Kevin de Bruyne Manchester
Futebol Premier League

Os 5 maiores jogadores contratados pelo Manchester City na ‘era das 115 acusações’

O Manchester City passou de um clube que ocasionalmente ameaçava os grandes da Inglaterra para uma potência capaz de dominar o futebol nacional por mais de uma década. Essa transformação não aconteceu apenas porque o clube passou a gastar mais. O City também precisou acertar nas contratações que fizeram parte de sua ascensão.

Agora, o contexto que envolve esse período mudou profundamente. Uma comissão independente concluiu que o Manchester City cometeu graves violações das regras financeiras da Premier League entre 2009/10 e 2017/18. Segundo a liga, o clube utilizou contratos comerciais simulados e um esquema de financiamento disfarçado envolvendo a Abu Dhabi United Group, proprietário da equipe, para inflar receitas e reduzir custos em mais de £900 milhões. A comissão também concluiu que o clube apresentou informações financeiras incorretas e ocultou sua situação real de auditores e reguladores. O Manchester City nega as acusações e anunciou que pretende recorrer da decisão.

O veredito inevitavelmente lança uma nova sombra sobre a era mais vitoriosa da história do clube. Mas existe uma distinção importante: os jogadores não são responsáveis pelas decisões financeiras tomadas pela instituição. E, dentro de campo, o City não apenas conseguiu investir em grandes nomes. Conseguiu encontrar jogadores que se transformaram em símbolos de uma geração.

Alguns chegaram antes de Pep Guardiola. Outros foram moldados pelo treinador. Alguns decidiram títulos. Outros ajudaram a transformar a própria maneira como o futebol inglês era jogado.

Se a pergunta for quais foram os cinco melhores jogadores contratados pelo Manchester City durante essa transformação, o ranking começa com uma figura que ajudou a criar a primeira versão da potência que viria a existir.

5. Yaya Touré

Yaya Touré foi contratado ao Barcelona em 2010, quando o City ainda estava construindo sua identidade como potência inglesa. E talvez nenhuma contratação daquele período tenha demonstrado de maneira tão clara a mudança de patamar que o clube pretendia alcançar.

O marfinense não era apenas um volante, nem apenas um meio-campista de chegada. Era um jogador capaz de conduzir a bola por dezenas de metros, ganhar duelos físicos, participar da construção e aparecer na área como um atacante.

Seu impacto foi imediato. Touré marcou o gol da vitória sobre o Stoke City na final da FA Cup de 2011, encerrando uma espera de 35 anos do City por um grande troféu. Depois, foi fundamental nas campanhas que levaram o clube aos títulos da Premier League de 2012 e 2014. Em 2013/14, alcançou uma marca extraordinária para um meio-campista: 24 gols em todas as competições.

Ao todo, foram 316 jogos, 82 gols e sete grandes títulos pelo clube, números que ajudam a dimensionar sua importância.

Touré foi, em muitos aspectos, a primeira grande demonstração de que o City poderia contratar jogadores capazes de alterar a própria escala de uma partida.

4. Bernardo Silva

Bernardo Silva chegou do Monaco em 2017 como um meia-atacante técnico, leve e com capacidade de definir. Foi ponta. Foi meia. Jogou por dentro. Atuou pela esquerda. Pela direita. Em determinados momentos, chegou até a desempenhar funções defensivas.

Sua importância para o City de Guardiola está justamente nessa capacidade de transformação. Bernardo não foi apenas um jogador talentoso colocado em um sistema vencedor. Ele se tornou uma das peças que permitiram ao sistema funcionar em diferentes contextos. Sua intensidade sem a bola, capacidade de pressionar e qualidade técnica fizeram dele uma espécie de jogador-curinga de luxo.

O português chegou a ultrapassar David Silva em número de partidas pelo clube, alcançando 437 aparições, e participou de uma era que acumulou 18 grandes títulos segundo os registros do próprio Manchester City. Na temporada da tríplice coroa, em 2022/23, disputou 55 dos 61 jogos da equipe.

É difícil encontrar uma contratação que represente tão bem a capacidade de Guardiola de transformar características individuais em funções coletivas.

3. David Silva

Se Touré ajudou a transformar o tamanho do City, David Silva transformou a maneira como o clube jogava. Contratado ao Valencia em 2010, o espanhol chegou ao futebol inglês vindo de uma seleção campeã do mundo e rapidamente mostrou que sua técnica sobreviveria perfeitamente ao ambiente físico da Premier League.

Silva não precisava correr mais do que todo mundo. Precisava pensar antes. Seu domínio orientado, capacidade de receber entre linhas e precisão no último passe deram ao City um tipo de controle ofensivo que ainda não era comum no futebol inglês daquele período. Ele ajudou a construir a identidade técnica que posteriormente seria levada a outro nível por Guardiola.

Foram 436 partidas, 77 gols e quatro títulos da Premier League, além de duas FA Cups e cinco League Cups. Mais importante do que os números, porém, foi a influência estética.

David Silva ajudou a mostrar que o City poderia dominar partidas não apenas pela força financeira ou física, mas também pela posse, pela circulação da bola e pela inteligência dos jogadores entre as linhas.

Guardiola encontrou nele um jogador quase perfeito para sua filosofia. E o City encontrou uma de suas maiores referências.

2. Sergio Agüero

Se existe uma contratação que pode ser resumida por uma única imagem, é Sergio Agüero. O argentino chegou em 2011 e marcou 260 gols em 390 partidas pelo Manchester City, tornando-se o maior artilheiro da história do clube. Conquistou 15 grandes títulos, incluindo cinco Premier Leagues.

Mas seus números, por maiores que sejam, não explicam completamente sua posição na história do clube. Porque Agüero não foi apenas um grande goleador. Ele marcou o momento em que o City deixou de ser uma promessa e passou a ser campeão.

Na última rodada da temporada 2011/12, contra o Queens Park Rangers, o City precisava da vitória para conquistar seu primeiro título inglês na era moderna. O jogo caminhava para um empate quando Agüero recebeu a bola na entrada da área e marcou, nos acréscimos, o gol que se tornou uma das imagens mais famosas da história da Premier League.

Aquele gol mudou a relação entre clube e torcida.

Agüero se tornou o rosto de uma transformação que continuaria durante anos. Mesmo quando Guardiola chegou, em 2016, o argentino permaneceu como referência ofensiva e se adaptou a diferentes estruturas. A história do City moderno simplesmente não pode ser contada sem Agüero.

1. Kevin De Bruyne

Kevin De Bruyne ocupa o primeiro lugar porque talvez nenhum outro jogador tenha conseguido representar tantas etapas da evolução do Manchester City.

Quando chegou em 2015, vindo do Wolfsburg, ainda havia uma dúvida sobre como seu futebol se traduziria novamente na Premier League. Havia fracassado em sua primeira passagem pelo futebol inglês, no Chelsea, antes de reconstruir sua carreira na Alemanha.

A resposta foi extraordinária. De Bruyne se tornou o cérebro do City de Guardiola e um dos melhores meio-campistas de sua geração. Sua capacidade de encontrar passes verticais, cruzamentos, bolas em profundidade e finalizações de média distância permitiu que o time tivesse uma solução para praticamente qualquer estrutura defensiva.

Mais do que um criador, tornou-se um jogador capaz de controlar o ritmo de uma partida. O próprio Manchester City registra 422 jogos, 108 gols e 170 assistências de De Bruyne, além de 19 grandes títulos.

A importância dele também está relacionada à longevidade. De Bruyne atravessou diferentes versões do Manchester City: participou do time de Manuel Pellegrini, tornou-se protagonista sob Guardiola e esteve no centro da equipe que conquistou a inédita Champions League e a tríplice coroa em 2022/23.

Ele não apenas fez parte da transformação. Foi um dos jogadores que melhor a representaram.