A primeira caminhada do Mirassol na Copa Libertadores chegou ao fim, mas o torcedor paulista tem motivos de sobra para olhar para trás com orgulho. Depois de uma trajetória memorável no Campeonato Brasileiro de 2025 — quando fechou a Série A em quarto lugar e cravou uma vaga inédita na competição continental —, o Leão encarou gente grande de igual para igual e avançou até as oitavas de final em sua estreia no torneio.
Na fase de grupos, a equipe comandada por Rafael Guanaes não se intimidou diante dos adversários e avançou na vice-liderança do Grupo G, somando 12 pontos. Foram quatro vitórias e apenas dois tropeços em uma chave cascuda disputada contra LDU, do Equador, Lanús, da Argentina, e Always Ready, da Bolívia. O passaporte para o mata-mata veio inclusive com uma rodada de antecedência, mostrando logo de cara que o clube paulista não estava na Libertadores apenas para cumprir tabela ou passear pelo continente.
O reencontro com a LDU nas oitavas de final, contudo, acabou encerrando o sonho continental. Após a igualdade em 1 a 1 no jogo de ida no Maião, o Mirassol fez uma apresentação madura na altitude de Quito, mostrou muita personalidade, criou oportunidades suficientes para vencer e arriscou 16 finalizações, contra 11 dos donos da casa. O placar em branco levou a decisão para os pênaltis, onde a falha de Victor Luís logo na abertura das cobranças acabou sendo decisiva. A LDU levou a melhor e venceu por 5 a 4 na série alternada. Ficar pelo caminho deixa um gosto amargo e representa uma frustração momentânea, mas o saldo geral de quatro vitórias, dois empates e duas derrotas em oito partidas mostra que o time ganhou cascata e experiência em um cenário completamente novo.
Foco total na luta contra o Z-4
Se existe um lado positivo imediato nessa despedida dolorosa, ele está no alívio de calendário. O Mirassol agora poderá concentrar praticamente todas as suas forças e energia no Campeonato Brasileiro até o encerramento da temporada. Como a equipe de Rafael Guanaes também já foi eliminada da Copa do Brasil, não terá mais compromissos de mata-mata nacional ou continental para dividir a atenção e exigir viagens longas e desgastantes.
E essa exclusividade pode fazer toda a diferença na luta para evitar a queda para a Série B. Após 22 rodadas do Brasileirão, o Leão ocupa a 17ª posição com 23 pontos, colado no Internacional — primeiro time fora da zona de rebaixamento, com apenas um ponto a mais. Ou seja: a situação é apertada e exige cuidados, mas está longe de ser irreversível. Com a tabela mais livre, o elenco ganha dias cheios de treino para ajustar o time sem a pressão das decisões de meio de semana, tornando a permanência na Série A a prioridade absoluta na Araraquarense.
Tempo para Rafael Guanaes e testes de fogo
Essa nova rotina sem partidas decisivas intercaladas será especialmente útil para o técnico Rafael Guanaes. Sem a maratona de voos continentais e jogos na altitude, a comissão técnica ganha tempo livre para recuperar atletas fisicamente, administrar o desgaste do grupo e trabalhar aspectos táticos que acabaram ficando em segundo plano durante a disputa simultânea de três competições.
E a retomada no campeonato nacional exigirá esse nível máximo de preparação, já que o Mirassol terá dois testes pesados contra rivais paulistas nas próximas rodadas. O primeiro desafio será encarar o Santos no domingo (23), às 18h30, na Vila Belmiro. Na sequência, o Leão recebe o líder Palmeiras, no dia 30, também às 18h30, no Maião.
A Libertadores acabou antes do que o clube gostaria, mas deixou um legado valioso e provou que o quarto lugar de 2025 não foi um acaso. A missão agora é transformar toda essa bagagem acumulada contra camisas tradicionais do continente no combustível necessário para arrancar na tabela do Brasileirão e assegurar a permanência na elite do futebol nacional.
Foto: Pedro Zacchi/Agência Mirassol/Divulgação



