A McLaren encerrou a temporada de 2025 da Fórmula 1 com um título histórico para Lando Norris, mas nenhuma sensação de missão concluída. Ao contrário, o clima dentro da equipe é de continuidade, evolução e, principalmente, de uma rivalidade interna que promete manter a escuderia no centro das atenções nos próximos anos.
Para Zak Brown, CEO da McLaren, a história não terminou no momento em que Norris ergueu a taça. Ele acredita, com convicção, que Oscar Piastri será o próximo a chegar lá.
Piastri foi o dominante por muito tempo
Essa projeção não vem apenas de otimismo. Ela nasce de uma temporada em que Piastri liderou a maior parte do campeonato, venceu sete corridas, mostrou um desempenho maduro para alguém ainda tão jovem e, mesmo perdendo o título, deixou claro que está pronto para brigar novamente.
O australiano fechou o campeonato 16 pontos atrás de Norris. Um número pequeno quando se revisita todo o seu caminho no ano. Piastri liderou o Mundial por 15 etapas seguidas e abriu uma vantagem de 34 pontos após sua vitória em Zandvoort, em agosto. Até aquele momento, era o piloto mais sólido da temporada, com ritmo competitivo, consistência e leitura de corrida que chamaram atenção do paddock inteiro. Mas a reta final foi cruel.
Erros, problemas de ritmo e um carro mais temperamental na fase decisiva do campeonato criaram uma sequência negativa que o tirou das cabeças: seis corridas sem pódio, enquanto Norris e Max Verstappen cresciam de maneira firme. Para um piloto tão constante ao longo do ano, foi um contraste duro. Foi ali, no detalhe, que a disputa se decidiu.
Ainda assim, quando o domingo final em Abu Dhabi acabou, Piastri estava novamente na frente de Norris na pista, garantindo o terceiro posto. Norris cruzou em quarto, posição suficiente para fechar o título, mas a mensagem estava dada: Piastri não saiu derrotado, saiu avisando que continua ali, tão rápido quanto antes.
Zak Brown entendeu isso imediatamente. O discurso do CEO após a corrida foi direto. Ele não enxerga em Oscar um futuro potencial, mas um futuro inevitável.
“Piastri vai ser campeão do mundo”, reforçou Brown. “Estou convencido de que vai conquistar esse título com a McLaren.”
A disputa interna da McLaren pode favorecer Piastri?
Brown destacou ainda algo que pouco se comenta, mas que contribui para o cenário: a McLaren levou dois riscos calculados quando apostou em Norris e Piastri ainda muito jovens. E acertou duas vezes. Os dois terminaram 2025 com sete vitórias cada, disputaram um campeonato roda a roda e, mesmo assim, mantiveram um ambiente interno saudável, raro no esporte. Brown fez questão de frisar esse ponto.
Para ele, conseguir administrar dois pilotos em nível máximo, sem criar rupturas internas, é um dos maiores méritos da equipe no ano.
Do outro lado da garagem, Lando Norris também sabe que a história está longe de terminar. Com a segurança de quem acaba de conquistar o título mais difícil de sua carreira, ele reconhece que Piastri é uma ameaça constante. E não evita o assunto; trata com naturalidade.
“Em algum momento, ele vai me vencer e vai ser campeão. É questão de tempo”, admitiu Norris. “Se quero manter o que fiz este ano, preciso aprender ainda mais, evoluir ainda mais e performar de forma mais consistente.”
O britânico ressaltou algo importante: a disputa interna o obrigou a crescer. Ele acredita que chegou ao auge de sua capacidade porque teve que enfrentar, dentro da própria equipe, um piloto que ele considera um dos melhores do mundo.
Para a McLaren, isso é um sonho. Dois pilotos capazes de liderar um campeonato. Dois estilos diferentes, duas personalidades diferentes, mas ambos com fome de título. A equipe tenta evitar uma “guerra fria” entre os dois, mas sabe que a rivalidade existe, vai crescer e precisa ser gerida com cuidado. E isso não é negativo. Grandes eras da Fórmula 1 nasceram de rivalidades internas, e a McLaren parece pronta para navegar nesse cenário.
A temporada 2025 termina com Norris campeão, mas com Piastri ainda mais maduro, mais experiente e com a sensação nítida de que apenas deixou escapar algo que estava ao seu alcance. Para 2026, a promessa é de um campeonato interno ainda mais intenso, já que ambos entendem que a janela da McLaren está aberta. O carro é competitivo, a equipe está encaixada e a dupla é uma das melhores da categoria.
Se Norris enfim conseguiu realizar o sonho no fim de 2025, Piastri começa o próximo ano com outro objetivo: transformar o “vai ser campeão” de Zak Brown em realidade. E, pelas nuances da temporada, ninguém duvida que isso pode acontecer mais cedo do que se imagina.
(Foto: Motorsport Images)



