O UFC Edmonton deixou consequências importantes para o futuro de quatro dos principais nomes do card. Enquanto Mike Malott ganhou força na disputa por adversários mais bem colocados no ranking dos meio-médios após nocautear Joaquin Buckley, Jasmine Jasudavicius se aproximou da briga pelo cinturão peso-mosca feminino com uma vitória dominante sobre Erin Blanchfield. Do outro lado, os derrotados saem do evento diante de cenários mais delicados: Buckley pode perder posições e precisar reconstruir sua trajetória, enquanto Blanchfield terá de encontrar uma maneira de voltar à disputa pelo título depois de mais um resultado frustrante.
Os resultados abrem possibilidades interessantes para o matchmaking do UFC, especialmente porque envolvem atletas em momentos diferentes da carreira. Malott e Jasudavicius precisam de confrontos capazes de medir se estão preparados para dar o próximo passo, enquanto Buckley e Blanchfield necessitam de adversários que representem desafios competitivos sem transformar uma fase ruim em um obstáculo ainda maior para suas ambições. Nesse contexto, as próximas escolhas da organização podem influenciar não apenas os rankings, mas também a definição dos candidatos às disputas de cinturão nos próximos meses.
Mike Malott precisa de um teste à altura da evolução no UFC
A vitória de Mike Malott sobre Joaquin Buckley foi o resultado mais impactante da noite em Edmonton. O canadense encerrou a luta principal com um nocaute no segundo round, aos 2min32s, utilizando uma joelhada precisa quando o adversário avançava. O golpe, seguido de um ataque complementar, encerrou o combate e consolidou a quinta vitória consecutiva de Malott no UFC, sequência que fortalece sua candidatura a um confronto contra alguém mais bem colocado na categoria dos meio-médios.
O próximo passo precisa ser um adversário que represente uma evolução real de nível. Malott já demonstrou capacidade para superar oponentes relevantes e aproveitar oportunidades em lutas de alto impacto, mas ainda precisa provar que consegue manter esse rendimento contra integrantes da parte superior do ranking. Um confronto com alguém do top 10 seria um caminho natural, embora a organização também possa considerar um nome do top 5 caso encontre uma combinação favorável de disponibilidade, interesse comercial e necessidade esportiva.
Nesse cenário, Jack Della Maddalena aparece como uma possibilidade particularmente interessante. O australiano foi campeão dos meio-médios, mas atravessa um período delicado depois de duas derrotas consecutivas. Para ele, enfrentar Malott poderia representar uma oportunidade de recuperar a confiança diante de um adversário em ascensão, enquanto o canadense teria a chance de derrotar um ex-campeão e acelerar sua entrada na elite da divisão.
A luta também teria valor do ponto de vista técnico. Della Maddalena construiu sua reputação com um boxe de alto nível, combinações precisas e capacidade de pressionar os adversários em curta distância. Malott, por sua vez, mostrou em Edmonton que pode encerrar uma luta com um golpe decisivo quando identifica o momento certo para atacar. O confronto colocaria à prova a evolução do canadense contra um nome cuja experiência em disputas de alto nível é superior à da maioria de seus possíveis próximos adversários.
Há, naturalmente, questões a considerar. Della Maddalena pode precisar de um caminho diferente para se recuperar, dependendo de como o UFC avaliar suas derrotas e de quais adversários estarão disponíveis. Além disso, uma luta entre dois atletas que buscam recuperar ou consolidar seu espaço no topo precisa fazer sentido para ambos os lados. Ainda assim, o encontro seria atraente porque ofereceria a Malott uma oportunidade de transformar uma sequência positiva em uma afirmação esportiva, sem depender exclusivamente de vitórias sobre nomes que ainda estão abaixo dos principais candidatos ao título.
O calendário também pode ajudar. Um evento numerado em Toronto, previsto para janeiro de 2027, seria um palco interessante para a organização promover um confronto envolvendo Malott, especialmente pela possibilidade de construir uma narrativa em torno de um atleta canadense em ascensão lutando diante de seu público. A realização e a composição desse card, porém, ainda precisam ser confirmadas oficialmente. Caso o evento se concretize nos moldes esperados, Malott terá argumentos para pedir uma luta de maior porte e, possivelmente, contra alguém entre os cinco primeiros colocados.
Joaquin Buckley pode perder espaço e precisar reconstruir sua trajetória
Se Malott saiu de Edmonton com perspectivas de ascensão, Joaquin Buckley vive uma situação oposta. A derrota por nocaute representou seu terceiro revés consecutivo e aumentou a pressão sobre um lutador que já havia demonstrado capacidade para competir em alto nível na divisão. A sequência negativa torna provável uma queda no ranking, embora a posição exata dependa da atualização oficial e dos resultados dos demais integrantes da categoria.
O momento exige uma avaliação cuidadosa sobre o próximo adversário. Buckley continua sendo um atleta perigoso, explosivo e capaz de mudar o rumo de uma luta com um único golpe, mas a repetição das derrotas indica que ele precisa encontrar respostas antes de voltar a enfrentar os principais nomes da divisão. Insistir imediatamente em outro confronto contra um integrante do top 10 poderia manter seu nome em evidência, mas também aumentaria o risco de prolongar uma fase que já compromete sua posição competitiva.
Um duelo com Yaroslav Amosov seria uma alternativa interessante caso o UFC decida manter Buckley diante de um adversário ranqueado. O ucraniano construiu sua reputação no MMA com uma base de grappling muito forte, controle posicional e capacidade de neutralizar o jogo ofensivo dos rivais. Um confronto entre os dois colocaria à prova a habilidade de Buckley para defender quedas, levantar rapidamente e impor sua explosividade sem permitir que o adversário transforme a luta em uma disputa prolongada no chão.
A escolha também teria implicações para o próprio Amosov, que poderia utilizar uma vitória sobre um nome conhecido para avançar na divisão. Para Buckley, entretanto, o desafio seria considerável justamente porque seu próximo combate deveria servir para recuperar confiança e demonstrar que os problemas recentes podem ser corrigidos. Caso a organização prefira um caminho mais conservador, um adversário fora do top 10 ou alguém em situação semelhante no ranking também poderia fazer sentido.
O principal risco para Buckley é que a sequência negativa transforme cada nova apresentação em uma luta decisiva para sua permanência entre os nomes mais relevantes da categoria. Três derrotas consecutivas não significam necessariamente que ele tenha perdido sua capacidade de competir na elite, mas tornam urgente a necessidade de interromper a queda. A escolha do próximo adversário será fundamental para equilibrar a necessidade de recuperação com a expectativa de que um lutador de seu nível continue enfrentando desafios competitivos.
Jasmine Jasudavicius pode disputar uma vaga na próxima luta pelo cinturão
A vitória de Jasmine Jasudavicius sobre Erin Blanchfield foi uma das maiores surpresas do UFC Edmonton. A canadense venceu por decisão unânime, com os três juízes marcando 29 a 28, depois de controlar boa parte dos dois primeiros rounds com quedas, domínio posicional e ameaças de finalização. O resultado reforçou sua posição na divisão peso-mosca feminina e deu sustentação à ambição de disputar o cinturão contra Natalia Silva, atual campeã.
O desempenho foi importante porque Blanchfield era considerada uma adversária muito difícil de superar, especialmente em uma luta marcada pelo grappling. Jasudavicius conseguiu neutralizar parte das principais armas da americana, conquistou posições dominantes e criou situações perigosas no solo. Embora Blanchfield tenha aumentado a pressão no terceiro round, a canadense resistiu e manteve o controle necessário para assegurar a vitória.
Com esse resultado, Jasudavicius se aproxima de uma disputa por uma oportunidade de título, mas ainda existe uma diferença entre entrar na conversa e receber oficialmente a próxima chance. O UFC pode optar por uma luta eliminatória para definir a desafiante ou considerar outros nomes que estejam mais bem posicionados no ranking. É nesse contexto que Wang Cong surge como uma adversária potencialmente interessante.
A chinesa perdeu a disputa de cinturão para Natalia Silva e pode precisar de uma vitória importante para voltar à corrida pelo título. Um confronto contra Jasudavicius teria valor porque colocaria frente a frente duas atletas com argumentos para reivindicar uma oportunidade de desafiar a campeã. Para a canadense, vencer uma ex-desafiante ao título ajudaria a demonstrar que o triunfo sobre Blanchfield não foi apenas uma atuação isolada. Para Wang, seria uma oportunidade de recuperar terreno depois de fracassar na tentativa de conquistar o cinturão.
Uma luta eliminatória entre as duas também permitiria ao UFC organizar a divisão sem precisar anunciar imediatamente uma revanche ou uma nova defesa de título. Caso Natalia Silva esteja preparada para voltar ao octógono, a vencedora poderia surgir como uma candidata mais clara para enfrentá-la. O confronto, portanto, teria uma função esportiva definida: transformar a boa fase de Jasudavicius e a necessidade de recuperação de Wang em uma disputa direta pela posição de desafiante.
A canadense, contudo, não pode considerar a oportunidade garantida. A categoria peso-mosca reúne diferentes candidatas, e a decisão dependerá dos planos da organização para o calendário de 2027. Ainda assim, o triunfo em Edmonton mudou o patamar da discussão em torno de Jasudavicius. Ela não apenas venceu uma adversária de destaque, como demonstrou recursos técnicos para controlar uma luta contra uma grappler de alto nível. Esse conjunto de fatores torna plausível que o UFC a mantenha próxima das principais decisões da divisão.
Erin Blanchfield precisa recuperar o caminho até o cinturão
Para Erin Blanchfield, a derrota em Edmonton representa mais um obstáculo em uma tentativa de chegar ao cinturão. A americana já havia se consolidado como uma das principais atletas da divisão, mas a incapacidade de superar Jasudavicius impede que ela avance imediatamente para uma nova disputa de título. Em vez de discutir uma oportunidade contra Natalia Silva, Blanchfield provavelmente precisará vencer novamente e demonstrar que continua entre as candidatas mais fortes da categoria.
O desafio é escolher um adversário que permita uma recuperação significativa sem transformar o próximo combate em uma tentativa precipitada de apagar a derrota. Casey O’Neill seria uma opção interessante nesse sentido. A australiana é competitiva, possui recursos de grappling e oferece um confronto capaz de testar a capacidade de Blanchfield para retomar o controle das lutas. Um duelo entre as duas também colocaria em jogo a possibilidade de permanecer na discussão entre os principais nomes da categoria.
Do ponto de vista do matchmaking, a luta faria sentido porque daria a Blanchfield a oportunidade de se recuperar contra uma adversária relevante, sem exigir que o UFC lhe concedesse imediatamente outra chance de enfrentar uma candidata ao título. Para O’Neill, por outro lado, seria uma oportunidade de vencer um nome estabelecido e avançar na divisão. O resultado poderia reorganizar a parte superior do ranking, especialmente se Jasudavicius e Wang Cong fossem encaminhadas para um confronto eliminatório.
Blanchfield precisa, porém, avaliar o que falhou em Edmonton. A americana cresceu no terceiro round, quando passou a pressionar mais e tentou impor seu ritmo, mas o início da luta já havia permitido que Jasudavicius acumulasse controle posicional e ameaças de finalização. Contra adversárias de alto nível, perder os primeiros rounds pode ser decisivo, sobretudo quando a rival consegue manter a luta em uma área na qual se sente confortável.
Uma vitória sobre O’Neill não apagaria o revés, mas ajudaria a reconstruir sua candidatura. O objetivo de Blanchfield deve ser voltar a vencer com uma atuação convincente e provar que consegue ajustar seu plano de luta diante de oponentes que oferecem dificuldades específicas. Se conseguir fazer isso, ainda poderá retornar à disputa pelo cinturão, embora precise aceitar que a vitória de Jasudavicius alterou a ordem das prioridades na divisão.
(Foto: Divulgação/UFC)



