Haas Fórmula 1 2026
Automobilismo Fórmula 1

Haas perdeu espaço na F1? Equipe admite evolução abaixo dos rivais e liga sinal de alerta para a temporada

O início da temporada 2026 da Fórmula 1 indicava que a Haas poderia ser uma das grandes surpresas do campeonato. Embalada pelos resultados expressivos de Oliver Bearman nas primeiras etapas, a equipe chegou a ocupar a quarta posição no Mundial de Construtores, à frente até mesmo da Red Bull. Meses depois, porém, o cenário mudou completamente.

Desde a pausa de abril, a escuderia norte-americana somou apenas três pontos, desempenho superior apenas ao de Cadillac e Aston Martin no mesmo período. O VF-26, que no começo do ano brigava por vagas no Q3, agora enfrenta dificuldades até mesmo para avançar ao Q2, levantando questionamentos sobre o desenvolvimento do carro ao longo da temporada.

De sensação do início da temporada à queda de rendimento: o que aconteceu com a Haas?

As duas primeiras etapas do campeonato mostraram uma Haas muito mais competitiva do que muitos imaginavam. Oliver Bearman terminou em sétimo lugar na Austrália e repetiu o bom desempenho ao conquistar a quinta posição na China, resultados que colocaram a equipe na quarta colocação do Mundial de Construtores após apenas duas corridas.

No entanto, a realidade mudou rapidamente. Desde a pausa ocorrida em abril, a Haas marcou apenas três pontos, tornando-se uma das equipes que menos pontuaram no grid. A queda de rendimento também ficou evidente nas classificações: o VF-26 deixou de disputar regularmente vagas no Q3 e passou a enfrentar dificuldades ainda no Q1.

Bearman acredita que essa mudança está diretamente ligada ao ritmo de desenvolvimento apresentado pelas demais equipes. “Se olharmos para o ano passado, o regulamento já estava muito maduro. Todos levavam pequenas atualizações e nós conseguimos introduzir nossas melhorias no momento certo.”

Segundo o britânico, a realidade de 2026 é completamente diferente. “Agora o ritmo de desenvolvimento é muito maior. As equipes estão levando grandes pacotes de atualizações praticamente toda semana. Se olharmos para as equipes da frente, é impressionante a velocidade com que conseguem evoluir seus carros.”

Para Bearman, a Haas simplesmente não conseguiu acompanhar esse ritmo. “Primeiro, isso é algo que simplesmente não conseguimos fazer. E, além disso, nossos concorrentes nos ultrapassaram no desenvolvimento. Não levamos atualizações suficientes para o carro e, além disso, algumas das mudanças que fizemos não funcionaram como esperávamos.”

Chefe da Haas concorda com críticas, mas faz ressalva sobre as atualizações

Apesar da avaliação feita por Bearman, o chefe da equipe, Ayao Komatsu, acredita que a situação é um pouco mais complexa. Komatsu concorda que a Haas perdeu terreno para seus principais concorrentes ao longo da temporada. “Acho que essa análise é justa. Se olharmos claramente, a Racing Bulls merece reconhecimento. As atualizações deles foram impressionantes. Quando introduziram o novo assoalho, ficou evidente o salto de desempenho.”

Komatsu também destacou a evolução da Audi ao longo do campeonato. “A Audi também vem sendo muito rápida há bastante tempo. Então, na corrida pelo desenvolvimento, sim, é justo dizer que fomos superados pelos nossos rivais.” Por outro lado, ele discorda da afirmação de que as atualizações da Haas simplesmente não funcionaram.

Segundo o chefe de equipe, o pacote levado ao Canadá entregou exatamente o ganho esperado em carga aerodinâmica. “Não acho que essa afirmação seja totalmente justa. Levamos peças novas para Montreal e elas entregaram praticamente tudo o que esperávamos. A carga aerodinâmica aumentou, mas nem sempre ela é utilizável dependendo do circuito.”

Komatsu explicou que algumas características fundamentais do VF-26 ficaram escondidas nas primeiras etapas do campeonato. “Nas corridas de Melbourne e Xangai, os pontos fortes do carro mascararam suas fraquezas. Quando chegamos a circuitos como Miami, essas limitações começaram a aparecer.”

Hoje, segundo ele, a equipe compreende muito melhor essas dificuldades. “Eu não diria que a atualização falhou. O problema está nas características básicas de dirigibilidade do carro, que só ficaram evidentes depois das primeiras corridas.”

Por fim, o mesmo lamentou que essa descoberta tenha acontecido apenas após a pausa inesperada de cinco semanas provocada pela reorganização do calendário. “Quero melhorar nossa equipe para que problemas identificados na quinta corrida sejam percebidos já nos testes de pré-temporada ou nas primeiras etapas.”

Rivais mostram evolução enquanto Racing Bulls vira referência no meio do grid

Enquanto a Haas tenta entender as limitações do VF-26, alguns concorrentes conseguiram dar passos importantes durante a temporada. O principal exemplo citado dentro da própria equipe é a Racing Bulls. Depois da introdução de um novo assoalho no Grande Prêmio do Canadá, a equipe passou a viver sua melhor fase no campeonato.

Nas cinco corridas seguintes, somou 45 pontos e consolidou-se como a quinta força do grid. Além disso, conseguiu colocar pelo menos um carro no Q3 em todas essas etapas e classificou seus dois pilotos entre os dez primeiros nas três classificações mais recentes, disputadas na Áustria, na Grã-Bretanha e na Bélgica.

Essa evolução tornou ainda mais evidente a dificuldade da Haas em acompanhar a corrida tecnológica travada entre as equipes do pelotão intermediário. Embora a escuderia norte-americana também tenha levado atualizações praticamente em todas as corridas desde abril, incluindo um pacote importante apresentado no Canadá, os ganhos não foram suficientes para impedir que seus rivais avançassem mais rapidamente.

Haas aposta em grande pacote após a pausa para tentar reagir na temporada

Apesar do momento complicado, a equipe acredita que ainda há espaço para recuperar competitividade. Neste fim de semana, a Haas estreia uma nova asa dianteira, componente que, segundo Oliver Bearman, representa apenas um pequeno avanço. “Nesta corrida temos uma nova asa dianteira. É um pequeno passo à frente. O mais interessante que estamos esperando chegará depois da pausa de verão.”

Até lá, o objetivo será compreender completamente o comportamento atual do VF-26. “O nosso trabalho nas próximas corridas é extrair o máximo do que temos agora. Ainda existe algo que estamos vendo nas simulações da fábrica, mas que não conseguimos reproduzir completamente na pista.”

Bearman acredita que entender essa diferença será fundamental antes da chegada do novo pacote. “Se colocarmos a próxima atualização sem antes maximizar o que temos hoje, estaremos desperdiçando tempo.”

A expectativa da Haas é que esse novo conjunto de melhorias marque uma virada semelhante à que outras equipes conseguiram alcançar ao longo da temporada. Até lá, porém, a missão será minimizar os danos e tentar voltar a disputar regularmente posições na zona de pontos. 

Foto: (Reprodução / Haas F1 Team)