O Majestoso na Neo Química Arena terminou com mais uma derrota do São Paulo, desta vez por 3 a 1, e o mesmo roteiro de sempre se repetiu: Hernán Crespo viu seu time tentando se virar com o que tinha à disposição, enquanto o rival contou com jogadores decisivos. Mais uma vez, o ex-atacante se encontra sem peças suficientes para fazer a diferença, enquanto vê seus adversários desconcertarem o confronto pelo brilhantismo de peças específicas, como foi o caso de Memphis Depay.
“O primeiro tempo foi equilibrado. Empatamos, controlávamos o jogo, parecia que estávamos mais confortáveis, mas depois apareceu a hierarquia. O atacante da Holanda, com caneta e gol, decidiu o jogo”, resumiu Crespo. Depois, o São Paulo não entrou com a melhor das escalações, mas o técnico conseguiu amenizar a situação na segunda etapa, quando colocou Gonzalo Tapia no confronto, responsável pelo empate.
O drama das lesões no São Paulo
Se tivesse que resumir a temporada do São Paulo em uma palavra, seria lesões. Crespo tinha apenas 13 jogadores de linha disponíveis para o clássico, e o restante do elenco estava lesionado, voltando de compromissos pela seleção ou ainda em recuperação na base. Durante a partida, mais dois desfalques surgiram: Rafael Tolói se machucou na coxa e Alisson recebeu o terceiro cartão amarelo. Antes do Majestoso, nomes como Oscar, Lucas Moura, Enzo Díaz, Arboleda e Rodriguinho já estavam fora.
Lucas Moura e Oscar eram considerados pilares deste elenco do Tricolor Paulista, mas as condições físicas nunca foram as melhores para ambos.
A falta de jogadores levou Crespo a chamar atletas da base de Cotia para completar o time: “Tive que esperar três, quatro meninos de Cotia, porque eles jogaram domingo e não podiam trabalhar segunda e terça para recuperar.” Não existe outra maneira de retratar a atual realidade do São Paulo, evidenciando os maiores problemas do técnico argentino no momento.
Nada de azar, só realidade dura
Quando questionado se a situação poderia ser considerada uma tragédia, Crespo foi categórico: “Tragédia é outra coisa. Temos de ter atenção ao termo.” O treinador evidenciou os problemas notórios da preparação desta temporada, em que os atletas se lesionaram nos momentos cruciais.
Jonathan Calleri teve um revés bem cedo na campanha, e Lucas enfrentou problemas similares, embora com expectativas melhores de retorno. Ainda assim, ambos são exemplos de questões físicas que impactaram diretamente na qualidade das partidas.
Mesmo com todas as dificuldades, Crespo enxerga o crescimento do time durante a competição. Ele lembrou que o São Paulo chegou pensando apenas em não ser rebaixado, e, agora, faltando quatro rodadas, ainda existe chance de chegar à pré-Libertadores: “Não quero lembrar que chegamos pensando em não ser rebaixados e agora temos possibilidade, faltando quatro rodadas, podendo ir à pré-Libertadores. A realidade é essa.”
Falta de peças-chave e ajustes para 2026
Além do desgaste físico, Crespo reconhece que o São Paulo sente falta de peças decisivas. Nomes importantes não possuem condições de atuar no momento, o que sobrecarrega jogadores que não têm essa responsabilidade. Um camisa 10 e um centroavante fariam diferença, mas os atletas disponíveis não conseguiram suprir essas lacunas devido a lesões. Lucas e Oscar tentaram se recuperar, mas o corpo não permitiu.
O treinador já pensa à frente, no mercado e no planejamento para 2026: “Agora temos de focar em recuperar a saúde do elenco e avaliar reforços que possam jogar 65 a 70 partidas na próxima temporada. É isso que garante estabilidade e competitividade.”
Quatro jogos finais e foco na Libertadores
Com 45 pontos, o São Paulo segue na luta pela pré-Libertadores. O Corinthians encostou, e o Bragantino também está na briga. Crespo sabe que os próximos quatro jogos exigem fatores que o time não tem conseguido entregar recentemente, mas para superar a campanha irregular, é necessário entrar nos trilhos e melhorar para não ser engolido.
“Temos de continuar lutando, brigar e fazer o melhor possível diante das possibilidades que temos”, afirmou. Apesar dos obstáculos, o treinador valoriza a garra do grupo e reforça que o foco deve estar no que ainda é possível conquistar.
A temporada do São Paulo é um teste de resistência. Entre lesões, improvisos e partidas equilibradas que escapam, o Tricolor tem mostrado caráter e esforço. Crespo mantém a confiança no projeto e já projeta o próximo ano, com a esperança de finalmente ter um elenco saudável, competitivo e capaz de disputar títulos sem depender de improvisos.
Foto: Reprodução/Premiere



