Pep Guardiola foi direto quando questionado pela BBC Sport se estava preocupado com os gols sofridos no fim dos jogos. “Tenho muitas preocupações, mas não essa”, disse ele. Só que, depois do empate contra o Monaco, pela Champions League, talvez o técnico do Manchester City já não esteja tão tranquilo assim.
Na última quarta-feira, o City viu a vitória escapar duas vezes no Estádio Louis II. O time inglês ficou no 2 a 2, mas o gosto foi amargo, já que o empate veio nos minutos finais, com Eric Dier convertendo um pênalti aos 90. Para piorar, a cena foi daquelas que irritam qualquer treinador: uma falta desnecessária dentro da área, depois de um lance aéreo praticamente perdido.
Haaland segue imparável, mas não alivia nas críticas
Se tem alguém que continua cumprindo sua parte, é Erling Haaland. O atacante norueguês marcou os dois gols do City e chegou a 52 gols em 50 jogos na Champions League. Números absurdos, que reforçam ainda mais sua fama de “máquina de gols”. Só que, apesar da artilharia, o camisa 9 não escondeu sua frustração.
“Não foi bom o suficiente”, disse o atacante em entrevista. Para ele, o City perdeu a intensidade no segundo tempo e não mereceu a vitória. Haaland destacou a falta de energia e criticou a postura da equipe, que foi dominada pelo Monaco após o intervalo. “Precisamos ser mais agressivos. Assim fica difícil ganhar na Champions”, disparou.
O padrão preocupante dos gols sofridos no fim
O empate na França não foi um caso isolado. O City vem colecionando falhas nos minutos finais dos jogos, o que começa a virar um padrão perigoso. Dos oito gols sofridos até aqui na temporada, metade saiu nos acréscimos ou perto do apito final. E esses gols estão custando pontos importantes.
Alguns exemplos: contra o Tottenham, em agosto, o time levou um gol no fim do primeiro tempo e perdeu por 2 a 0. Poucos dias depois, contra o Brighton, sofreu aos 89 e perdeu por 2 a 1. Contra o Arsenal, levou o empate aos 93 minutos. Agora, contra o Monaco, mais uma vez viu a vitória escapar aos 90. Resultado: pontos desperdiçados na Premier League e também na Champions.
O reflexo nas competições e a sombra da temporada passada
Esses tropeços estão fazendo diferença. Só no Campeonato Inglês, o City já deixou três pontos pelo caminho por causa de gols sofridos no fim, pontos que poderiam colocá-lo lado a lado com o Arsenal, vice-líder. Na Champions, já foram dois pontos desperdiçados. Além disso, o desempenho fora de casa na Europa continua ruim: são cinco jogos sem vitória longe do Etihad.
Tudo isso reacende a lembrança do fracasso da temporada passada, quando o time não conquistou grandes títulos e terminou apenas em terceiro na Premier League. A cobrança é pesada, e Guardiola sabe que qualquer detalhe pode custar caro. A questão é: será que o City vai conseguir corrigir esse problema antes que ele se torne fatal em fases decisivas?
O pênalti no fim e a polêmica da arbitragem
O lance do empate contra o Monaco gerou muita discussão. Eric Dier subiu para cabecear e acabou sendo atingido na cabeça por Nico González. O árbitro marcou o pênalti após revisão no VAR, e o zagueiro inglês bateu com categoria, mesmo depois de esperar mais de cinco minutos para cobrar.
Guardiola reclamou, dizendo que González tocou na bola primeiro e não teve intenção de acertar o adversário. Haaland, por sua vez, foi mais direto: “Se você chuta alguém na cara, acho que é pênalti”. Já para os comentaristas, como Nicky Butt, não restou dúvida. “Foi uma defesa preguiçosa, um erro bobo em um momento decisivo. Na Europa, esse tipo de lance sempre vai ser pênalti”, resumiu.
O que esperar daqui pra frente do City?
Apesar das falhas, não dá para dizer que o City está em crise. O time continua com qualidade para disputar títulos e tem jogadores decisivos capazes de resolver jogos grandes. Mas a repetição desses vacilos é um sinal de alerta. Em torneios como a Champions League, em que um detalhe pode mudar tudo, não há espaço para cochilos no fim.
Nicky Butt, ex-jogador do United, resumiu bem: o City já mostrou sua força ao longo dos anos, mas precisa reencontrar consistência. “Eles vão estar brigando lá em cima, como sempre. Mas precisam estar inteiros e focados quando a temporada apertar”, disse ele. Para Guardiola, talvez esteja na hora de adicionar uma preocupação extra à lista: os minutos finais dos jogos.