Se alguém ainda duvida que a FA Cup é o torneio mais caótico e mágico do futebol, o Leeds United tratou de reforçar essa tese no último domingo. Em um jogo simplesmente insano contra o West Ham, o time de Daniel Farke saiu classificado nos pênaltis por 4 a 2 após um 2 a 2 que teve de tudo: gols nos acréscimos, decisões do VAR, drama com goleiro lesionado e herói improvável.
E sim, torcedor do Leeds: pode começar a sonhar. Depois de 39 anos, o clube está de volta a uma semifinal de FA Cup e o próximo desafio já tem nome e peso: Chelsea, em Wembley.
Um roteiro digno de cinema (ou de teste cardíaco)
O Leeds parecia ter tudo sob controle. Com gols de Ao Tanaka e Dominic Calvert-Lewin, o time abriu 2 a 0 e encaminhava uma classificação tranquila. Mas aí veio aquele combo clássico de “futebol sendo futebol”: acréscimos intermináveis (11 minutos!) e dois gols do West Ham, marcados por Mateus Fernandes e Axel Disasi.
Resultado? Prorrogação.
E se você acha que o drama parou por aí… esquece. O West Ham chegou a “comemorar” duas vezes o gol da virada, mas o VAR apareceu como aquele amigo chato que estraga a festa, ambos anulados por impedimento. Do outro lado, o Leeds também teve chances claras, com direito a bolas tiradas em cima da linha.
Pra fechar o pacote, o goleiro Alphonse Areola se lesionou no fim da prorrogação. Entrou em campo Finlay Herrick, jovem de 20 anos que até pouco tempo estava emprestado para a quinta divisão inglesa. Sim, roteiro de filme mesmo.
Pênaltis, tensão e um herói brasileiro
Nos pênaltis, o caos continuou. O Leeds começou mal, com Herrick defendendo a cobrança de Joel Piroe. Parecia que o roteiro estava virando contra os visitantes, mas aí brilhou a estrela de Lucas Perri.
O goleiro brasileiro pegou duas cobranças, incluindo uma de Jarrod Bowen, e virou o jogo psicológico. No fim, Pascal Struijk converteu o chute decisivo e garantiu a vitória por 4 a 2.
Se alguém saiu como protagonista, foi Perri. Em uma partida cheia de personagens, ele fez o papel do herói com tranquilidade, coisa que, convenhamos, não combina muito com esse jogo maluco.
Após a partida, o técnico Daniel Farke resumiu bem o sentimento: orgulho… e fome.
O Leeds não chegava a uma semifinal há décadas, mas não quer parar por aí. Mesmo assumindo o papel de azarão contra o Chelsea, o discurso é claro: já que chegou até aqui, por que não sonhar?
E faz sentido. O time já enfrentou os Blues duas vezes na temporada: venceu por 3 a 1 em casa e arrancou um empate por 2 a 2 fora. Não é exatamente um confronto impossível.
Wembley no horizonte e uma torcida sedenta
A semifinal será disputada no icônico Wembley, e a expectativa é de invasão branca: cerca de 30 mil torcedores do Leeds devem marcar presença. Depois de anos complicados, entre quedas, reconstruções e brigas contra o rebaixamento, o momento tem um peso emocional enorme.
O próprio Farke destacou isso. Dá pra ver no olho da torcida o quanto esse momento significa. E, sinceramente, é esse tipo de energia que costuma fazer diferença em mata-mata.
Calvert-Lewin vive momento especial
Outro destaque da noite foi Dominic Calvert-Lewin. O atacante marcou no tempo normal, converteu seu pênalti e ainda vai realizar um sonho: jogar em Wembley por um clube.
Aos 29 anos, ele vive um daqueles momentos raros na carreira, quando tudo parece se encaixar na hora certa. E, em um torneio como a FA Cup, isso pode ser decisivo.
Nem tudo são flores. Apesar da campanha histórica na copa, o Leeds ainda precisa lidar com a vida real na Premier League. O time é apenas o 15º colocado, quatro pontos acima da zona de rebaixamento, justamente com o West Ham logo abaixo.
Ou seja: enquanto sonha com Wembley, o clube também precisa manter os pés no chão para não transformar a temporada em um pesadelo doméstico.
Farke foi direto: vencer a FA Cup pode parecer “irrealista”. Mas o futebol adora esse tipo de história.
E depois de um jogo como esse, fica difícil duvidar. Porque se tem uma coisa que o Leeds provou no domingo é que, quando o caos entra em campo… tudo pode acontecer.
Foto: CARLOS JASSO / AFP