A Arena Fonte Nova foi palco de um dos jogos mais emocionantes do Campeonato Brasileiro até aqui. Bahia e Fluminense empataram em 3 a 3 na noite deste sábado (9), pela 19ª rodada, em um duelo que teve de tudo: golaços, falha de goleiro, duas viradas, expulsão revertida pelo VAR e gol nos minutos finais. O Tricolor Baiano arrancou o empate aos 44 minutos do segundo tempo, mantendo sua invencibilidade no torneio, mas somando o segundo empate seguido.
Com o resultado, o Bahia chega a 30 pontos e segue na quarta colocação, dentro do G-4. O Fluminense, que vinha de altos e baixos na competição, soma agora 24 pontos, ocupando o nono lugar.
O jogo
O Bahia começou a partida pressionando alto e quase abriu o placar logo aos seis minutos. Jean Lucas recuperou a bola no campo ofensivo e cruzou na medida para Ademir, que, livre na pequena área, cabeceou incrivelmente por cima.
A resposta do Fluminense foi fulminante. Aos oito minutos, após cobrança de lateral, Keno ajeitou para a entrada da área e Germán Cano pegou de primeira, acertando um chute potente que estufou a rede.
O gol não abalou o Bahia, que reagiu rapidamente. Aos 13, Everton Ribeiro deu belo passe em profundidade para Jean Lucas, que cruzou e viu a bola desviar em Bernal antes de morrer no fundo das redes — gol contra que empatou o jogo. Pouco depois, aos 19, o time da casa conseguiu uma troca de passes envolvente dentro da área, e Everton Ribeiro finalizou colocado, com desvio, para marcar um golaço e virar o placar.
Atrás, o Fluminense tentou se reorganizar e ter mais posse de bola, mas não conseguiu transformar o domínio em chances claras. O Bahia, por sua vez, explorava o lado esquerdo, com Ademir e Kayky levando perigo em transições rápidas. A primeira etapa, porém, perdeu ritmo devido a paralisações por faltas e atendimentos médicos. A última grande chance antes do intervalo foi do Flu, com Keno driblando vários marcadores e chutando perto do travessão.
O segundo tempo começou com o Fluminense mais agressivo e buscando o empate. Aos nove minutos, após longa troca de passes, Júlio Fidelis cruzou da direita e Cano acertou um belo voleio para deixar tudo igual novamente.
O jogo ficou ainda mais aberto, com ataques de ambos os lados. Aos 20, uma entrada de Thiago Santos em Everton Ribeiro gerou confusão e cartão vermelho inicial para o volante do Flu, mas o árbitro, após consulta ao VAR, reduziu a punição para cartão amarelo.
A virada tricolor carioca veio aos 27. Keno iniciou a jogada, acionou Nonato, que chutou fraco de esquerda, mas contou com falha do goleiro Ronaldo para marcar o terceiro. Com a desvantagem, o Bahia partiu com tudo para o ataque. Fábio precisou trabalhar duro, defendendo finalizações perigosas de Lucho e David Duarte.
A pressão do Bahia aumentou nos minutos finais, com a equipe carioca completamente recuada. O time baiano insistia em cruzamentos, até que aos 44, Gilberto foi lançado pela direita, cruzou, a defesa afastou mal e Juba acertou lindo chute no ângulo para empatar.
A torcida empurrou o Bahia em busca da virada nos sete minutos de acréscimos. Aos 51, Jean Lucas fez grande jogada pelo meio e obrigou Freytes a cometer falta na entrada da área, recebendo cartão vermelho. A última esperança foi a cobrança de Gilberto, que parou em defesa segura de Fábio.
Jogo de altos e baixos expõe virtudes e falhas de Bahia e Fluminense
O 3 a 3 na Fonte Nova foi um retrato fiel das virtudes e problemas de Bahia e Fluminense no campeonato. O Bahia mostrou novamente sua capacidade de reagir diante de adversidades, algo que já se tornou marca do time de Rogério Ceni na temporada. A intensidade na pressão inicial e a rápida recomposição ofensiva após sofrer gols são pontos fortes, mas a vulnerabilidade defensiva segue sendo um obstáculo.
O Tricolor Baiano sofreu três gols em lances de atenção questionável: o primeiro, por não fechar a entrada da área diante de um finalizador como Cano; o segundo, por permitir cruzamento sem marcação e não bloquear a finalização; e o terceiro, por uma falha individual de Ronaldo. Apesar disso, a equipe conseguiu buscar o empate mesmo com o Fluminense fechado e explorando contra-ataques.
O Fluminense mostrou sua qualidade no toque de bola e na transição ofensiva. Cano foi letal nas duas oportunidades que teve, e Keno desequilibrou com dribles e passes. No entanto, a equipe sofre para manter intensidade e concentração, especialmente quando recua para defender uma vantagem. O excesso de faltas e a dificuldade em conter jogadas de velocidade pelas pontas quase custaram caro — e, de certa forma, custaram dois pontos.
A arbitragem também teve papel importante no desenrolar da partida. A expulsão revertida de Thiago Santos foi um momento de tensão, e a gestão das paralisações no primeiro tempo acabou quebrando o ritmo de jogo, algo que favoreceu o Fluminense quando estava atrás no placar.
Para o Bahia, o empate mantém a equipe no G-4, mas reforça a necessidade de ajustes defensivos para não depender sempre de reações heroicas. Para o Fluminense, o resultado fora de casa contra um adversário direto pelo G-6 é positivo, mas o gosto amargo da igualdade no fim deixa claro que a equipe ainda precisa encontrar equilíbrio entre atacar e proteger o resultado.
(Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense)