A Seleção Italiana Feminina de Vôlei conquistou no último domingo (11) a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris ao bater os Estados Unidos pelo placar de 3 sets a 0, e a atleta Paola Egonu, que foi eleita a MVP do torneio de vôlei feminino, teve um mural lançado em sua homenagem, com uma pintura dela sacando uma bola, que continha os seguintes dizeres: “pare com o racismo, ódio, xenofobia e ignorância”.
A imagem se encontrava de frente para o Comitê Olímpico Italiano e no dia seguinte ao seu lançamento, ela foi depredada por vândalos. A frase não pode mais ser lida e a cor de pele de Paola foi alterada, passando de negra para branca. Levantador da Seleção Masculina, Simone Giannelli criticou e repudiou os atos e exaltou a atleta.
“As pessoas que fizeram isso não merecem ser chamadas assim. São sem coração, sem dignidade e sem humanidade. Paola, não se preocupe com eles, quem for responsável cuidará disso (espero que sim). Você é uma grande campeã olímpica – escreveu Giannelli em sua conta no Instagram.
Natural de Cittadella, uma cidade próxima a Veneza, Paola Egonu é filha de pais nigerianos e em um jogo pelo Treviso, aos 16 anos de idade, viu a torcida adversária do seu time imitar sons de um macaco. Paola chorou, mas não esboçou reação alguma a não ser esta. Há tempos Paola lida com cobranças exageradas por parte dos torcedores, e isso, em 2022, quase motivou ela a deixar a seleção italiana depois da conquista do terceiro lugar no Campeonato Mundial de Vôlei.
Mostrando pulso firme nos seus posicionamentos no extra-quadra, ela sempre respondeu ao racismo e homofobia na quadra. Em Paris, por exemplo, Paolo Egonu somou sete aces, sendo a principal sacadora do torneio, e empatou com a brasileira Gabi no ranking de pontuadoras, com 110 pontos para ambas. Na final diante das norte-americanas, ela somou 22 pontos, sendo a maior pontuadora do jogo.
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Pintura de Paola Egonu
Antes dos atos de vandalismo, a artista de rua Laika, que foi quem fez a pintura, falou sobre Paola Egonu e outras atletas negras vítimas de racismo e intolerância. A obra de Laika carrega o nome de “Italianità” (Italianidade, em português)
– No nosso país, já não há espaço para a xenofobia, o racismo, o ódio e a intolerância. O racismo é uma praga social que deve ser derrotada. Fazer isso por meio do esporte é muito importante. Acredito num futuro de inclusão, acolhimento e respeito pelos direitos humanos.
Ser representado por atletas como Paola Egonu, Myriam Sylla (de origem marfinense), Ekaterina Antropova (nascida na Islândia, de origem russa) é uma honra. Vê-las com a medalha mais preciosa dos Jogos Olímpicos pendurada no pescoço enquanto cantam emocionadas o hino italiano é uma alegria imensa. Dedico este cartaz a todos os italianos não reconhecidos como tal pelo nosso Estado.
(Foto: Il Mattino)