O Mirassol escreveu o capítulo mais marcante de sua breve trajetória no Brasileirão. Em São Januário, sob chuva constante e gramado pesado, o Leão venceu o Vasco por 2 a 0 e confirmou a melhor campanha de um estreante na história dos pontos corridos. O resultado coloca o time de Rafael Guanaes na fase de grupos da próxima Libertadores, sem depender de fase preliminar.
Para o Vasco, o cenário é mais complicado. Sem chance de alcançar o G4, a equipe de Fernando Diniz agora precisa buscar seu caminho ao torneio continental pela Copa do Brasil, com as semifinais contra o Fluminense já batendo à porta. No entanto, antes disso, eles precisam se salvar do rebaixamento, já que, mesmo com 45 pontos, ainda tem chances remotas de um descenso.
O jogo
A partida começou em ritmo estudado, com os dois times tentando manter a bola no chão apesar das poças que apareciam em alguns setores do campo. O Mirassol tentava encontrar Negueba nas transições curtas, e o Vasco buscava Rayan como válvula de força. Logo no começo, Léo Jardim quase entregou um gol ao Leão. Uma saída mal calculada do Vasco deixou Negueba em boas condições, mas a defesa conseguiu evitar o pior.
Rayan respondeu com personalidade. Ganhou no choque, conduziu e soltou um chute de fora da área. A bola ia no cantinho, mas Walter se esticou inteiro para espalmar. Foram momentos isolados de perigo, já que o jogo ficou amarrado durante boa parte da primeira etapa.
Leia Também:
No related posts.
A partir dos 20 minutos, o Vasco empurrou o Mirassol para trás. Teve mais posse, mais volume, mas pouco poder de definição. Walter e Léo Jardim trabalharam pouco além das saídas pressionadas. Do lado do Mirassol, Renato Marques tentou duas vezes de média distância. Na primeira, Léo Jardim defendeu sem sustos. Na última jogada do primeiro tempo, após erro de domínio de Nuno, Renato ajeitou de novo e bateu firme. Dessa vez pegou melhor, no canto baixo, mas faltou direção.
O segundo tempo começou com o Vasco mais agressivo. Aos nove minutos, Paulo Henrique recebeu pela direita e soltou uma bomba da entrada da área. Walter apareceu outra vez com segurança, desviando com a ponta dos dedos. Era o melhor momento vascaíno desde o início do jogo.
Só que o Mirassol, na primeira chance clara que teve, foi mortal. A jogada nasceu em velocidade, com Carlos Eduardo avançando pela direita. Ele cruzou rasteiro, a bola atravessou a área e encontrou Renato Marques. O atacante bateu no contrapé de Léo Jardim para abrir o placar e colocar o Leão perto do feito histórico.
O gol mexeu com o Vasco. Diniz lançou Vegetti para tentar empurrar o time pelo alto. A estratégia funcionou parcialmente. Aos 42 minutos, Robert Renan cruzou da esquerda, Vegetti ganhou pelo alto e ajeitou para David finalizar com liberdade. A bola saiu tirando tinta da trave. Foi a grande chance do empate e também o último sopro de reação vascaína.
Nos acréscimos, o Mirassol fechou a conta com eficiência e frieza. Em outro contra ataque veloz, Cristian Renato recebeu no meio e encontrou Carlos Eduardo nas costas da defesa. O atacante tirou de Léo Jardim e sacramentou o 2 a 0. Um gol que não só selou a vitória, mas simbolizou a maturidade de um time que sabe onde quer chegar.
Mirassol completa feito histórico com organização e força
A vitória do Mirassol passou pela organização e pela maturidade de uma equipe que se recusa a se comportar como estreante. O time soube lidar com o gramado pesado, não se afobou quando o Vasco tentou aumentar o ritmo e teve calma para esperar o momento certo de acelerar. Os dois gols nasceram de transições rápidas com decisão limpa. Pouco toque, muita precisão.
O Vasco teve posse, teve pressão e até produziu no abafa, mas esbarrou na falta de criatividade para desmontar o bloco do Mirassol. A jogada mais perigosa veio justamente pelo jogo aéreo, quando Vegetti virou protagonista. Mas faltou ritmo, faltou clareza nas trocas por dentro e faltou peso nas diagonais que poderiam quebrar a marcação adversária.
Do lado do Mirassol, o destaque fica para a postura coletiva. Renato Marques decidiu no detalhe, Carlos Eduardo foi determinante em duas arrancadas e Walter apareceu quando precisou. A segurança defensiva também pesou. O time soube reduzir os espaços e evitou que o Vasco criasse volume real dentro da área.
No fim, o placar não é só um resultado. É um marco. O Mirassol chega à Libertadores com autoridade. Não é acaso. É trabalho, consistência e uma temporada inteira de maturidade acima da média para um estreante na elite.
(Foto: Pedro Zacchi/Mirassol)
Leia Também:
No related posts.