Liverpool Alexander-Arnold
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Liverpool sofre sem Alexander-Arnold; Confira motivos

Após conquistar a Premier League com folga na temporada anterior, o Liverpool reforçou seu elenco com alguns dos maiores talentos da Europa. Os Reds de Arne Slot gastaram cerca de 416,2 milhões de libras no mercado de verão — o maior valor desembolsado por qualquer clube — trazendo nomes como Alexander Isak, Florian Wirtz e Hugo Ekitike para Anfield. Porém, mesmo ocupando o terceiro lugar na tabela, o time de Merseyside acumula três derrotas consecutivas em todas as competições e recebe o Manchester United no domingo — o que levanta algumas perguntas sobre sua forma atual.

As novas contratações precisam de tempo para se adaptar, mas a saída de Trent Alexander‑Arnold para o Real Madrid pode ter gerado um impacto maior no elenco do Liverpool do que se imaginava. Apesar de muitas vezes questionado por sua atuação defensiva, o jogador de 27 anos marcou 18 gols e forneceu 64 assistências em seu tempo no clube — e sua ausência está sendo sentida por motivos menos óbvios. Aqui analisamos o que falta aos Reds nesta temporada com a ausência do lateral-direito.

A Premier League abriga algumas das melhores defesas do mundo, seja por meio de pressão alta intensa ou blocos defensivos compactos e teimosos. Há duas formas principais de contornar uma pressão alta: jogar apesar da pressão ou apostar alto e jogar acima dela. Frente a uma boa marcação ou bloco elevado, o Liverpool demonstra dificuldades em levar a bola para o campo adversário tão eficazmente como na temporada passada. Parte desse problema pode ser explicada pela qualidade com a bola de Trent, e um exemplo contra o Tottenham Hotspur no ano anterior ilustra bem a questão.

Durante o jogo, o Spurs aplicou pressão alta para recuperar a posse cedo. O lateral estava inclinado em campo e, com Son Heung‑min pressionando Alexander-Arnold rapidamente, os acessos pelos lados ficaram bloqueados. Um aspecto muitas vezes subestimado do jogo de Trent — e que o Liverpool sente falta — é sua capacidade de jogar com o pé menos dominante. Nesse situação, Trent usou o pé esquerdo para fazer um passe preciso para Alexis Mac Allister, que se encontrava desmarcado.

Uma característica marcante da construção do Liverpool na temporada passada era encontrar os meio-campistas centralizados, que frequentemente ficavam perplexos. Neste exemplo, Ryan Gravenberch saiu do meio para avançar à direita, arrastando seu marcador. Mac Allister aproximou-se e Dominik Szoboszlai chegou para formar uma espécie de zigue-zague. Esse posicionamento escalonado permitiu que os Reds trocassem passes entre meio-campistas e laterais, driblando a pressão tardia, com toques mínimos antes de subir pelo campo.

Além da construção curta e da qualidade técnica, passes longos e trocas de jogo são ferramentas essenciais para evitar a pressão ou quebrar o bloco adversário. O Liverpool realizou, em média, 3,4 trocas de jogo a cada 90 minutos na temporada passada — este ano caiu para 1,3 por 90. Essa queda se explica em parte pela saída de Trent, visto que o lateral inglês conseguia fazer cruzamentos seguros com ambos os pés, frequentemente encontrando o ponta-esquerda.

Taticamente, isso forçou o time a recuar sua defesa para se mover pelo campo de outra forma. Mudar o jogo rapidamente permite que os jogadores que recebem a bola explorem os espaços que surgem num bloco agora menos compacto. Em termos de passes longos, Virgil van Dijk tem um ótimo passe longo diagonal que isolou Mohamed Salah na ponta direita inúmeras vezes nos últimos anos. No entanto, os demais defensores da atual formação do Liverpool não costumam jogar com tanta frequência de forma tão arrojada.

Antes de se transferir para o Real Madrid, Alexander-Arnold executava 11,3 passes longos por 90 minutos na temporada passada pelo Liverpool, com precisão de 42,1%. Já nesta liga, Conor Bradley e Kobbie Mainoo (ou outro substituto — substitutos reais variam) fizeram apenas 3,7 e 1,1 passes longos por 90 minutos, com precisão de 16,1% e 0% respectivamente. Os jogadores à disposição do treinador determinam quais táticas são viáveis e, sem Arnold, saltar a construção curta para encontrar os atacantes rápidos dos Reds no espaço se torna menos possível.

Foto: Getty Images

Liverpool sente a falta de Alexander-Arnold — e os efeitos são mais profundos do que aparentam

No meio da temporada, o Liverpool enfrenta um desafio que vai além de simplesmente ter um jogador no banco: a ausência de Alexander-Arnold deixou lacunas tanto no plano defensivo quanto ofensivo da dinâmica da equipe.

1. Redução da armação ofensiva pela ala direita

Alexander-Arnold funcionava como uma espécie de “meia adicional” no sistema ofensivo, oferecendo alternativas de passe e rompimento que excediam a função clássica de lateral. Sem ele, o time alterna menos criatividade e fluidez pela direita, tornando mais previsível sua construção ofensiva — o que facilita o ajuste dos adversários ao bloco do Liverpool.

2. Vulnerabilidade defensiva e posição de risco

Além disso, sua presença ofensiva vinha acompanhada de sólido entendimento tático adaptado ao estilo de jogo do clube — pressão alta, linhas avançadas, laterais subindo. Na sua ausência, os substitutos têm mostrado maior fragilidade diante de adversários que exploram o corredor e atuam em transições rápidas. Tal deficiência torna-se ainda mais aparente contra equipes que adotam blocos compactos ou buscam contra-ataques.

3. Desequilíbrio entre ataque e defesa

A falta de um jogador com o perfil de Alexander-Arnold força o técnico a ajustar: ou reduz a subida dos laterais para reforçar a retaguarda, ou mantém o estilo agressivo e arrisca deixar espaços. Em ambos os cenários, o resultado é uma perda de identidade: ou o Liverpool se torna mais cauteloso — menos Reds que avançam — ou mantém o ímpeto, mas se expõe demais.

4. Impacto psicológico e simbólico

Por fim, há um peso simbólico: Alexander-Arnold vinha sendo uma das referências da equipe, principalmente na fase de reconstrução pós-era anterior. Sua ausência não é apenas física, mas marca um momento de transição do time, o que pode gerar insegurança entre os companheiros e nos adversários. Saber que o “mecanismo” da ala direita não está operando como antes impõe desafios de confiança.

A conclusão é clara: o Liverpool não está apenas “sem um jogador”, mas sem uma engrenagem importante no seu sistema. Substituir Alexander-Arnold não significa simplesmente achar alguém que faça exatamente suas ações, mas ajustar o modelo para mitigar a perda — algo que o clube ainda parece estar definindo.

Foto: Getty Images

Como o United pode aproveitar o Liverpool neste domingo na Premier League?

Os comandados de Slot enfrentam o Manchester United de Rúben Amorim e, se o United quiser tirar vantagem, precisará explorar algumas das recentes fragilidades do Liverpool. O treinador português, por vezes, pede que sua equipe defenda em esquema 5-4-1 quando não está com posse da bola, afastando-se de seu usual 5-2-3. Se optar por essa abordagem alternativa, isso poderá levantar ainda mais questões para os Reds.

Ao defenderem mais recuados e bloquearem bem o meio-campo, haverá maior índice de posse do Liverpool com os zagueiros — jogadores menos adeptos a romper uma formação resoluta. Isso pode forçar Wirtz a recuar, tirando-o de zonas onde ele pode causar mais impacto. A relutância dos Reds sem realizar mudanças de jogo torna mais difícil para eles romperem um bloco 5-4-1 bem armado, com boa cobertura por toda a largura do campo.

Finalmente, uma formação que visa reduzir os espaços que jogadores como Isak e Salah podem ocupar é naturalmente inteligente para conter dois dos mais impressionantes do Liverpool — sobretudo se for acompanhada por uma defesa proativa e agressiva pela ala esquerda do United.

(Foto: Getty Images)