O início da história de Franco Mastantuono no Real Madrid parecia roteiro de cinema: o garoto de 18 anos, vindo do River Plate, chegou a encantar o Santiago Bernabéu com dribles rápidos, visão de jogo e uma maturidade rara para quem ainda poderia estar jogando na base. Em meio ao início da temporada, o clube merengue ainda estava se encontrando, enquanto o ponta-direita fazia bons trabalhos nos minutos destinados a ele.
Entretanto, como quase todo jovem talento que desembarca num clube do tamanho do maior campeão da Champions League, a lua de mel durou pouco. Nas últimas semanas, Mastantuono tem vivido o que o jornal espanhol AS chamou de “baixa à terra”: um momento de ajuste, no qual o argentino deixou de ser protagonista para virar coadjuvante num elenco onde o talento transborda.
Depois de Rodrygo ter sido escanteado por um tempo, a situação começou a ficar complicada diante da queda de rendimento do ex-River, enquanto o brasileiro voltou a brilhar em campo.
O início empolgante de Mastantuono
Quando chegou, Mastantuono conquistou rapidamente a confiança de Xabi Alonso. Foram oito partidas consecutivas como titular, boa movimentação entre as linhas e um gol que empolgou a torcida. O garoto parecia pronto para disputar espaço com os grandes nomes do elenco, e o técnico chegou a elogiá-lo publicamente, destacando sua personalidade e intensidade nos treinos.
Só que a temporada é longa, e o futebol europeu costuma cobrar caro pela adaptação. Com o retorno de Brahim Díaz e a consolidação de Bellingham e Valverde no meio-campo, o espaço do argentino começou a ser reduzido. Contra a Juventus, ele entrou apenas nos minutos finais; no El Clásico diante do Barcelona, nem saiu do banco para sentir o gostinho da atmosfera.
De repente, Mastantuono passou de “novidade irresistível” a “opção de rotação”.
O desafio tático de Mastantuono
Xabi Alonso tem testado variações no esquema, mas o formato preferido com quatro meio-campistas e dois atacantes móveis, está longe de favorecer o argentino. Mastantuono é mais confortável atuando solto, como um meia-direita com liberdade para flutuar. É forte fisicamente, tem flashes de criatividade, e o mano a mano acaba sendo sua principal arma.
Além disso, o treinador vem priorizando jogadores com mais intensidade defensiva, algo que o argentino ainda está desenvolvendo. Segundo o AS, a comissão técnica acredita que ele precisa “ordenar melhor suas ações com e sem bola” para ser decisivo em jogos grandes.
É um processo normal, mas que escancara a diferença entre o futebol sul-americano e o europeu de elite. Em Madrid, não basta ter talento, é necessário também entender o ritmo, o posicionamento e o peso de cada jogada.
Mastantuono não precisa ser precoce
Apesar da queda de minutos, ninguém no Real Madrid está decepcionado com Mastantuono. Muito pelo contrário: o clube entende que ele é um investimento para o futuro, com potencial de se tornar peça-chave em médio ou longo prazo. Já demonstrou personalidade e sabe como lidar com a pressão, vale lembrar que atuava em um Monumental de Núñez completamente abarrotado de torcedores.
O jovem mostra dedicação nos treinos, não se esconde e mantém boa relação com o elenco. Internamente, é visto como um “profissional exemplar”, algo raro para alguém de sua idade. O próprio Xabi Alonso, em conversa recente, reforçou que “é preciso paciência” e que “a curva de aprendizado é inevitável”.
O Real Madrid, afinal, aprendeu com outros casos parecidos, como o de Rodrygo, que também alternou brilho e frustração antes de se firmar.
O que aguarda Mastantuono?
Com o calendário apertando e as lesões começando a aparecer, o espaço de Mastantuono pode voltar a crescer. O jogo contra o Valencia, por exemplo, pode ser uma chance de ouro para mostrar que ainda tem fôlego para brigar por um lugar entre os titulares.
O torcedor pode ter ficado mal-acostumado com a rapidez com que alguns jovens, como Bellingham e Vinícius Júnior, se adaptaram, mas Mastantuono não é uma decepção. É apenas um garoto de 18 anos vivendo o turbilhão de um clube que exige perfeição.
E se há algo que ele já provou, é que talento e personalidade não lhe faltam. Falta apenas tempo e, talvez, um pouquinho de paciência coletiva.
Foto: JESUS ALVAREZ ORIHUELA