Mbappé Real Madrid
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Mbappé é solução ou problema no Real Madrid? Análise levanta dúvidas; veja

A chegada de Kylian Mbappé ao Real Madrid parecia marcar o início de uma nova era dominante. Depois de conquistar Europa e Espanha, o clube apostou em um dos maiores goleadores do mundo para manter o topo. Mas, quase dois anos depois, o cenário é bem diferente: resultados irregulares, eliminações dolorosas e um time que ainda busca identidade.

Mesmo com números impressionantes do francês, o Madrid vive uma temporada cheia de oscilações. A distância na liga, as dificuldades na Champions e a ausência de títulos relevantes levantam uma questão incômoda: o time funciona melhor coletivamente sem Mbappé?

Números altos, impacto questionado

Se a análise for apenas estatística, o debate nem existiria. Mbappé lidera o time em gols, com números que o colocam entre os mais decisivos da Europa. Em vários momentos, foi ele quem salvou o Madrid em jogos complicados, sendo o protagonista em vitórias importantes.

Mas o futebol raramente é só número. Em partidas grandes, contra adversários mais organizados, o impacto do atacante diminuiu. Jogos decisivos mostraram um Mbappé menos influente, com dificuldades para encontrar espaços e pouca efetividade nas chances criadas.

Essa diferença entre desempenho geral e atuação em jogos-chave é o que alimenta a discussão. Afinal, um craque pode decidir campeonatos — mas também pode desorganizar um sistema se o coletivo depender demais dele.

Dependência ofensiva e perda de fluidez

Com Mbappé em campo, o comportamento do time muda. A construção ofensiva passa, quase sempre, por encontrar o francês. Meio-campistas e pontas priorizam acionar o camisa 9, o que torna o jogo previsível em certos momentos.

Jogadores como Vinícius Júnior acabam tendo menos protagonismo criativo, muitas vezes adaptando seus movimentos para favorecer Mbappé. O resultado é um ataque mais centralizado, porém menos dinâmico.

Sem ele, o cenário muda. A equipe distribui mais o jogo, alterna lados e cria espaços com maior variedade de soluções. Nomes como Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni aparecem mais, participam da finalização e ajudam a tornar o time menos previsível.

Isso não significa necessariamente que o Madrid seja melhor sem Mbappé — mas indica que o encaixe coletivo ainda não foi totalmente resolvido.

O dilema tático do camisa 9

Outro ponto central está na função exercida por Mbappé. No sistema atual, ele atua como referência ofensiva, mas seu estilo não é o de um centroavante clássico. Ele prefere sair da área, cair pelos lados e receber a bola no pé.

Esse comportamento impacta diretamente a dinâmica ofensiva. Sem um jogador atacando constantemente a profundidade ou ocupando a área, o time perde presença em momentos decisivos. Isso afeta também o rendimento de quem joga ao redor.

Historicamente, o Madrid teve sucesso com perfis diferentes nessa função, como Karim Benzema, que equilibrava mobilidade e presença na área. A adaptação de Mbappé a esse papel ainda parece incompleta.

Além disso, a contribuição defensiva do francês é limitada, o que aumenta a carga sobre o meio-campo e pode desorganizar o sistema em jogos mais exigentes.

Crise coletiva vai além de Mbappé

Apesar das críticas, seria simplista colocar toda a responsabilidade em Mbappé. O elenco passou por mudanças, o time sofreu com lesões e o comando técnico também teve impacto no desempenho.

O problema parece ser mais estrutural do que individual. O Madrid ainda busca um equilíbrio entre potencial ofensivo e consistência coletiva — algo que não depende apenas de um jogador.

Mbappé continua sendo um talento geracional, capaz de decidir partidas sozinho. Mas o desafio do clube é fazer com que esse talento potencialize o coletivo, e não o contrário.

No fim, a pergunta não é exatamente se o Real Madrid é melhor sem Mbappé. A questão real é outra: como fazer o time jogar melhor com ele em campo.