O Bahia fez valer a força da Arena Fonte Nova e saiu na frente no confronto contra o Fluminense pelas quartas de final da Copa do Brasil. Na noite desta quinta-feira (28), diante de um estádio lotado, o Tricolor baiano venceu por 1 a 0, com gol decisivo de Luciano Juba no fim do segundo tempo.
O resultado dá ao time de Rogério Ceni a vantagem do empate no jogo da volta, que será disputado no dia 10 de setembro, no Maracanã. Já o Fluminense precisará vencer por dois gols de diferença para avançar direto, ou por um gol para levar a disputa para os pênaltis.
O jogo
O jogo começou intenso, com o Bahia tentando impor ritmo acelerado diante de sua torcida. A equipe se concentrou principalmente no lado esquerdo, explorando a velocidade e o bom momento de Luciano Juba. Apesar da postura ofensiva, as chances claras foram poucas. A melhor delas veio em cruzamento de Juba para Jean Lucas, que bateu de primeira e acertou a trave, levantando a torcida na Fonte Nova.
Do outro lado, o Fluminense teve dificuldades iniciais, agravadas pela saída precoce de Samuel Xavier por lesão. Mesmo assim, conseguiu equilibrar a partida a partir da metade do primeiro tempo. Canobbio protagonizou a jogada mais perigosa, tabelando com Arias e parando em defesa espetacular do goleiro Ronaldo. Minutos depois, Martinelli desviou escanteio e Serna completou para o gol, mas o VAR anulou o lance por impedimento milimétrico.
O primeiro tempo terminou com sensação de frustração para ambos os lados: o Bahia pela falta de precisão nas investidas e o Fluminense pela chance de abrir o placar que foi invalidada pela arbitragem
Na segunda etapa, a equipe carioca voltou mais agressiva. Logo no primeiro minuto, Everaldo apareceu livre dentro da área, mas cabeceou mal e desperdiçou ótima chance. Pouco depois, Nonato arriscou de voleio e novamente parou em Ronaldo, que se firmava como um dos grandes nomes da noite.
Diante da pressão, Rogério Ceni mexeu na equipe. William José e Kayky saíram para a entrada de Erick Pulga e Lucho Rodríguez. As alterações não mudaram de imediato o panorama ofensivo, mas deram mais fôlego ao meio-campo baiano, que conseguiu travar o ímpeto do Fluminense e reequilibrar a disputa.
O jogo, então, ganhou contornos de batalha física. As duas equipes passaram a disputar cada palmo do gramado, sobretudo no setor central, o que reduziu o espaço para jogadas criativas. As defesas se impuseram, e as oportunidades de gol rarearam.
Quando a partida parecia caminhar para o empate, o Bahia encontrou seu momento. Aos 41 minutos, Jean Lucas lançou do campo de defesa, e Luciano Juba, em posição legal, ganhou na corrida de Guga, dominou e bateu firme de esquerda. A bola desviou no lateral do Fluminense e enganou o goleiro Fábio: 1 a 0. Explosão de alegria na Fonte Nova.
O Fluminense ainda tentou reagir e chegou a comemorar um pênalti marcado pelo árbitro Anderson Daronco, após toque de mão de Arias na área. No entanto, o VAR interveio novamente, e a penalidade foi anulada, gerando protestos dos jogadores cariocas. Nos minutos finais, o Bahia segurou a pressão e garantiu a vitória.
Bahia eficiente, Flu ineficaz
O resultado reflete bem a proposta das duas equipes. O Bahia não foi brilhante, mas mostrou maturidade para administrar o jogo e paciência para esperar a chance certa. A defesa se comportou com firmeza, especialmente com o goleiro Ronaldo em grande noite, e Luciano Juba voltou a ser decisivo, confirmando seu papel de protagonista em jogos grandes.
Já o Fluminense viveu mais uma noite de contrastes. Houve momentos de domínio territorial, sobretudo no início do segundo tempo, mas a equipe de Renato Gaúcho mostrou dificuldade crônica de transformar posse de bola em gols. A instabilidade defensiva voltou a aparecer, com falhas de posicionamento que abriram espaço para o lance decisivo de Juba.
A vitória do Bahia, embora mínima, pode ser determinante. Em mata-mata de dois jogos, a vantagem do empate na volta dá mais tranquilidade para a equipe de Rogério Ceni. O treinador, que já vinha sendo questionado pela irregularidade no Brasileirão, ganha fôlego e respaldo da torcida, que viveu uma noite de festa na Fonte Nova.
Para o Fluminense, o desafio é enorme. Jogar no Maracanã pode ser um trunfo, mas a equipe chega pressionada. Além da necessidade de reverter o placar, Renato precisa lidar com a perda de Samuel Xavier e com a oscilação ofensiva. A dependência de lances individuais de Arias e a queda de rendimento de atacantes como Everaldo preocupam a torcida carioca.
O jogo de volta promete ser dramático. O Bahia pode adotar postura mais cautelosa, explorando contra-ataques com Juba e a bola parada de Jean Lucas. O Fluminense, por sua vez, terá de ser mais agressivo, mas sem se expor ao risco de sofrer gols que complicariam ainda mais a missão.
Independentemente do desfecho, o primeiro confronto deixou claro que o duelo entre tricolores será decidido nos detalhes. E, até aqui, o detalhe atende pelo nome de Luciano Juba.
(Foto: Letícia Martins/Bahia)