O que era festa virou preocupação em pouco tempo no Liverpool. Menos de um ano depois de uma temporada marcada por título e euforia, o cenário atual é completamente diferente. A goleada sofrida por 4 a 0 para o Manchester City, nas quartas de final da FA Cup, escancarou uma crise que já vinha dando sinais há algum tempo.
Naquele mesmo período da temporada passada, o Liverpool vivia o auge. Vitória em clássico, liderança consolidada e um futebol dominante. O nome de Arne Slot era celebrado como o sucessor ideal de Jürgen Klopp. Hoje, a realidade é outra: desconfiança, críticas e um time sem identidade.
A derrota no Etihad Stadium não foi apenas mais um tropeço. Foi a 15ª derrota da equipe na temporada, um número que chama atenção e reforça o momento irregular. Mais do que o placar, o que incomodou foi a forma como o time desmoronou após sofrer o primeiro gol.
Um time que perdeu a força mental
O Liverpool até começou bem a partida. Durante cerca de 35 minutos, conseguiu competir de igual para igual com o Manchester City de Pep Guardiola. Mas bastou o primeiro golpe para tudo ruir.
O pênalti convertido por Erling Haaland abriu a porteira. A partir dali, o time perdeu completamente o controle emocional. O segundo gol, ainda no fim do primeiro tempo, praticamente matou o jogo. E, na volta do intervalo, o City resolveu tudo em poucos minutos.
Essa dificuldade de reagir virou um padrão preocupante. Diferente da era Klopp, quando o time era conhecido como “mentalidade de aço”, a equipe atual parece sentir qualquer adversidade. Falta reação, falta liderança e, principalmente, falta confiança.
Pressão aumenta em Liverpool antes de decisão na Champions
O problema é que o calendário não dá trégua. Logo após a goleada, o Liverpool já precisa virar a chave para encarar o Paris Saint-Germain pelas quartas de final da Champions League. E o cenário não é nada animador.
O PSG chega embalado e com um elenco forte, enquanto o Liverpool ainda tenta se reencontrar. A atuação contra o City não inspira confiança para um confronto desse nível, e o risco de nova decepção é real.
Dentro do elenco, o discurso também já começa a mudar. Jogadores como Dominik Szoboszlai admitiram a falta de atitude e mentalidade em momentos decisivos. É um reconhecimento importante, mas que precisa se transformar em resposta dentro de campo.
Temporada desmorona e sinais preocupam
A sensação é de que tudo está escapando das mãos. A eliminação na FA Cup reduz ainda mais as chances de título e aumenta a pressão sobre o trabalho de Slot. Mesmo com respaldo da diretoria, o ambiente já não é o mesmo.
Além disso, fatores externos também pesam. A saída de Mohamed Salah ao fim da temporada já está confirmada, e o clima de despedida poderia servir como motivação. Mas, até agora, o efeito tem sido o oposto.
Nem mesmo o retorno de jogadores importantes, como Alexander Isak, conseguiu mudar o cenário. O time segue irregular, vulnerável e sem respostas claras para os problemas.
Tempo curto para reagir e salvar a temporada
Agora, tudo passa pela capacidade de reação. O próprio Arne Slot reconheceu que é preciso dar uma resposta imediata. O problema é que o tempo é curto e os desafios são enormes.
Uma nova derrota pesada na Champions pode praticamente encerrar a temporada de forma precoce. E, nesse caso, a pressão sobre o treinador aumentaria ainda mais, colocando seu futuro em xeque.
O contraste com o passado recente é inevitável. Aquele time vibrante, competitivo e confiante parece distante. O Liverpool atual é irregular, frágil e, em muitos momentos, apático.
Se quiser evitar um final melancólico, o time precisa mudar rápido. Porque, no futebol, memória boa dura pouco — e a cobrança chega sempre mais rápido que qualquer reconstrução.