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Futebol Copa do Mundo

Marrocos mostra força ao vencer um Canadá organizado: as principais impressões do confronto

Neste sábado (4), Marrocos venceu o Canadá por 3 a 0 e garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. O placar, no entanto, não conta sozinho tudo que foi a partida. Durante boa parte do jogo, principalmente no primeiro tempo, a seleção canadense conseguiu fazer um enfrentamento muito interessante, travou o adversário e mostrou que tinha uma ideia de jogo bem definida.

A diferença é que, em uma Copa do Mundo, saber sofrer também conta muito. Marrocos teve dificuldades, perdeu Saibari ainda na primeira etapa, pouco produziu antes do intervalo, mas voltou para o segundo tempo com mais eficiência. Neste cenário, com jogadores importantes aparecendo nos momentos certos, a seleção marroquina transformou um jogo complicado em uma vitória confortável no placar.

A seguir, quatro impressões que ficaram da vitória de Marrocos sobre o Canadá.

Jesse Marsch mostrou mais uma vez que o Canadá tem um projeto muito bem construído

Mesmo com a eliminação, o Canadá deixou uma impressão positiva em muitos momentos da partida. Isso passa diretamente pelo trabalho de Jesse Marsch. Desde que assumiu a seleção em 2024, o treinador conseguiu dar uma cara mais competitiva ao time e foi peça importante em uma campanha histórica, com classificação na fase de grupos e vitória nos 16 avos.

Contra Marrocos, esse trabalho apareceu principalmente no primeiro tempo. O Canadá não entrou em campo apenas para se defender e esperar uma bola. Pelo contrário. A equipe teve coragem para adiantar muitos jogadores, ocupar o campo ofensivo e tentar encurralar Marrocos perto da própria área.

O primeiro grande lance da partida ajuda a mostrar isso. Aos 10 minutos, Marrocos errou na saída de bola, Ahmed aproveitou o espaço e acionou Tani Oluwaseyi. O atacante girou bem em cima do marcador e finalizou com perigo, obrigando Bounou a fazer uma boa defesa. Pouco depois, o Canadá já tinha bastante volume perto da área adversária.

A postura canadense chamava atenção porque não era algo desorganizado. Em muitos momentos, o time chegava com sete jogadores no último terço do campo. Em algumas situações, até oito atletas apareciam próximos da área marroquina. Isso mostrava uma equipe com muita confiança no plano de jogo e com jogadores que entendiam bem aquilo que o treinador pedia.

Sem a bola, o Canadá também conseguiu incomodar. A equipe adotou uma marcação média, sem pressionar o tempo todo no último terço, mas fechando bem os espaços a partir da região do meio-campo. A ideia era colocar muitos jogadores por dentro, obrigar Marrocos a jogar pelos lados e, quando a bola chegasse nas laterais, fechar o espaço para recuperar ou pelo menos impedir a progressão.

Esse desenho criou um problema real para Marrocos. Em diversas situações, a seleção africana tinha desvantagem numérica no meio-campo. O Canadá colocava cinco ou seis jogadores na região central, enquanto Marrocos ficava com poucas opções para sair. Desta forma, o time de Marsch conseguiu amarrar o adversário e transformar a primeira etapa em um jogo bem desconfortável para os marroquinos.

O Canadá mostrou organização, mas também sentiu falta de maior qualidade individual

Ao mesmo tempo em que o primeiro tempo valorizou bastante a estratégia canadense, também mostrou uma limitação importante da equipe. O Canadá conseguiu controlar espaços, incomodou Marrocos e teve um plano muito bem executado. No entanto, faltou transformar esse bom momento em algo maior no placar. Inclusive, isso é algo comum em seleções que estão em processo de crescimento. O time pode ser bem treinado, ter organização e até causar dificuldades para adversários mais fortes. Porém, em jogos grandes, principalmente em mata-mata de Copa do Mundo, a qualidade individual pesa muito.

O Canadá terminou o primeiro tempo com três finalizações, contra apenas uma de Marrocos. O número ajuda a mostrar como a equipe conseguiu dificultar a vida do adversário. Ainda assim, a sensação era de que faltava um pouco mais de força no último terço. O time tinha volume, presença e ocupação, mas nem sempre conseguia transformar isso em chances realmente claras.

A oportunidade de Tani Oluwaseyi, no começo do jogo, foi muito importante. Porém, depois disso, o Canadá teve dificuldade para repetir uma chegada tão limpa. O time colocava muitos jogadores perto da área, mas faltava aquele passe mais decisivo, uma finalização mais forte ou um jogador capaz de resolver uma jogada travada. Na segunda etapa, isso ficou ainda mais evidente. 

Depois de sofrer o primeiro gol, o Canadá tentou aumentar a pressão e subir um pouco mais as linhas. Eustáquio conseguiu uma falta muito perigosa perto da meia-lua, mostrando qualidade em uma jogada individual para cima de Amrabat. Porém, Jonathan David cobrou por cima do gol e desperdiçou uma boa possibilidade. Pouco depois, Buchanan arriscou de longe e obrigou Bounou a fazer outra boa defesa. Ainda assim, mesmo buscando mais o ataque, o Canadá não conseguiu criar uma grande chance para diminuir o placar e mudar o clima do jogo. 

A equipe tinha vontade, estrutura e organização. Sendo assmi, o que faltou foi mais capacidade para machucar Marrocos quando o confronto ainda estava aberto.

Desta forma, a eliminação também deixa uma leitura importante para o futuro. O Canadá tem um treinador que parece muito ligado ao projeto e jogadores que entendem bem suas ideias. Porém, para dar o próximo passo contra seleções mais fortes, será necessário ter mais qualidade no último terço e mais atletas capazes de decidir jogos deste tamanho.

Marrocos reforçou que sabe sobreviver em momentos de pressão

Marrocos chegou para esta Copa tentando confirmar que a campanha de 2022 não foi um caso isolado. Naquele Mundial, a seleção foi a grande sensação ao alcançar a semifinal. Agora, mesmo com um estilo diferente em alguns pontos, o time segue mostrando algo muito importante para qualquer equipe que sonha alto em um mata-mata: capacidade de sobreviver.

Contra a Holanda, nos 16 avos, Marrocos já havia mostrado isso. A equipe buscou o empate nos acréscimos e avançou nos pênaltis, em um jogo de enorme pressão. Diante do Canadá, o cenário foi diferente, mas a ideia central se repetiu. Marrocos não começou bem, teve problemas para jogar e foi travado durante boa parte da primeira etapa. Mesmo assim, não se desesperou. Esse tipo de característica tem muito peso em uma Copa do Mundo. 

Nem sempre uma seleção vai dominar todos os jogos. Em mata-mata, muitas vezes, o mais importante é conseguir atravessar momentos ruins sem perder completamente o controle emocional. Marrocos sofreu no primeiro tempo, mas conseguiu se manter vivo e voltou do intervalo em condições de mudar o confronto.

Neste cenário, a lesão de Saibari, aos 21 minutos, também poderia ter atrapalhado ainda mais a equipe. Afinal, a saída de um jogador importante no meio da primeira etapa costuma bagunçar qualquer plano. No entanto, Rahimi entrou em seu lugar e, no fim, ainda seria importante para fechar o placar. Isso mostra como Marrocos não depende apenas de um caminho para competir.

O gol logo no começo do segundo tempo mudou totalmente o cenário. Depois disso, o Canadá precisou se expor mais, e Marrocos passou a encontrar espaços que não apareciam na primeira etapa. A partir daí, o time mostrou algo que já havia ficado claro em outros momentos: quando tem oportunidade para atacar em campo aberto, pode ser muito perigoso.

A vitória por 3 a 0 pode até dar a impressão de um jogo tranquilo, mas não foi exatamente assim. Marrocos precisou lidar com um nó tático, teve pouca produção durante os primeiros 45 minutos e só conseguiu assumir o controle real depois de abrir o placar. A grande diferença é que a equipe soube esperar sua chance e teve maturidade para aproveitar quando o jogo finalmente abriu.

Jogadores de destaque fizeram a diferença para Marrocos

Se o Canadá mostrou o valor de um bom plano coletivo, Marrocos mostrou o peso de ter jogadores capazes de mudar o rumo de uma partida. Isso ficou claro principalmente no segundo tempo, quando nomes importantes apareceram em momentos decisivos e transformaram um jogo complicado em uma vitória segura.

Hakimi teve participação muito inteligente no primeiro gol. Em uma falta pelo lado da área, com muitos jogadores posicionados dentro da área, o mais comum seria levantar a bola. No entanto, o lateral rolou para a entrada da área e encontrou uma solução diferente. Ounahi apareceu bem na meia-lua e finalizou de primeira, abrindo o placar logo aos quatro minutos da segunda etapa.

Esse lance foi decisivo porque mudou completamente a partida. Até ali, Marrocos vinha tendo dificuldade para encontrar caminhos. O Canadá controlava bem os espaços e impedia o adversário de acelerar pelo meio. Com o gol, a seleção marroquina ganhou tranquilidade, enquanto os canadenses passaram a precisar correr mais riscos.

Ounahi, inclusive, foi o grande nome da partida. Além do primeiro gol, ele voltou a aparecer aos 36 minutos da segunda etapa. Em contra-ataque, Brahim Díaz recebeu dentro da área, deu um belo corte no marcador e rolou para o meio-campista finalizar bem novamente. Pouco depois, Ounahi ainda cabeceou no travessão, ficando perto de marcar mais uma vez.

Brahim Díaz também teve papel importante. Mesmo sem ser o autor dos gols, o atleta participou diretamente dos dois últimos. No segundo, mostrou calma e qualidade dentro da área antes de servir Ounahi. No terceiro, já no último minuto, deu o passe na medida para Rahimi receber, tirar do goleiro e fechar o placar.

Esses lances ajudam a explicar a diferença entre as duas seleções. O Canadá teve um plano muito bem montado e conseguiu executá-lo durante boa parte do jogo. Marrocos, por sua vez, contou com jogadores capazes de decidir quando apareceram as oportunidades. Em confrontos de mata-mata, esse tipo de detalhe costuma separar uma boa atuação de uma classificação.

No fim das contas, Marrocos sai fortalecido não apenas pelo placar, mas pela forma como conseguiu resolver um jogo difícil. A equipe não dominou desde o início, mas mostrou maturidade, eficiência e qualidade individual. Para uma seleção que sonha em repetir uma grande campanha na Copa do Mundo, esses elementos podem fazer muita diferença nas quartas de final.

Créditos da foto de capa: AFP.