O Botafogo e a Copa Libertadores sempre tiveram uma relação de desencontros e frustrações ao longo da história. Mas em 2024, tudo mudou. O clube da Estrela Solitária escreveu um dos capítulos mais épicos do futebol sul-americano ao conquistar sua primeira Libertadores de maneira dramática, superando todos os desafios possíveis. O que parecia ser apenas mais uma campanha de altos e baixos virou uma história de lenda, onde dois nomes brilharam intensamente: Luiz Henrique e Thiago Almada.
O começo turbulento e a chegada de Artur Jorge
O ano começou com o Botafogo ainda tentando se reencontrar após a queda brusca no Brasileirão de 2023. A vaga na Libertadores veio, mas o time precisou passar pela pré-Libertadores, e o cenário era de total incerteza. Sem um treinador efetivo, a equipe começou a competição sob o comando de um técnico interino, enfrentando logo de cara o Aurora, da Bolívia. O jogo de ida, na altitude, foi duro, mas o Fogão conseguiu segurar um empate. Na volta, no Nilton Santos, o time jogou melhor e garantiu a classificação.
Depois veio o RB Bragantino, um adversário muito mais perigoso. A equipe paulista deu trabalho, mas o Botafogo mostrou que tinha algo diferente nesse ano. Com atuações seguras e lampejos de Luiz Henrique, o time carioca passou de fase e garantiu seu lugar na fase de grupos.
Porém, o começo na fase de grupos foi desastroso. O Botafogo estreou com uma derrota inesperada para o Junior Barranquilla, em casa, por 3 a 1. A pressão aumentou, e a diretoria decidiu agir rapidamente, trazendo o técnico português Artur Jorge para comandar a equipe. Só que a estreia do novo treinador foi ainda pior: derrota para a LDU em Quito por 2 a 0. O cenário era de desespero. Duas derrotas em dois jogos, pressão da torcida e dúvidas sobre o trabalho do novo comandante.
A virada de chave
Foi então que Artur Jorge começou a implantar suas ideias e a equipe passou a jogar de forma mais organizada. Luiz Henrique cresceu na temporada, mostrando habilidade e velocidade pelo lado do campo, enquanto Thiago Almada, que chegou pouco depois, trouxe a criatividade que o meio-campo precisava. A partir da terceira rodada, o Botafogo engrenou. Venceu o Universitario, depois deu o troco na LDU e no Junior Barranquilla, garantindo a classificação para as oitavas. O camisa 7 do Botafogo Luiz Henrique começava a demonstrar seu excelente futebol.
Oitavas de final e quartas de final contra paulistas
Nas oitavas de final, o Botafogo teve pela frente um dos times mais fortes do continente: o Palmeiras. No primeiro jogo, disputado no Rio de Janeiro, o Fogão jogou com inteligência e venceu o Verdão por 2 a 1, com gols de Igor Jesus e Luiz Henrique. Na volta, no Allianz Parque, o jogo foi tenso do começo ao fim. O Botafogo saiu na frente, sofreu o empate e viu o Palmeiras crescer na partida, mas conseguiu segurar o 2 a 2 até o apito final, garantindo a classificação para as quartas de final.
Se um paulista já tinha ficado pelo caminho, agora era a vez de enfrentar outro gigante: o São Paulo. O duelo foi equilibrado do início ao fim. O primeiro jogo, no Nilton Santos, terminou empatado, e o mesmo aconteceu no Morumbi. A decisão foi para os pênaltis, e foi nesse momento que brilhou a estrela do goleiro John. Ele defendeu a cobrança de Rodrigo Nestor, e coube a Matheus Martins converter o pênalti decisivo, colocando o Glorioso na semifinal da Libertadores.
A semifinal avassaladora contra o Peñarol
Nas semifinais, o Botafogo não tomou conhecimento do Peñarol, do Uruguai. A equipe carioca jogou a primeira partida do confronto em casa e se aproveitou da força de sua torcida para golear os uruguaios por 5 a 0, garantindo uma vantagem praticamente impossível de se reverter na volta. No segundo jogo, o Peñarol até venceu por 3 a 1, mas não conseguiu dar a volta por cima no duelo, terminando com o Fogão na grande decisão da Copa Libertadores. Luiz Henrique foi o grande destaque desse confronto, fazendo dois gols no jogo de ida, sendo um deles um golaço de cobertura.
O confronto gerou mais repercussão fora do campo. Os torcedores do Peñarol se envolveram em uma enorme confusão nas praias do Rio de Janeiro no dia do jogo de ida, a polícia fez uma mega operação e as imagens foram fortes. No jogo da volta o clima estava bem pesado para o Botafogo, porém soube administrar a pressão e não caiu na pilha uruguaia.
A grande final e o legado eterno do Botafogo
Se existe um clube capaz de transformar qualquer jogo em um roteiro inesquecível, esse clube é o Botafogo. E na final contra o Atlético Mineiro, isso ficou ainda mais evidente. Mal a bola rolou e Gregore já recebeu o cartão vermelho, com apenas 40 segundos de jogo, tornando o desafio ainda maior. Mas o Glorioso não se abalou. Com inteligência e determinação, soube resistir à pressão e foi letal quando teve a chance. Luiz Henrique abriu o placar em uma jogada individual sensacional, contando com um pouco de sorte. Pouco depois, Alex Telles converteu um pênalti sofrido pelo próprio Luiz Henrique.
O Galo ainda diminuiu com Vargas, mas Júnior Santos, um dos heróis da campanha, decretou a vitória por 3 a 1 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A América do Sul estava pintada de preto e branco e uma estrela solitária.
Luiz Henrique: o Rei da América
Luiz Henrique foi mais do que um jogador-chave, foi o protagonista absoluto da conquista. Ele brilhou na grande decisão e ao longo de toda a campanha. Quando o Botafogo mais precisou, ele apareceu. Seu gol na final veio em uma jogada característica, cortando a defesa adversária e abrindo espaço para finalização, a bola sobrou e ele mandou pra dentro. Além disso, foi do Luiz Henrique a jogada do pênalti convertido por Alex Telles. Com 12 jogos, quatro gols e duas assistências, foi eleito o craque da Libertadores, garantindo seu nome na história do Glorioso.

Júnior Santos: o herói improvável
Se havia um jogador que merecia deixar sua marca na final, esse jogador era Júnior Santos. Responsável direto pela classificação na pré-Libertadores, onde marcou oito gols, ele sofreu uma fratura que o afastou da equipe durante a fase de grupos e os mata-matas. Mas o destino quis que ele voltasse justamente na finalíssima. E foi decisivo. Entrando nos minutos finais, protagonizou uma arrancada incrível, driblou dois adversários e, ao tentar servir Matheus Martins, viu a bola sobrar para ele mesmo empurrar para o gol vazio. Foi seu décimo gol na competição, garantindo o título de artilheiro, campeão e herói da Libertadores.

O Botafogo, desacreditado no início, terminou no topo da América. Um time que sofreu, batalhou e brilhou quando mais importava. Agora, a Estrela Solitária brilha com ainda mais intensidade no céu do futebol sul-americano. Luiz Henrique, Almada e Júnior Santos eternizaram seus nomes na história do Botafogo.
Foto: Vitor Silva/Botafogo