A Mercedes reconheceu que também tem responsabilidade pela queda de desempenho de George Russell na temporada 2026 da Fórmula 1. Depois de um início de ano promissor, o britânico enfrenta dificuldades para acompanhar o companheiro de equipe Kimi Antonelli, situação que se agravou nas últimas etapas e voltou a chamar a atenção no GP dos Estados Unidos, em Austin.
Russell classificou-se mais de quatro décimos de segundo atrás do italiano e terminou a corrida apenas na oitava posição, enquanto Antonelli conquistou sua nona vitória no campeonato e deu mais um passo importante na disputa pelo título mundial.
Embora uma punição de cinco segundos, aplicada após um incidente na primeira volta, tenha prejudicado o resultado do britânico, Toto Wolff ressaltou que esse fator não explica a diferença de desempenho entre os dois pilotos. Para o chefe da Mercedes, a equipe precisa compreender por que Russell não consegue extrair o mesmo potencial do carro.
Evolução do W17 tornou a situação mais complicada
A fase difícil de Russell contrasta com os sinais de recuperação apresentados após a pausa de verão, incluindo a vitória no GP do Azerbaijão. Nas últimas etapas, porém, o britânico voltou a perder terreno para Antonelli.
Desde a introdução de uma importante atualização técnica no GP da Malásia, Russell não conseguiu largar acima da sexta posição nem superar o companheiro de equipe na classificação. A exceção foi a sessão classificatória da corrida sprint em Singapura, quando garantiu o segundo lugar antes de abandonar enquanto liderava. Na própria Malásia, o britânico caminhava para terminar em terceiro lugar, mas sofreu uma falha de motor nas voltas finais.
Apesar desses contratempos, o principal problema parece estar relacionado ao comportamento do novo pacote técnico da Mercedes. O W17 demonstrou ter mais velocidade em seu melhor momento, mas também parece operar em uma janela de desempenho mais estreita.
Isso significa que pequenas diferenças de acerto ou de condições podem afetar significativamente o rendimento do carro. Enquanto Antonelli aparenta conseguir lidar melhor com essas variações, Russell tem encontrado dificuldades para adaptar sua pilotagem quando o monoposto não está no ponto ideal.
Wolff reconheceu que o britânico enfrentou problemas consideráveis em Austin. “George teve muitas dificuldades. Acredito que isso aconteça porque a janela operacional do carro é muito difícil de encontrar. No Q2, ele estava próximo dos melhores. No Q3, as coisas não funcionaram”, explicou o dirigente. Russell assumiu parte da responsabilidade pelo desempenho na classificação, mas o problema se estendeu à corrida, quando ele não conseguiu encontrar ritmo consistente.
Russell admite fim de semana muito abaixo do esperado
O próprio piloto resumiu as dificuldades enfrentadas em Austin ao afirmar que teve apenas seis voltas boas durante a corrida, contra outras 50 abaixo do nível esperado.
Russell também reconheceu que não conseguiu entender por que seu ritmo foi tão inferior ao de Antonelli, especialmente no primeiro trecho da prova. “Quero entender por que o ritmo foi tão ruim no primeiro stint. A punição também foi um pouco ridícula, mas acabou sendo a menor das minhas preocupações depois de um fim de semana tão ruim”, declarou.
O britânico acredita que o carro continua tendo potencial, mas admite que a margem para encontrar o acerto ideal é muito pequena. “Vimos isso na Malásia. Acho que ele foi o mais rápido no TL3 e depois nos classificamos em quarto e oitavo. Neste fim de semana, nós dois estávamos competitivos no Q2, mas no Q3 eu não estava em lugar nenhum. Na corrida, aconteceu a mesma coisa”, afirmou.
Russell reconheceu ainda que Antonelli apresentou um desempenho excepcionalmente forte, tornando a diferença entre os dois ainda mais evidente.
Questionado se sentia que havia regredido nas últimas semanas, o britânico admitiu que sim, ao menos parcialmente. Ele preferiu, porém, reservar um tempo para refletir antes de tentar encontrar explicações definitivas. A situação também se reflete na classificação do campeonato: Russell está agora 123 pontos atrás de Antonelli.
Mercedes assume parte da responsabilidade
Apesar dos resultados recentes, Wolff fez questão de defender a capacidade de Russell. O dirigente lembrou que o britânico conquistou títulos consecutivos nas categorias GP3 e Fórmula 2 e demonstrou competitividade durante o período em que dividiu a Mercedes com Lewis Hamilton.
Para o chefe da equipe, os resultados recentes não diminuem o talento do piloto, que já provou ser capaz de competir em alto nível quando o carro oferece as condições adequadas. “George é um campeão e venceu em todas as categorias. Acredito que ele merece estar no grupo dos melhores pilotos. Vimos isso no ano passado”, afirmou Wolff.
O dirigente também reconheceu que a Mercedes precisa participar ativamente da solução do problema, em vez de atribuir as dificuldades exclusivamente ao britânico. “Neste ano, estamos vendo essa variação nos resultados. Quando conseguimos colocar o carro em uma condição que funciona para ele, George é extremamente rápido. Mas, quando o monoposto sai dessa janela operacional, ele sofre mais do que talvez o Kimi. E isso é responsabilidade nossa”, admitiu.
Wolff ressaltou que a diferença de desempenho entre os companheiros não corresponde à capacidade real de Russell. “Precisamos descobrir com ele como pode existir uma diferença tão grande na pilotagem e no desempenho. George não é meio segundo ou três décimos mais lento do que Kimi. Isso simplesmente não é verdade”, declarou. A equipe agora precisa identificar quais características do carro estão prejudicando o britânico e quais mudanças de acerto podem ajudá-lo a recuperar a competitividade.
Mudanças para 2027 podem ser decisivas
Com apenas cinco etapas restantes na temporada, a Mercedes não espera necessariamente encontrar uma solução completa para os problemas de Russell ainda em 2026. O trabalho também está voltado ao desenvolvimento do carro do próximo ano, com o objetivo de oferecer um pacote que funcione melhor para os dois pilotos.
A equipe terá de avaliar se a diferença atual está relacionada principalmente ao estilo de pilotagem de Russell, à adaptação às características do W17 ou à necessidade de modificar a configuração do carro para atender melhor às suas preferências.
Wolff demonstrou confiança na capacidade do britânico de superar a fase negativa, destacando sua inteligência, determinação e habilidade técnica. “Precisamos descobrir o que ele não gosta e o que devemos modificar no carro, ou ajustar de maneira diferente, para que ele consiga ser rápido. Ele tem toda a inteligência, a capacidade e a determinação necessárias”, concluiu.
O desafio da Mercedes será transformar esse diagnóstico em mudanças concretas. Enquanto Antonelli continua acumulando vitórias e se aproxima do título, Russell precisa recuperar a confiança e a consistência. A equipe, por sua vez, terá de garantir que o talento do britânico não continue sendo limitado por um carro cuja janela ideal de funcionamento se tornou estreita demais.



