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Messi e Cristiano desafiam o tempo e transformam a aposentadoria em um assunto proibido

Enquanto o futebol tenta se acostumar com a despedida gradual de grandes nomes das últimas décadas, duas lendas insistem em desafiar o relógio. A atual Copa do Mundo reforça essa sensação. Luka Modric, aos 40 anos, parece se aproximar dos últimos capítulos de sua carreira, seguindo um caminho parecido com o de Toni Kroos. Outros veteranos ainda resistem, como Santi Cazorla, mas nenhum caso chama tanto a atenção quanto Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

Aos 39 e 41 anos, respectivamente, os dois continuam competindo em alto nível, colecionando recordes e adiando uma conversa que parece proibida: a aposentadoria.

Messi segue ampliando seu legado

Lionel Messi, Argentina x Áustria, Copa do Mundo 2026. Foto: Jay Biggerstaff/REUTERS
Lionel Messi, Argentina x Áustria, Copa do Mundo 2026. Foto: Jay Biggerstaff/REUTERS

 

Se existe alguém que praticamente eliminou qualquer debate sobre idade, esse alguém é Lionel Messi. O camisa 10 da Argentina faz mais uma Copa do Mundo extraordinária e continua decidindo partidas como fez durante toda a carreira.

Com cinco gols no torneio, Messi ultrapassou Miroslav Klose e se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, chegando aos 18 gols. Mais do que os números, impressiona a naturalidade com que continua desequilibrando jogos, seja em Buenos Aires, Barcelona, Miami ou em qualquer outro palco.

Quando muitos imaginavam que a conquista da Copa de 2022 seria o encerramento perfeito de sua trajetória, o argentino respondeu da melhor maneira possível: dentro de campo.

O desempenho faz com que até projeções consideradas improváveis passem a ser debatidas, como uma possível participação na Copa de 2030. Para alguns, parece viável. Para outros, como Ronaldo Fenômeno, é algo difícil de imaginar.

“Meu Deus! Na idade dele, eu já havia me aposentado quatro anos antes e pesava 120 quilos”, brincou o Fenômeno.

Cristiano responde dentro de campo

Portugal, Cristiano Ronaldo
Portugal, Cristiano Ronaldo. Foto: Maja Hitij – FIFA/FIFA via Getty Images

 

Se Messi silencia os críticos pela genialidade, Cristiano Ronaldo faz isso pela persistência. Nos últimos meses, o português virou alvo de questionamentos sobre sua permanência entre os titulares de Portugal. A passagem pelo futebol saudita, os memes nas redes sociais e as críticas após algumas atuações alimentaram a narrativa de que seu ciclo havia terminado.

Mas Cristiano voltou a responder em campo. O atacante continua sendo o único jogador da história a marcar em seis edições diferentes da Copa do Mundo e mostrou, mais uma vez, que ainda consegue decidir partidas importantes.

Após boa atuação diante do Uzbequistão, fez questão de responder às críticas: “Quando as coisas dão errado, dizem que eu já estou aposentado. Voltei.”

Mesmo sem o vigor físico dos melhores anos, Cristiano segue sustentando uma característica que marcou toda sua carreira: a obsessão por competir.

Quando chega a hora de parar?

A grande questão é que não existe uma fórmula para identificar o momento ideal da aposentadoria. O ex-zagueiro Pablo Pinillos costuma resumir essa fase através da figura do “cara com o baralho”: aquele instante em que o próprio corpo parece avisar que é hora de encerrar a carreira.

“Tudo passa pela condição física. Quando você já não tem a explosão de antes, surge um problema. É a lei da vida. Não importa o histórico ou o quanto você se cuide”, explicou.

Carlos Marchena, campeão mundial pela Espanha em 2010, afirma que sua decisão passou também pela motivação.

“Eu ainda estava bem fisicamente, mas sabia que já não tinha os desafios que procurava.”

No futebol feminino, as motivações variam. A holandesa Merel van Dongen optou por priorizar a família, enquanto Jade Boho revelou que o desgaste psicológico foi determinante para colocar um ponto final na carreira.

“A aposentadoria é uma decisão muito difícil. No meu caso, não foi pelo físico. Psicologicamente, eu já não conseguia aproveitar o futebol.”

As despedidas das maiores lendas

Pelé, campeão, Copa do Mundo, México
Foto: Reprodução/Getty Images

 

A história mostra que nem mesmo os maiores jogadores do futebol encontraram uma saída perfeita. Pelé encerrou sua carreira no New York Cosmos, aos 40 anos, impulsionado também por questões financeiras. Cruyff teve uma despedida considerada exemplar, conquistando Campeonato Holandês e Copa pelo Feyenoord justamente após deixar o Ajax.

Alfredo Di Stéfano viveu uma ruptura traumática com o Real Madrid antes de terminar a carreira no Espanyol, enquanto Diego Maradona alternou despedidas, retornos e dificuldades pessoais até anunciar definitivamente sua aposentadoria.

Cada um seguiu um caminho diferente, mas todos enfrentaram o mesmo dilema: reconhecer que o tempo havia chegado.

O relógio ainda não venceu

No caso de Messi e Cristiano Ronaldo, essa conversa continua sendo adiada. Cristiano ainda possui contrato com o Al-Nassr, enquanto Messi segue defendendo o Inter Miami e continua sendo o principal nome da seleção argentina.

Os dois permanecem protagonistas justamente na competição que mais ajudou a construir suas trajetórias. E, ironicamente, seguem fazendo aquilo que parecia impossível para atletas dessa idade: competir entre os melhores do mundo.

Talvez a aposentadoria realmente seja inevitável. Mas, enquanto continuarem entregando atuações desse nível, ela seguirá sendo apenas um assunto para o futuro. Até lá, o futebol aproveita o privilégio de assistir aos últimos capítulos — ainda sem saber exatamente quando eles terminarão.

Créditos da foto de capa: Maria Lysaker/Imagn Images