Lionel Messi Argentina
Copa do Mundo

Lionel Messi desafia o tempo e amplia seu legado na Copa do Mundo

Poucos jogadores na história do esporte conseguiram transformar uma carreira já consagrada em algo ainda maior nos anos finais de atividade. Lionel Messi está fazendo exatamente isso. Aos 38 anos, o argentino não apenas continua sendo protagonista da seleção campeã do mundo, como também está construindo números que reforçam seu lugar entre os maiores atletas que o futebol já produziu.

A vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria entrou para a história por vários motivos. O principal deles foi a marca alcançada por Messi, que se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo ao chegar aos 18 gols no torneio. Mais do que um simples recorde, o feito simboliza uma trajetória improvável quando se lembra que, em 2016, o próprio jogador anunciou sua aposentadoria da seleção argentina após mais uma derrota em uma final.

Naquele momento, poucos imaginavam que a decisão seria revertida e que, dez anos depois, ele estaria liderando a Argentina em mais uma Copa do Mundo, quebrando recordes e sendo decisivo partida após partida.

Os números que reforçam a dimensão histórica de Messi

Lionel Messi - Copa do Mundo
Créditos da foto: Getty Images.

As estatísticas acumuladas por Messi nesta Copa ajudam a entender por que o debate sobre o maior jogador da história voltou a ganhar força.

Até agora, a Argentina marcou cinco gols no torneio. Todos foram anotados pelo camisa 10. Isso significa que ele participou diretamente de 100% dos gols da equipe nas duas primeiras partidas.

O impacto não para por aí.

Com os dois gols contra a Áustria, Messi chegou a 18 gols em Copas do Mundo, superando Miroslav Klose, que encerrou sua carreira com 16. Logo atrás aparece Kylian Mbappé, que já alcançou a mesma marca do alemão e também ameaça os recordes históricos.

Outro dado impressionante está relacionado à longevidade do argentino. Dos seus 18 gols em Mundiais, 12 foram marcados depois dos 35 anos de idade. Em uma era na qual muitos atletas já encerraram suas carreiras ou perderam protagonismo nessa faixa etária, Messi continua produzindo em nível de elite.

Além disso, ele se tornou apenas o terceiro jogador da história a marcar em seis partidas consecutivas de Copa do Mundo. Antes dele, apenas Just Fontaine, em 1958, e Jairzinho, em 1970, haviam conseguido tal sequência.

Os números criativos também impressionam. Messi lidera a história das Copas em chances criadas, com 76 oportunidades geradas para companheiros. Nos últimos seis jogos disputados no torneio, participou diretamente de 12 gols, marcando dez vezes e distribuindo duas assistências.

Essa combinação entre finalização e construção de jogadas ajuda a explicar por que tantos ex-jogadores e analistas o consideram um caso único.

A inteligência substituiu o desgaste físico

Messi Argentina Copa 2026
Foto: Reuters

Um dos aspectos mais fascinantes da atual versão de Messi é a forma como ele se adaptou ao passar dos anos.

Durante boa parte da carreira, o argentino foi conhecido pela explosão física, pelos dribles em velocidade e pelas arrancadas capazes de desmontar defesas inteiras. Hoje, mesmo sem a mesma potência dos tempos de juventude, continua sendo decisivo.

A explicação está na inteligência de jogo.

Especialistas destacam que Messi aprendeu a administrar seus movimentos, escolher os momentos certos para acelerar e ocupar espaços que poucos jogadores conseguem enxergar. Em vez de correr mais do que os adversários, ele corre melhor.

Essa capacidade ficou evidente contra a Áustria. Mesmo após desperdiçar um pênalti logo no início da partida, o argentino manteve a tranquilidade para continuar influenciando o jogo e acabou marcando os dois gols da vitória.

O erro na cobrança também gerou números curiosos. Messi tornou-se o jogador com mais pênaltis cobrados em Copas do Mundo, sete no total, e também o recordista de penalidades desperdiçadas na competição, com três erros.

Ainda assim, o episódio acabou reforçando sua importância. Pela primeira vez em uma partida oficial pela Argentina, ele conseguiu marcar gols após desperdiçar um pênalti no mesmo jogo.

Dependência ou privilégio para a Argentina?

Lionel Scaloni Argentina
Lionel Scaloni se firmou no comando da Albiceleste, tirando a seleção do jejum de títulos, e deu uma nova cara ao futebol argentino (Foto: Divulgação)

O desempenho atual de Messi também levanta uma questão importante para a seleção argentina.

Até que ponto a equipe depende excessivamente de seu capitão?

Os cinco gols da Argentina no torneio foram marcados pelo camisa 10. Isso mostra sua enorme influência, mas também evidencia uma certa dependência ofensiva.

Por outro lado, a própria estrutura da equipe foi construída para potencializar suas qualidades. Lionel Scaloni organizou o time de forma que Messi tenha liberdade para circular pelo campo, receber entre linhas e participar das principais ações ofensivas.

Até agora, a estratégia funciona perfeitamente.

A Argentina já garantiu sua classificação para a próxima fase e segue como uma das principais candidatas ao título. Enquanto isso, Messi continua ampliando números que pareciam impossíveis.

E os recordes podem não parar por aqui. Além da artilharia histórica das Copas, ele também está próximo de superar Diego Maradona na lista de maiores assistentes da competição. Atualmente, ambos possuem oito assistências.

Por isso, cada partida da Argentina nesta Copa parece carregar um significado especial. Não se trata apenas da busca por mais um título mundial, mas também da oportunidade de acompanhar os capítulos finais de uma carreira que continua desafiando a lógica, o tempo e os limites do próprio futebol.

(Foto de capa: Getty Images.)

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Kaique