Mesmo após mais de uma semana do término da partida entre Fluminense e São Paulo pelo Brasileirão, no Maracanã, o confronto ainda é tema de discussões. A principal polêmica gira em torno do lance que resultou no primeiro gol do Fluminense, assinalado por Kauã Elias, sendo o ponto central das conversas no futebol brasileiro.
O São Paulo argumenta que a jogada em que o árbitro Paulo César Zanovelli concedeu a lei da vantagem ao Fluminense, mas que teve Thiago Silva parando a bola com as mãos para cobrar a falta, deveria ter sido revisada em favor do clube paulista. A jogada seguiu, culminando com o gol do Flu. O VAR chegou a chamar o árbitro para revisar a jogada, informando o toque de mão, mas Zanovelli manteve a decisão de campo e validou o gol. O Fluminense venceu a partida por 2 a 0.
Diante disso, a diretoria do São Paulo anunciou que pretende recorrer ao STJD para buscar a anulação da partida. O clube considera que o árbitro cometeu um erro de direito ao validar o gol do time carioca.
Presidente do Fluminense comenta situação
Em contrapartida, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, conversou com a reportagem do GLOBO e ofereceu sua interpretação sobre o episódio. Segundo Bittencourt, que é advogado especialista em direito esportivo, não houve erro de direito, e a anulação do jogo é pouco provável, uma vez que o artigo 85 do CBJD estabelece que qualquer pedido de impugnação deve ser feito “em até dois dias após a entrega da súmula” na CBF.
– Tenho 25 anos de experiência na Justiça Desportiva e posso afirmar que não existe qualquer fato ou fundamento jurídico que justifique essa medida ajuizada pelo São Paulo. O São Paulo não tem razão em seu pedido porque não houve qualquer erro de direito no caso em questão que justifique anulação da partida – afirma Mário.
“Aliás, não houve erro de direito, de fato ou qualquer prejuízo ao São Paulo no referido lance. Para que se anule uma partida por erro de direito, além da comprovação do erro (que não houve neste caso), se faz necessária a interferência direta no resultado, o que também não ocorreu.”
– E se tivesse havido erro de fato, o que também não ocorreu, mesmo assim não se poderia falar em anulação de partida porque erros de fato não constituem fundamento para anulação de partida, fosse assim, toda rodada do campeonato teria jogo anulado pelo Tribunal. E o São Paulo sabe que não tem sentido o pedido que está fazendo, até porque em 2020 tentou a mesma coisa contra o Atlético Mineiro e não teve sucesso no Tribunal – explicou.
O presidente do Fluminense alerta que a anulação da partida poderia criar um precedente perigoso para o futebol brasileiro, que já enfrenta uma temporada marcada por várias controvérsias envolvendo arbitragem.
– Nós confiamos que o Tribunal não deixará essa medida prosperar e prestigiará o resultado conquistado de forma justa dentro de campo, evitando abrir um precedente perigoso para a estabilidade da competição – finalizou o presidente.