O México confirmou o favoritismo diante de um Azteca novamente lotado e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. Na noite desta terça-feira, a equipe comandada por Javier Aguirre venceu o Equador por 2 a 0, com gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez, em uma atuação consistente do início ao fim. Superior tecnicamente e dominante durante boa parte do confronto, a seleção mexicana construiu a vantagem ainda na primeira etapa e administrou o resultado sem sofrer grandes ameaças na etapa complementar.
Com a classificação assegurada, o México agora aguarda o vencedor do confronto entre Inglaterra e República Democrática do Congo para conhecer seu adversário nas oitavas de final da Copa do Mundo.
O jogo
Depois de cerca de uma hora de atraso provocado pelas condições climáticas na Cidade do México, a partida começou em ritmo intenso. Empurrado por mais de 80 mil torcedores no Estádio Azteca, o México assumiu imediatamente o controle das ações, adiantou suas linhas de marcação e passou a pressionar a saída de bola equatoriana.
A equipe de Javier Aguirre dominou o meio-campo desde os primeiros minutos. Com circulação rápida da bola e muita agressividade sem posse, o México dificultou a construção adversária e praticamente impediu o Equador de passar do campo defensivo durante boa parte da primeira etapa.
A superioridade foi transformada em vantagem aos 22 minutos. Julián Quiñones atacou o espaço pelo lado esquerdo, invadiu a área e finalizou com força no contrapé de Hernán Galíndez para abrir o placar. O gol aumentou ainda mais a confiança dos mexicanos e obrigou o Equador a sair um pouco mais para o jogo, mas a equipe sul-americana continuou encontrando dificuldades para manter a posse de bola.
Sem conseguir estabelecer sua construção ofensiva, o Equador passou a sofrer também com a pressão pós-perda exercida pelos donos da casa. Aos 31 minutos, mais uma recuperação de bola no campo ofensivo resultou no segundo gol. Quiñones recebeu próximo à entrada da área e encontrou Raúl Jiménez em ótima condição. O centroavante finalizou com categoria no ângulo para ampliar a vantagem antes do intervalo.
Na volta para o segundo tempo, o Equador tentou adotar postura mais agressiva, adiantando suas linhas e buscando maior presença ofensiva. No entanto, o ajuste pouco modificou o panorama da partida. O México manteve boa organização defensiva, fechou os espaços entre as linhas e praticamente anulou as principais alternativas ofensivas da equipe sul-americana.
Mesmo administrando o resultado, os mexicanos seguiram chegando com perigo. César Montes teve boa oportunidade em cobrança de escanteio, enquanto Jhon Vásquez também apareceu livre na área, mas desperdiçou a chance de transformar a vitória em goleada.
Nos minutos finais, restou ao Equador apostar em cruzamentos e bolas alçadas na área. A estratégia facilitou o trabalho da defesa mexicana, que controlou bem o jogo aéreo e praticamente não permitiu finalizações limpas. Para completar uma atuação frustrante da equipe equatoriana, Piero Hincapié foi expulso já nos acréscimos após protagonizar uma discussão com Santiago Giménez e infringir o protocolo disciplinar adotado pela arbitragem da competição.
Sem correr riscos na reta final, o México confirmou a vitória por 2 a 0 e avançou às oitavas de final diante de sua torcida.
Pressão alta volta a ser decisiva e México cresce na competição
O México apresentou talvez sua atuação mais consistente desde o início da Copa do Mundo. Mais do que o resultado, a equipe demonstrou evolução coletiva, principalmente na forma como controlou o jogo sem permitir que o Equador encontrasse alternativas para reagir.
A pressão alta foi novamente o principal mecanismo ofensivo da seleção mexicana. Desde o início da partida, os atacantes dificultaram a saída de bola adversária, enquanto os meio-campistas encurtavam os espaços para recuperar rapidamente a posse. O segundo gol nasceu exatamente desse comportamento coletivo, que já havia aparecido em outros momentos da campanha.
Outro aspecto importante foi a mobilidade do setor ofensivo. Quiñones atuou com liberdade para atacar os espaços pelos lados e por dentro, tornando-se o principal desequilíbrio individual da partida. Além de abrir o placar com uma finalização precisa, participou diretamente do segundo gol ao encontrar Raúl Jiménez em excelente condição para finalizar.
Jiménez, por sua vez, voltou a exercer bem a função de referência ofensiva. Trabalhou como apoio para os companheiros, prendeu os zagueiros e apareceu no momento certo para ampliar o marcador. Mesmo quando o México reduziu o ritmo na segunda etapa, continuou oferecendo opções para a equipe respirar com a bola no ataque.
Defensivamente, o trabalho mexicano também merece destaque. A equipe conseguiu controlar praticamente todas as tentativas de reação do Equador através de um posicionamento compacto e boa proteção à frente da defesa. O sistema reduziu os espaços entre linhas e obrigou o adversário a recorrer constantemente aos cruzamentos, situação confortável para os zagueiros mexicanos.
Pelo lado equatoriano, a eliminação expôs dificuldades que apareceram durante toda a competição. A equipe encontrou muitos problemas para iniciar a construção sob pressão e sofreu sempre que enfrentou adversários capazes de adiantar suas linhas de marcação. Sem conseguir conectar meio-campo e ataque, o Equador passou boa parte do jogo defendendo e criou poucas oportunidades reais de gol.
A atuação ofensiva também ficou abaixo do esperado. Os atacantes receberam poucas bolas em condições favoráveis e praticamente não conseguiram atacar a última linha mexicana. Quando o time tentou aumentar a pressão na segunda etapa, faltou repertório para desmontar a organização defensiva adversária.
A expulsão de Hincapié nos minutos finais apenas simbolizou uma equipe que terminou a partida emocionalmente abalada e sem capacidade de reação.
Já o México chega às oitavas de final transmitindo uma imagem cada vez mais sólida. O time alia intensidade sem a bola, boa organização coletiva e um ataque eficiente, características que vêm sustentando a campanha diante do apoio constante da torcida no Estádio Azteca. Se mantiver o nível apresentado diante do Equador, a equipe de Javier Aguirre tem argumentos para competir de igual para igual contra qualquer adversário na sequência do Mundial.
(Foto: Alfredo Estrella/AFP)