A apenas três semanas da estreia contra o Newcastle na Premier League, o Liverpool ainda não possui um elenco completo para o início do trabalho de Andoni Iraola. A chegada do treinador marca o começo de um novo ciclo em Anfield, mas as primeiras semanas já colocam o comandante diante de problemas importantes em diferentes setores do campo.
O principal ponto de preocupação está na forma como as carências se conectam. A falta de zagueiros pode obrigar Iraola a utilizar jovens ou improvisar um meio-campista na defesa. Na lateral direita, as opções reduzidas também aumentam a possibilidade de adaptações. Enquanto isso, a saída de Mohamed Salah abriu um espaço no ataque que o clube considera prioridade no mercado.
Neste cenário, o Liverpool precisa decidir como distribuir seus esforços até o fechamento da janela, marcado para 1º de setembro. A diretoria prepara uma investida por Bradley Barcola, do Paris Saint-Germain, mas ainda tenta iniciar a temporada com um elenco curto justamente nas posições que oferecem menos margem para novas ausências.
Lesões e improvisações no Liverpool deixam a defesa sem margem
A situação mais urgente apareceu no amistoso contra o Sunderland. Joe Gomez deixou a partida com um problema muscular e não deverá estar disponível para enfrentar o Newcastle na primeira rodada da Premier League. Segundo as informações disponíveis, o afastamento é considerado curto, motivo pelo qual a lesão não alterou os planos do Liverpool no mercado.
Porém, mesmo sem ser um problema de longa duração, a ausência de Gomez expõe a falta de profundidade na zaga. Atualmente, Virgil van Dijk é o único defensor experiente da posição que está em condições de entrar em campo.
Além disso, o capitão não participou da excursão de pré-temporada nos Estados Unidos por causa do período de descanso após a Copa do Mundo.
Jeremy Jacquet foi contratado do Rennes por 60 milhões de libras e aparece como o nome escolhido para formar a nova dupla titular com Van Dijk. No entanto, o zagueiro de 21 anos ainda não disputou nenhum minuto na pré-temporada. A comissão técnica adota cautela com sua recuperação de uma lesão no ombro, que o mantém afastado desde fevereiro.
Giovanni Leoni também não representa uma solução imediata. Considerado a quarta opção para a posição, o jovem de 19 anos continua se recuperando da ruptura do ligamento cruzado anterior sofrida em sua estreia pelo Liverpool, contra o Southampton, pela Copa da Liga Inglesa, em setembro do ano passado. Até o momento, o clube não confirmou quando Jacquet ou Leoni poderão voltar a jogar.
Desta forma, Iraola vem utilizando Luke Chambers, Ifeanyi Ndukwe e Mor Talla Ndiaye durante os compromissos de preparação. Enquanto isso, Ryan Gravenberch, que já atuou por breves períodos na defesa, surge como outra possibilidade.
O problema é que qualquer alternativa escolhida para a estreia terá pouco tempo para desenvolver entrosamento com Van Dijk.
A lateral direita amplia a dificuldade. Conor Bradley continua afastado por uma grave lesão no joelho e, no mês passado, Iraola admitiu que a recuperação ainda poderia levar alguns meses. Jeremie Frimpong é a alternativa mais clara, embora ainda não tenha conseguido convencer em Anfield quando recebeu maiores responsabilidades defensivas.
Na última temporada, Arne Slot chegou a improvisar Curtis Jones e Dominik Szoboszlai na posição. Gomez também pode atuar como lateral-direito, mas sua utilização no setor reduziria ainda mais as alternativas para a zaga quando o jogador estiver recuperado. Cada adaptação feita por Iraola resolve um problema imediato e, ao mesmo tempo, retira uma opção de outro setor do campo.
Isso também afeta o meio-campo. A consolidação de Gravenberch como volante havia diminuído a urgência por uma contratação para a posição, mas o desempenho coletivo da última temporada voltou a levantar dúvidas sobre a profundidade disponível. Além disso, a Inter de Milão demonstrou interesse em Jones, embora sua avaliação ainda esteja abaixo do valor exigido pelo Liverpool. Caso o jogador saia, o clube entende que precisará encontrar um substituto.
A prioridade por um ponta amplia o dilema do Liverpool no mercado
Apesar dos problemas defensivos, a prioridade do Liverpool continua sendo a contratação de um atacante de lado. A saída de Mohamed Salah deixou uma lacuna evidente no elenco, principalmente porque o clube ainda não possui um sucessor natural para atuar pela direita.
Victor Munoz já foi contratado do Celta de Vigo, mas, aos 23 anos, ainda não possui a experiência necessária para assumir sozinho a responsabilidade deixada por Salah. O Liverpool agora deve formalizar o interesse em Bradley Barcola e entrar em contato com o Paris Saint-Germain para entender as condições de uma possível negociação.
Barcola tem qualidade para fortalecer o ataque, porém seu perfil gera uma dúvida importante para a montagem do setor. O francês pode jogar pelos dois lados, mas prefere atuar pela esquerda. Munoz apresenta característica semelhante e também passou a maior parte da carreira naquele lado do campo.
Cody Gakpo e Rio Ngumoha completam um grupo de pontas que possui maior familiaridade com a esquerda. Federico Chiesa seria outra opção, mas seu futuro no clube permanece indefinido. Neste cenário, mesmo com a possível chegada de Barcola, o Liverpool ainda não teria uma reposição direta para a função que Salah desempenhava pela direita.
Iraola pretende utilizar seus atacantes nos dois lados. A versatilidade de Munoz, inclusive, foi um dos fatores que despertaram o interesse do clube, enquanto Ngumoha já recebeu oportunidades pela direita na pré-temporada. Ainda assim, depender dessa adaptação desde o começo aumenta a quantidade de ajustes que o novo treinador terá que fazer em pouco tempo.
A situação de Gakpo também exige cuidado. O Tottenham possui interesse no jogador, mas o Liverpool só pretende considerar uma venda caso tenha encontrado uma reposição adequada. Como o neerlandês ainda tem quatro anos de contrato, uma eventual negociação também exigiria uma proposta elevada.
Mesmo com Barcola no elenco, perder Gakpo reduziria bastante a experiência do setor. O jogador de 27 anos é o único atacante de lado restante com uma trajetória considerável na Premier League. Além disso, pode atuar como centroavante enquanto Hugo Ekitike se recupera de uma lesão no tendão de Aquiles e ainda existem dúvidas sobre a capacidade de Alexander Isak de permanecer disponível durante toda a temporada.
A busca por um ponta de destaque possui justificativa e tenta responder à maior perda individual do elenco. No entanto, a proximidade da estreia aumenta o peso das outras carências. O Liverpool pode começar a Premier League com um jovem ao lado de Van Dijk, opções limitadas na lateral direita e meio-campistas sendo considerados para funções defensivas.
Iraola ainda tem até o começo de setembro para receber reforços, mas a primeira rodada chegará antes do fechamento da janela. Para o jogo contra o Newcastle, o desafio imediato será montar uma defesa competitiva com as peças disponíveis. Depois disso, o Liverpool precisará encontrar um equilíbrio no mercado para evitar que uma nova ausência volte a comprometer diferentes setores do elenco.
Créditos da foto de capa: Nikki Dyer/Liverpool FC via Getty Images.



