Cristian Romero jogando pelo Tottenham
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Cuti Romero é o zagueiro perfeito para Diego Simeno no Atléti; entenda

Cuti Romero voltou a ser o grande alvo de Diego Simeone para reforçar a defesa do Atlético de Madrid. Pelo segundo ano consecutivo, o zagueiro argentino aparece como prioridade do treinador, que procura um jogador capaz de comandar a última linha, impor respeito nos duelos e assumir o papel de liderança que outros grandes nomes exerceram durante a era do Cholo.

A busca não acontece por acaso. O Atlético de Madrid passou por uma temporada na qual sua tradicional força defensiva ficou muito distante do nível habitual. A equipe sofreu 81 gols em 61 partidas, números que ajudam a explicar por que Simeone considera fundamental encontrar um novo comandante para o setor.

E Cuti Romero reúne praticamente todas as características procuradas pelo treinador argentino. Força física, personalidade, experiência internacional, capacidade de liderança, qualidade no jogo aéreo e até presença ofensiva. O único ponto capaz de colocar freio no entusiasmo do Atlético é justamente aquele que acompanha o defensor há alguns anos: o histórico de lesões.

Romero é prioridade de Simeone pelo segundo ano seguido

O interesse do Atlético de Madrid em Cuti Romero não começou agora. O clube tentou avançar pela contratação do argentino no verão passado, mas encontrou uma barreira importante no Tottenham. O clube inglês não quis negociar e, posteriormente, renovou o contrato do defensor com um aumento salarial significativo.

Um ano depois, porém, a situação mudou.

A relação entre Romero e o Tottenham ficou mais complicada, enquanto o clube inglês chegou a conviver com o risco de rebaixamento. Paralelamente, a contratação de Jan Paul van Hecke por € 60 milhões junto ao Brighton criou um cenário diferente para a defesa londrina e abriu espaço para especulações sobre uma possível saída do argentino.

Aos 28 anos, Romero também já demonstrou interesse em jogar na Espanha. O defensor falou publicamente sobre o desejo de atuar no país e continua vendo com bons olhos uma transferência para o Atlético.

Agora, a vontade do jogador encontra a necessidade do clube.

Atléti procura um novo líder para a defesa

Durante sua trajetória no Atlético, Simeone contou com vários jogadores que representavam sua filosofia dentro de campo.

Gabi, Diego Godín, Tiago, Raúl García e Stefan Savic foram alguns dos nomes que ajudaram a construir a identidade competitiva da equipe. Eram jogadores que não precisavam necessariamente da braçadeira de capitão para exercer liderança.

Nos últimos anos, porém, esse tipo de referência foi desaparecendo.

Até Griezmann, que possui um perfil diferente dos antigos líderes defensivos, deixou o clube neste verão. Para Simeone, portanto, não se trata apenas de contratar outro zagueiro. É preciso encontrar alguém capaz de assumir responsabilidades.

É justamente por isso que Romero agrada tanto.

O argentino possui personalidade forte e não costuma fugir dos momentos de maior pressão. É um jogador que gosta do contato físico, disputa cada bola como se estivesse em uma final e não parece se incomodar quando a partida fica mais quente.

Para o Atlético, isso vale ouro.

Romero pode jogar em diferentes sistemas

Outro fator que torna Cuti Romero especialmente interessante é sua capacidade de atuar em diferentes estruturas defensivas.

Simeone pode utilizar o argentino em uma linha de quatro, como zagueiro central, ou colocá-lo no centro de uma defesa com três jogadores.

Essa versatilidade combina com o momento do elenco.

O Atlético conta com nomes como Pubill, que passou por uma importante adaptação para atuar como zagueiro, e Dávid Hancko, jogador que ganhou espaço rapidamente e terminou a última temporada como o atleta com mais minutos da equipe.

Os dois possuem qualidade técnica e capacidade para atuar em uma linha de três, abrindo espaço para que Romero seja o jogador responsável por comandar a estrutura por trás.

Na prática, Simeone poderia ter um verdadeiro “kaiser” no centro da defesa. E esse é justamente o papel que o treinador imagina para o argentino.

Defesa do Atlético precisa de uma mudança urgente

Os números da última temporada explicam a insistência de Simeone.

O Atlético de Madrid sofreu 81 gols em 61 partidas. Na Champions League, o cenário foi ainda mais preocupante: a equipe sofreu gols em 15 dos 16 jogos disputados, tendo conseguido sair sem ser vazada apenas contra o Barcelona.

Ainda assim, o time chegou às semifinais.

Isso mostra que havia qualidade suficiente para competir, mas também evidencia o tamanho do problema defensivo. O Atlético conseguia criar perigo no ataque, mas frequentemente transformava partidas controladas em jogos muito mais complicados do que deveriam ser.

A contratação de Cuti Romero não resolveria todos esses problemas sozinha, mas poderia mudar o nível de proteção da defesa.

O argentino é agressivo na marcação, forte no corpo a corpo e possui velocidade para recuperar posições quando a linha é quebrada. Em uma equipe que tradicionalmente defende com intensidade, essas características se encaixam perfeitamente.

Cuti Romero também oferece qualidade com a bola

Romero não é apenas um zagueiro de combate.

O argentino possui qualidade suficiente para participar da construção desde a defesa e encontrar passes verticais. Isso é importante para um Atlético que, nos últimos anos, tentou aumentar sua capacidade de controlar os jogos com a bola sem abandonar sua identidade competitiva.

Além disso, existe uma contribuição ofensiva que não pode ser ignorada.

Na última temporada pelo Tottenham, Cuti Romero marcou seis gols em 32 partidas. Para um defensor, é uma produção bastante interessante, especialmente em um time que pode precisar de gols em partidas travadas.

Bolas paradas, cruzamentos e escanteios podem se transformar em armas adicionais com o argentino dentro da área adversária.

Ou seja: o jogador que Simeone quer para fechar a porta atrás também pode ajudar a abrir o placar na frente.

Maior problema de Romero está no físico

Se o Atlético tem certeza sobre o nível de Romero, também conhece perfeitamente sua principal fraqueza.

As lesões acompanham o zagueiro há várias temporadas e representam o maior ponto de interrogação em qualquer negociação envolvendo seu nome.

Desde a temporada 2020/21, quando estava na Atalanta, Cuti Romero não conseguiu superar a marca de 35 partidas disputadas em uma temporada. Naquele período, participou de 42 jogos.

Depois, no Tottenham, foram 30, 34, 34, 26 e 32 partidas nas cinco temporadas seguintes.

Para um clube que precisa disputar La Liga, Champions League, Copa do Rei e outras competições, essa questão é relevante.

Simeone já teve que administrar cuidadosamente seu elenco na última temporada devido ao calendário pesado. O treinador recorreu a rotações frequentes e priorizou os jogos eliminatórios quando a temporada chegou aos momentos decisivos.

Contratar Romero significaria aceitar um certo risco físico. Mas, pelo visto, é um risco que Simeone está disposto a correr.

Atlético acelera saídas para viabilizar Cuti Romero

Para avançar pela contratação, o Atlético trabalha também na redução do elenco.

O clube tenta acelerar as saídas de Nahuel Molina, Ruggeri e Almada para abrir espaço financeiro e estrutural para uma possível investida por Cuti Romero.

A pressa tem explicação.

O Atlético não é o único clube interessado no zagueiro argentino. A Inter de Milão também apareceu como candidata a avançar pelo jogador, o que aumenta a necessidade de os espanhóis tomarem uma decisão rapidamente.

Depois de uma tentativa frustrada com Le Normand, o Atlético acredita que Romero poderia finalmente oferecer o salto de qualidade que Simeone esperava para sua defesa.

Romero pode formar uma grande dupla com Giménez

Existe ainda outra possibilidade interessante.

Se José María Giménez conseguir superar os problemas físicos que o atrapalharam nas últimas temporadas, Simeone poderia montar uma dupla extremamente forte com Cuti Romero.

Os dois possuem características semelhantes em alguns aspectos: agressividade, força física, capacidade no jogo aéreo e personalidade.

O problema é que ambos também carregam um histórico de lesões.

Por isso, o Atlético precisaria administrar muito bem os minutos dos dois. Simeone provavelmente teria que utilizar rotações e contar com a profundidade do elenco para evitar que seus principais zagueiros chegassem desgastados aos momentos decisivos.

Mas, quando estivessem juntos, o potencial seria enorme.

Simeone sabe exatamente o que procura

O Atlético de Madrid começa uma nova temporada com a ambição de voltar a disputar o título de La Liga. Os finalistas da Copa do Mundo estão previstos para se apresentar no dia 10, incluindo Julián Álvarez, que possui uma relação próxima com Cuti Romero.

Enquanto o elenco se prepara para uma nova campanha, Simeone já deixou claro qual é sua prioridade para a defesa.

O treinador não procura simplesmente mais um zagueiro.

Ele quer um líder. Quer alguém capaz de comandar uma linha de quatro, organizar uma defesa com três jogadores, vencer duelos, proteger a área e transmitir personalidade aos companheiros.

Cuti Romero se encaixa nesse perfil praticamente como uma luva.

O argentino tem nível para transformar uma defesa, experiência para assumir a responsabilidade e personalidade para representar o espírito competitivo que Simeone sempre valorizou.

A grande questão é saber se conseguirá permanecer saudável.

Se o Atlético resolver esse problema, pode finalmente encontrar em Cuti Romero o novo comandante que sua defesa procura há algum tempo. E, depois de sofrer 81 gols na última temporada, talvez seja exatamente o tipo de contratação que o time precisa para voltar a ser reconhecido como uma das equipes mais difíceis de enfrentar na Europa.

Foto: Getty Images