O Manchester City foi derrotado pelo Newcastle neste último sábado (22), e além de atrapalhar os planos de Erling Haaland alcançar um dos recordes de Alan Shearer, ainda viram um eterno sonho colocando o jogo no bolo. Pep Guardiola nunca escondeu seu enorme desejo de contar com Bruno Guimarães em seu elenco, e no caso, foi exatamente ele quem ditou o ritmo do grupo de Eddie Howe para mais um triunfo no St James Park.
Guardiola admite abertamente que é um fã do brasileiro, e que já tentou, em tempos, convencer os dirigentes a avançar pelo ex-Athletico. Só que o volante virou ídolo no time alvinegro inglês e, com isso, o romance jamais saiu do papel.
Por que o Manchester City sempre teve Bruno na mira?
Guardiola não é de elogiar sem razão. Quando ele chama alguém de “especial”, a declaração não tem como não pesar. E foi exatamente isso que o treinador do Manchester City fez ao falar de Bruno: “desde os tempos do Lyon, sabíamos que ele tinha algo diferente”. Quando um técnico do calibre do espanhol vê um meio-campista com todos os atributos necessários para ser uma estrele, ele naturalmente passa a testar cenários de contratação. Foi o que aconteceu.
A preocupação do Manchester City, naquela época, passou por duas frentes: a necessidade de um jogador com perfil técnico e físico ao mesmo tempo, e a possibilidade real de o clube ter de competir por talentos contra gigantes europeus. A solução, na visão de Pep, era clara, e Bruno entrou automaticamente no radar do City.
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Assim como BG, os outros nomes foram cotados, Douglas Luiz quando era um dos destaques do Aston Villa, Lucas Paquetá desde seus primeiros passos no West Ham, mas no final das contas, fecharam com Matheus Nunes, do Wolverhampton, que acabou seguindo mais o caminho da lateral-direita.
Cláusula de €100 milhões, blindagem e dois mundos distintos
Newcastle percebeu o risco e blindou seu capitão, não tem interesse em perdê-lo, não tinha outro jeito. Surgiu a famosa cláusula de £100 milhões (€115 milhões), valor que fez dirigentes do Manchester City franzirem a testa. Em 2023, quando os rumores entrelaçaram City e Guimaraes, havia até relatos de que Pep ter insistido para a diretoria investir no brasileiro. Mas a arquitetura financeira e prioridades do City fizeram o projeto ficar para depois.
O resultado? Bruno permaneceu em Tyneside, consolidou sua relação com a torcida e se transformou em capitão e referência, justamente o tipo de jogador que os rivais modernos mais temem perder. E o Manchester City, incapaz (ou relutante) naquele momento em desembolsar tanto, viu a oportunidade escapar.
O encaixe tático que Guardiola queria e não teve
O que fazia Bruno ser tão interessante para o Manchester City não era só técnica: era encaixe. Guardiola busca jogadores que entendam espaços, ritmo de jogo e leitura posicional. Bruno soma tudo isso com disciplina, resistência e liderança. Ele é o tipo de meia/volante que pode conectar defesa e ataque, proteger a saída e ainda aparecer com perigo na área, um perfil perfeito para o futebol de Guardiola.
Mas futebol é também sobre momentos. Hoje Bruno fala em criar raízes, ver os filhos crescendo como “Geordies” e assinar um contrato longo. O Manchester City acabou percebendo que a novela havia virado outra coisa: não mais uma janela aberta, e sim uma história de amor platônico para Pep. É claro que tudo pode mudar, é só falarem a mesma língua, porque também, quem não quer trabalhar com um dos melhores treinadores da história do esporte?
E se o Manchester City ainda quiser?
Não é possível cravar nada, quando se trata de interesses, sonhos e dinheiro. O City tem caixa, apetite e uma obsessão por títulos que faz qualquer dirigente repensar decisões passadas. Só que existe um ponto crítico: Bruno já tem 28 anos, contrato até 2028 e um vínculo emocional com Newcastle. O Manchester City costuma priorizar aquisições que encaixem em um projeto de longo prazo, preferindo também jogadores em pico com potencial de revenda, e no caso, o brasileiro, por perfil e idade, foge parcialmente desse molde.
Além disso, há questão do fair play financeiro e da estratégia interna do City: trocar uma peça por outra exige equilíbrio. Mesmo com Guardiola verbalizando admiração, a diretoria provavelmente só acionaria uma investida se houvesse necessidade clara e uma janela propícia, talvez nos moldes de ser um substituto para Rodri, mas não se sabe ao certo se esse é o caminho desejado.
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