Mercedes
Automobilismo Fórmula 1

Mesmo dominante, Mercedes precisa corrigir problema fundamental

A Mercedes começou a temporada 2026 da Fórmula 1 lidando com um problema técnico que, embora ainda não tenha comprometido seus resultados, já levanta preocupações dentro da equipe. O foco está nas largadas, especialmente no desempenho de Kimi Antonelli, que tem perdido posições logo ao início da corrida

 

O problema se manifestou de forma clara nas primeiras provas do ano. Em quatro largadas disputadas até aqui, incluindo a sprint do Grande Prêmio da China, Antonelli perdeu posições logo após o apagar das luzes, mesmo quando partiu da primeira fila. Em alguns casos, a queda foi imediata, colocando o piloto no meio do pelotão ainda antes da primeira curva e obrigando a equipe a mudar a abordagem estratégica ao longo da corrida.

 

Dados evidenciam falha na execução das largadas

 

A análise dos dados do carro ajuda a entender onde está o problema. A largada na Fórmula 1 acontece basicamente em três etapas: reação ao apagar das luzes, acionamento da embreagem e transferência de potência para o asfalto. No caso da Mercedes, os indícios mostram que a dificuldade está principalmente nas duas últimas fases.

Na prática, o carro não consegue colocar a potência no chão de forma eficiente. Isso gera perda de tração e faz com que a aceleração inicial seja mais lenta do que a dos rivais. Mesmo pequenas diferenças nesse momento fazem grande impacto. Uma perda de cerca de dois décimos de segundo nos primeiros metros já pode significar cair duas ou três posições.

Foi exatamente esse padrão que se repetiu nas primeiras corridas da temporada. Mesmo largando bem-posicionado, Kimi Antonelli acabou sendo ultrapassado ainda nos primeiros metros.

Quando comparada aos concorrentes, a diferença fica ainda mais clara. A Red Bull tem sido uma das equipes mais eficientes nas largadas, frequentemente ganhando posições logo no início. Já a Ferrari mantém um desempenho consistente, conseguindo sustentar ou melhorar suas posições. Isso reforça que o problema não é geral da categoria, mas específico da Mercedes.

Outro ponto importante está na execução do piloto. O próprio Antonelli explicou que a questão envolve o uso da embreagem no volante e o posicionamento das mãos. É um processo muito sensível, em que qualquer pequeno erro pode gerar patinagem ou perda da rotação ideal, prejudicando toda a largada.

 

Russell também enfrenta dificuldades e aponta falha no carro

 

Mercedes

 

Embora o problema seja mais evidente em Antonelli, ele não é exclusivo do jovem piloto. George Russell também apresentou dificuldades em largadas ao longo das primeiras etapas, perdendo posições logo após o início em algumas corridas. Esse comportamento reforça a interpretação de que a limitação está no carro e não apenas na adaptação de um único piloto.

A diferença está na frequência. Antonelli tem sofrido mais com o problema, o que pode estar ligado à sua adaptação ao procedimento de largada na Fórmula 1. Ainda assim, o fato de ambos os carros apresentarem sinais semelhantes indica uma questão estrutural, possivelmente ligada à calibração da embreagem e à força aplicada às rodas nos primeiros metros.

Mercedes encontra origem do problema e trabalha em correção

Para o Grande Prêmio de Miami, a FIA implementou uma alteração no procedimento de largada. O sistema MGU-K passa a poder fornecer um reforço de potência em situações de baixa eficiência na saída, funcionando como uma rede de segurança para evitar perdas bruscas.

Apesar da mudança, a expectativa dentro da Mercedes é de impacto limitado. Isso porque o problema identificado ocorre antes mesmo da necessidade de intervenção eletrônica, estando ligado ao comportamento inicial do carro. Na prática, o novo sistema pode amenizar os efeitos, mas não resolve a causa.

Assim, mesmo liderando a temporada, a Mercedes segue com um ponto de atenção claro: transformar sua força em desempenho completo também nos primeiros metros de corrida.

 

author
Kaique