Neste domingo (05), México e Inglaterra se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no Estádio Azteca, às 21h. Em um confronto eliminatório e com ingredientes ao redor, pode acarretar uma grande partida.
Atuando no mítico Azteca, localizado em elevada altitude de aproximadamente 2.240 metros acima do nível do mar e com a torcida a seu favor, a seleção mexicana busca manter a impressionante campanha na competição, em que possui 100% de aproveitamento e ainda não sofreu gols.
Além disso, o retrospecto histórico também é positivo para o México. Afinal, não perderam um jogo dos dez disputados no estádio pela Copa do Mundo e perderam apenas duas vezes nas 89 partidas internacionais oficiais em um dos maiores palcos do futebol mundial.
Já a Inglaterra não carrega lembranças favoráveis sobre o Azteca. Porque o jogo será o primeiro da seleção em 40 anos, sendo que a última vez foi na histórica derrota por 2 a 1 para a Argentina na Copa de 1986, em partida marcada por dois gols memoráveis de Diego Armando Maradona, sendo que o mais famoso recebeu a alcunha de “La Mano de Dios”.
Confira seis pontos-chave da partida que podem definir o vencedor ou o perdedor deste confronto das oitavas de final.
Existe algum estádio mais complicado para a Inglaterra do que o Azteca?
Quando foi definido o chaveamento da Inglaterra na Copa do Mundo, houve a grande possibilidade de enfrentar o México no Estádio Azteca, que foi concretizada. Este estádio possui o recorde de partidas do Mundial Masculino da FIFA (23), assim como é o local onde o México desfruta de um registro impressionante.
A seleção venceu os três jogos no Estádio nesta edição da Copa do Mundo, contra a África do Sul, República Tcheca e Equador, ampliando o recorde histórico invicto no Azteca em Copas, com oito vitórias e dois empates.
Todavia, o retrospecto não se limita apenas à Copa do Mundo. O México jogou 89 partidas oficiais no Estádio e perdeu apenas em duas oportunidades.
Além do desempenho contrário no Azteca, a Inglaterra enfrenta um adversário externo: a altitude. Situado aproximadamente 2.400 metros acima do mar, o Azteca é um dos estádios com mais altitude do mundo. Para efeitos de comparação, o estádio mais alto da Inglaterra é o The Hawthorns, palco do West Bromwich Albion, com 168 metros acima do nível do mar.
A altitude pode fazer a diferença no desempenho da Inglaterra
Segundo o preparador físico e autor de best-sellers Steve Magness, a altitude é um dos principais problemas enfrentados pela Inglaterra na partida. “A 2134 metros de altitude, o VO2 máximo cairia cerca de 10 a 13%. Observamos isso nas provas de atletismo nos Jogos Olímpicos de 1968. E o desempenho cai cerca de 5 a 6%, dependendo da distância da prova.”
Também destacou a velocidade percorrida pelos jogadores. “A distância total percorrida e a corrida em alta velocidade diminuem significativamente. De 9% a 9% para a primeira e de 15% a 15% para a segunda. Quanto maior a altitude, maior o efeito. Quanto menos aclimatado, maior o efeito.”
Os dados levantados pelo supercomputador Opta Vision corroboram esta visão. Em uma análise de todos os jogos da fase de grupos nos estádios, o Azteca apresenta a menor média de distância percorrida no jogo, considerando ambos os times (208,5 km), o menor número de corridas em alta velocidade por partida, considerando os dois lados (500,3 km) e a menor média de sprints por jogo, considerando ambas as equipes (113,0 km).
A Inglaterra conseguirá lidar com a intensidade inicial do México?
Logo na primeira pausa para a hidratação no jogo contra o Equador pela fase de 16 avos de final, os equatorianos precisavam se “reidratar” mais do que o México. Vencendo por 1 a 0, com gol de Julián Quiñones, o México já possuía um domínio completo sobre a seleção de Sebastián Beccaccece. Com sete finalizações contra apenas uma, o México tinha quase o dobro de toques na última parte do gramado (37 a 19).
Enquanto os Three Lions vivenciaram o oposto no jogo contra a República Democrática do Congo, a Inglaterra foi completamente dominada nos primeiros minutos, antes da primeira pausa para a hidratação. Obtendo superioridade na posse de bola, a Inglaterra não conseguiu uma finalização. Por outro lado, a República Democrática do Congo abriu o placar justo na primeira tentativa.
Depois do pequeno intervalo, a seleção inglesa conseguiu oito finalizações nos 26 minutos restantes da etapa, mas foi impedida por grandes defesas do goleiro Lionel Mpasi. A Inglaterra não pode iniciar de maneira tão negativa o jogo no Azteca. Diferente do Equador, acostumado a jogar em altitude elevada, a equipe de Thomas Tuchel não deseja começar perdendo para correr atrás do resultado.
A Inglaterra conseguirá superar o México?
Até o momento, o México não tem enfrentado dificuldades contra os adversários na Copa do Mundo de 2026. Apesar do grupo ser considerado o segundo mais fraco em questões de qualidade geral antes do início, de acordo com a média do Opta Power Ratings, a seleção impressionou defensivamente.
Sem sofrer gols na competição, o México é apenas a segunda seleção a não sofrer gols nas quatro primeiras partidas de uma Copa do Mundo desde 1994, ao lado da Suíça de 2006. Caso não sofra gols no jogo contra a Inglaterra, se tornará apenas a segunda seleção na história do torneio a não sofrer gols nas cinco partidas iniciais, desde a Itália na edição de 1990.
O time treinado por Javier Aguirre concedeu apenas seis finalizações no gol dos adversários nos quatro jogos realizados, enquanto os rivais conseguiram apenas alcançar a média de 0,56 gols esperados (xG) por partida. O México passou 65% do tempo de jogo em vantagem nestes jogos e ainda não saiu em desvantagem.
O aproveitamento do elenco de 26 jogadores
Considerado o desgaste por conta da altitude, esta partida pode ser a ideal para a Inglaterra explorar melhor a qualidade de seu elenco. Até agora, a defesa da Inglaterra ainda não se consolidou. Em quatro jogos disputados, o time começou sempre com uma linha defensiva diferente e é provável que isso mude para o próximo confronto.
Outra posição que causa problema para Tuchel é a lateral direita. Afinal, Tino Livramento deixou a seleção antes mesmo do começo da temporada; os problemas de lesão de Reece James ressurgiram, deixando-o de fora novamente. Além do mais, Jarell Quansah também se machucou depois de entrar no jogo contra o Panamá.
Na partida de 16 avos de final, Djed Spence foi escalado como titular; contudo, teve dificuldade para causar impacto e foi substituído por Declan Rice, que precisou recompor nos últimos 20 minutos.
O poder decisivo de Harry Kane
Herói da Inglaterra no jogo eliminatório dessa quarta-feira (01), Harry Kane chegou à marca de 13 gols na história da Copa do Mundo, ampliando o recorde de maior artilheiro da Inglaterra na competição. No momento ele soma 84 gols pela Inglaterra, 31 a mais do que Wayne Rooney, segundo colocado com 53 gols.
O centroavante do Bayern se tornou uma fonte confiável de gols nas últimas cinco participações dos Three Lions em torneios internacionais. Desde a Copa do Mundo de 2018, 20 dos 52 gols marcados pela Inglaterra nas principais competições foram de Kane (38,5%).
Os dois gols marcados na virada sobre a República Democrática do Congo o levaram ao feito de 72 gols em 62 jogos por clube e seleção desde 1º de agosto de 2025 e o tornaram o jogador mais artilheiro da Copa do Mundo de 2026. O desempenho melhora mais ainda quando os gols vieram de chutes com xG de 50,2, um rendimento de 22 gols acima da média, considerando a qualidade dos chutes dados.
Créditos da foto de capa: Carl de Souza e Roberto Schmidt/AFP