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Manchester City tropeça na Premier League e acende o alerta: o que Guardiola precisa corrigir?

O Manchester City começou o ano de 2026 longe do ritmo que costuma impor na Premier League, ou pelo menos havia encontrado na reta final de 2025. Três jogos consecutivos sem vitória, pontos desperdiçados após sair na frente no placar e um cenário que começa a incomodar Pep Guardiola. O time continua dominante, cria chances em volume alto, mas falha justamente onde não pode: na hora de decidir os jogos.

O que dá vida para aquela famosa frase: “quando enfiar a faca no oponente, é necessário girar, para o inimigo não sobreviver e não te matar no final das contas”.

Após o empate com o Brighton, Pep resumiu bem o momento: “Infelizmente não conseguimos marcar. E marcar gols faz parte do seu trabalho.” A frase, curta e direta, expõe um problema que vai além de um simples tropeço. O Manchester City segue competitivo, mas vê o Arsenal abrir vantagem na corrida pelo título.

Pontos perdidos e pressão na tabela

Ao todo, o Manchester City já deixou escapar nove pontos em partidas nas quais saiu vencendo nesta edição da Premier League. Para um time que construiu sua era vitoriosa sendo implacável, esse número chama atenção. Hoje, a diferença para o Arsenal é de cinco pontos, e pode aumentar dependendo da sequência de jogos, principalmente se os Gunners passarem por cima do Liverpool nesta quinta-feira.

Não se trata de pânico, mas de alerta. Em uma liga tão disputada, uma sequência de empates pode custar muito caro lá na frente. Tem sido comum ver os Sky Blues crescerem na reta final das campanhas, porém, é difícil imaginar que o clube londrino venha a tropeçar novamente desta vez, ainda mais diante de um nível absurdamente dominante por parte deles em 2025/26.

Instabilidade defensiva volta a ser dor de cabeça

Durante boa parte da temporada, Guardiola encontrou equilíbrio na defesa. A dupla formada por Rúben Dias e Josko Gvardiol oferecia segurança, força física e qualidade na saída de bola. Com essa base, o Manchester City venceu 10 de 12 jogos.

Mas as lesões desmontaram esse cenário. Dias só deve voltar em março, Gvardiol dificilmente joga novamente nesta temporada, John Stones segue fora e Nathan Aké não consegue atuar com regularidade, voltando a sentir problemas físicos no recorte recente. E com isso, Pep precisou recorrer a soluções alternativas.

Max Alleyne, recém-retornado de empréstimo, e Abdukodir Khusanov deram conta do recado contra o Brighton e foram elogiados pelo treinador, apesar da infelicidade do empate no confronto. Ainda assim, a falta de opções experientes deixa o setor vulnerável e, historicamente, defesas sólidas são fundamentais para quem quer ser campeão.

Muitas chances, poucos gols

O problema mais evidente, porém, está no ataque. Nos últimos três jogos, o Manchester City marcou apenas dois gols, apesar de ter acumulado um xG de 5.61. Um desses gols veio de pênalti. Contra o Brighton, foram quatro grandes chances desperdiçadas.

Curiosamente, o time lidera a estatística de grandes chances perdidas na Premier League nesta temporada. Isso se explica, em parte, pelo volume ofensivo alto, mas também reforça a ineficiência recente. Mesmo com o artilheiro da competição marcando presença em seu elenco.

Erling Haaland segue como principal referência ofensiva e mantém números impressionantes, mas passou quatro partidas sem marcar com bola rolando. Pep deixou claro que o problema não é individual: o setor ofensivo como um todo precisa ser mais decisivo, isso ficou notório no desafio do City contra o Sunderland, enormes oportunidades aparecem, só que não qualidade para definir, ou melhor, capacidade.

Intensidade inicial alta, queda no segundo tempo

Uma marca registrada do Manchester City é começar os jogos em ritmo forte. O time sofreu apenas um gol nos primeiros 20 minutos de toda a competição. No entanto, o rendimento cai no segundo tempo, lembram um pouco o Flamengo, frequência se inicia a todo vapor, mas acabam se deparando com o cansaço, a queda do ritmo, o que abre espaço para os adversários crescerem, ou o jogo morrer.

Dos 19 gols sofridos na temporada, 68% aconteceram após o intervalo, e quase um terço nos últimos 20 minutos. O estilo de jogo de Guardiola exige energia constante, pressão alta e recuperação rápida da bola. Quando o físico pesa, os espaços aparecem e os adversários aproveitam.

Brighton e Chelsea exploraram bem essa fragilidade recente, apostando em transições rápidas e contra-ataques, restando nada para o betinha Manchester City.

As comparações com a temporada passada acabam sendo inevitáveis, mas Pep vê diferenças importantes. Segundo ele, o Manchester City hoje cria mais chances e joga de forma mais vertical. Esse estilo, no entanto, reduz um pouco o controle absoluto das partidas, algo que sempre foi uma das grandes virtudes do time.

Em jogos mais equilibrados, essa perda de controle pesa. Não por acaso, o Brighton já tirou cinco dos nove pontos que o City desperdiçou após sair vencendo, estamos falando de uma equipe que passou invicta contra os Sky Blues em quatro confrontos.

O que esperar do Manchester City agora?

O calendário segue apertado. Ainda em janeiro, o Manchester City terá seis partidas em quatro competições diferentes, incluindo o clássico contra o Manchester United. O momento exige ajustes rápidos, ou melhor, um choque de realidade, mostrando que cada vitória vale, quando o desejo é conquistar o título de todos os lugares onde pisa.

Se Haaland atravessa um período menos inspirado, jogadores como Phil Foden, Jeremy Doku e Rayan Cherki precisam assumir mais protagonismo. Qualidade não falta ao elenco, o desafio é transformar domínio em gols e gols em vitórias.

O Manchester City continua forte e vivo na briga pelo título, mas o recado está dado: se quiser seguir no encalço do Arsenal, Pep Guardiola terá que corrigir esses detalhes antes que seja tarde demais.

Foto: Sky Sports