de terminar em oitavo na corrida curta, classificou-se em nono lugar para o Grande Prêmio principal. No entanto, um problema no câmbio provocou seu abandono antes da bandeirada.
Na avaliação do piloto, havia potencial para um resultado ainda melhor. “Acredito que estaríamos brigando legitimamente por um sexto ou sétimo lugar.” Desde então, sua evolução tem sido constante.
Assim como Lawson, Lindblad alcançou seu melhor resultado da temporada em Mônaco ao terminar na sétima posição. O desempenho coincidiu com um momento em que passou a se sentir muito mais confortável ao volante do carro. Essa confiança também ficou evidente nas etapas seguintes, quando terminou em nono lugar em Barcelona e décimo colocado na Áustria.
Embora tanto Lawson quanto Lindblad façam questão de reconhecer que ainda existem áreas nas quais a equipe precisa evoluir, o estreante também destacou os avanços recentes. “Os integrantes da equipe estão fazendo um trabalho realmente muito bom. Eles trouxeram atualizações muito importantes nas últimas corridas.”
Após o Grande Prêmio da Áustria, fez questão de agradecer ao trabalho realizado. “Estamos em uma posição muito boa. Então fica um grande agradecimento a todos neste fim de semana. Conseguimos novamente colocar os dois carros na zona de pontuação e agora estamos muito animados para Silverstone.”
Ambiente positivo fortalece a Racing Bulls na disputa pelo quinto lugar
O crescimento recente da Racing Bulls também é reflexo do ambiente construído pelo chefe da equipe, Alan Permane. O mesmo conseguiu formar uma estrutura que transmite confiança tanto para Lawson, que precisou recuperar sua credibilidade após os acontecimentos da temporada passada, quanto para Lindblad, responsável por encarar o enorme desafio de ser o único estreante do grid.
Nas últimas semanas, a equipe ainda precisou lidar com rumores envolvendo uma possível chegada do piloto da Fórmula 2 Nikola Tsolov para 2027. Permane tratou rapidamente de afastar qualquer especulação. “Nem sequer conversamos sobre isso internamente.”
A declaração demonstra a confiança da equipe na atual dupla de pilotos. Após o GP da Áustria, o dirigente comemorou o resultado praticamente perfeito obtido pela Racing Bulls. “Foi um fim de semana praticamente perfeito para nós aqui na Áustria.”
Segundo ele, o principal desafio das últimas corridas era transformar o bom desempenho apresentado nas sessões de classificação em um ritmo competitivo durante a corrida. “Nas últimas etapas tivemos um carro muito rápido na classificação, mas não conseguíamos repetir isso nas corridas. Toda a equipe, tanto aqui na pista quanto nas fábricas de Faenza e Milton Keynes, trabalhou muito para mudar essa situação.”
Permane explicou que as atualizações levadas para a Áustria já indicavam um bom ritmo nas simulações de corrida realizadas na sexta-feira. “Mas você nunca tem certeza até a prova começar.”
O desempenho de domingo confirmou as expectativas. “Ficou muito claro que éramos rápidos. Então meus parabéns ao Liam e ao Arvid por levarem os carros até o nono e o décimo lugares com bastante tranquilidade. Estamos realmente ansiosos para Silverstone.” O calendário europeu oferece agora uma excelente oportunidade para a Racing Bulls continuar sua evolução.
Alan Permane acredita que Lindblad deverá crescer ainda mais justamente porque as próximas pistas fazem parte de sua experiência nas categorias de base. “Acho que ele continua evoluindo a cada corrida. Agora já não parece mais um estreante. Desde as primeiras voltas ele entra no ritmo, principalmente porque estamos correndo em circuitos que ele conhece. Silverstone, Spa e Budapeste devem permitir que ele continue dando passos importantes, e isso já está ficando evidente.”
Essa evolução pode ser decisiva na disputa pelo quinto lugar entre os construtores.
Enquanto a Alpine saiu da Áustria sem marcar pontos pela primeira vez na temporada, a Racing Bulls atravessa seu melhor momento em 2026 e começa a acreditar que pode terminar o campeonato como a principal força entre as equipes do pelotão intermediário, consolidando-se definitivamente como a “melhor do restante do grid”.
Foto: (Racing Bulls)