Futebol Libertadores

Bola parada decide e Mirassol vence Lanús no primeiro jogo de sua história na Libertadores

O Mirassol viveu uma noite que ficará marcada para sempre em sua história. Em sua estreia internacional, o time paulista venceu o Lanús por 1 a 0, no estádio Maião, pel Libertadores. Mais do que o resultado, o jogo simbolizou um momento de afirmação para um clube que, até pouco tempo, sequer frequentava esse tipo de cenário.

O contexto tornava a partida ainda mais especial. Em meio a uma fase complicada no Campeonato Brasileiro Série A, o Mirassol chegou pressionado, acumulando uma sequência de 11 jogos sem vitória. A estreia continental, portanto, era também uma chance de virar a chave emocional da equipe.

O jogo

O primeiro tempo deixou claro o peso desse momento. O Mirassol entrou em campo nervoso, errando passes simples e demonstrando dificuldade para se organizar ofensivamente. A ansiedade parecia natural para um time que disputava sua primeira partida internacional, mas acabou limitando bastante a produção nos minutos iniciais.

O Lanús, por sua vez, adotou uma postura cautelosa. Bem fechado na defesa, o time argentino não se expôs e conseguiu controlar as ações sem grandes dificuldades. A estratégia era clara: segurar o ímpeto inicial do adversário e explorar eventuais erros.

E foi justamente em um erro que surgiu a melhor chance da primeira etapa. Após falha de Canale na saída de bola, André Luís ficou com a oportunidade de finalizar. No entanto, o atacante acabou bloqueado por Losada, desperdiçando a principal chance do Mirassol antes do intervalo.

O 0 a 0 ao fim do primeiro tempo refletia bem o que foi o jogo até ali: muita cautela, poucos espaços e pouca criatividade de ambos os lados.

Na volta para o segundo tempo, o cenário começou a mudar. O Mirassol voltou mais organizado e passou a explorar melhor uma de suas principais armas: a bola parada. Logo nos primeiros minutos, Reinaldo cobrou escanteio fechado, Neto Moura completou para o gol, mas o lance foi anulado após revisão do VAR por saída de bola.

O aviso estava dado. E, pouco depois, o mesmo tipo de jogada resultaria no momento mais importante da noite. Em nova cobrança precisa de Reinaldo, a bola encontrou o capitão João Victor, que subiu mais alto que a defesa e marcou o primeiro gol da história do clube na Libertadores.

O gol teve um impacto imediato. O Mirassol ganhou confiança, passou a se soltar mais em campo e assumiu o controle da partida. A tensão inicial deu lugar a uma postura mais firme e organizada.

Do outro lado, o Lanús mostrou pouca capacidade de reação. Sem peças importantes como Marcelino Moreno, fora desde a final da Recopa, e Castillo, que deixou o clube recentemente, o time argentino teve dificuldades para criar. Faltou criatividade, velocidade e presença ofensiva para incomodar a defesa paulista.

Com o adversário pouco ameaçador, o Mirassol teve oportunidades para ampliar o placar e transformar a vitória em algo mais confortável. Em uma delas, Negueba evitou a saída de bola e iniciou uma jogada que terminou com Alesson na pequena área. O atacante, porém, acabou desviando com a mão e teve o lance invalidado, além de receber cartão amarelo.

Outra grande chance veio em um contra-ataque rápido. Nathan Fogaça apareceu nas costas da defesa e saiu cara a cara com o goleiro, mas finalizou para fora, desperdiçando uma oportunidade clara.

Esses erros poderiam ter custado caro em outro contexto, mas, desta vez, não fizeram diferença. O Lanús não conseguiu aproveitar e praticamente não levou perigo real na reta final.

Quando o apito final soou, o Mirassol confirmou uma vitória histórica. Mais do que três pontos, o resultado representa um marco para o clube, que escreve um novo capítulo em sua trajetória.

Mirassol ainda mostra problemas, mas vitória histórica e importante pode virar a chave

A atuação não foi perfeita. O time ainda mostrou limitações, principalmente no primeiro tempo, e precisa evoluir em termos de consistência. No entanto, demonstrou também capacidade de superação, organização em momentos-chave e eficiência na bola parada.

Para um clube em sua primeira experiência internacional, isso já é um grande passo. A vitória dá confiança, encerra uma sequência negativa e coloca o Mirassol em igualdade na liderança do grupo, ao lado da LDU. O desafio agora é encarar o imponente Casablanca e a altitude de Quito, que já complicou tantos brasileiros na história.

No fim das contas, foi uma noite de aprendizado, superação e, principalmente, celebração. O Maião viu história sendo escrita, e o Mirassol mostrou que, mesmo ainda em construção, pode competir nesse novo nível.

(Foto: Joisel Amaral/AGIF)