O Estádio Diego Armando Maradona foi palco de uma partida em que o talento, a inspiração e o capricho resolveram faltar. Napoli e Eintracht Frankfurt empataram em 0 a 0 na abertura da quarta rodada da UEFA Champions League, em um confronto que ilustrou bem o momento irregular das duas equipes na temporada.
Foi um jogo morno, arrastado e com poucos lampejos. De um lado, um Napoli pressionado pela goleada sofrida para o PSV na rodada anterior; do outro, um Frankfurt tentando se reencontrar após uma série de atuações frágeis defensivamente. Nenhum dos dois, porém, conseguiu se impor. O empate sem gols, justo e previsível, foi a síntese de uma noite sem criatividade e sem eficiência ofensiva.
O jogo
O Napoli entrou em campo com a clara intenção de reagir diante de sua torcida. Após a goleada sofrida na Holanda e um empate decepcionante contra o Como, o time de Antonio Conte precisava mostrar mais intensidade, principalmente no ataque. O problema é que a equipe italiana encontrou um Frankfurt ousado nos primeiros minutos. O time alemão começou pressionando alto, tentando aproveitar o ritmo lento dos napolitanos na saída de bola.
Por alguns instantes, a estratégia funcionou. A equipe conseguiu interceptar passes curtos e criaram uma ou duas jogadas de perigo, mas faltou precisão na hora de finalizar. Aos poucos, o Napoli se reorganizou e passou a ter o controle da posse, embora sem transformar domínio em criatividade.
O meio-campo, sem um articulador clássico, sentiu falta de ideias. McTominay, improvisado em função mais ofensiva, foi discreto. Elmas e Politano tentaram abrir o campo, mas encontraram dificuldades para vencer a marcação do lado direito alemão, bem protegida por Kristensen e Brown. O resultado foi um Napoli que trocava passes, mas sem progressão, um controle estéril, que não incomodava o goleiro Zetterer.
O Frankfurt, por sua vez, limitou-se a esperar os erros do adversário. As poucas subidas em velocidade eram travadas ainda na intermediária por Anguissa e Di Lorenzo. O primeiro tempo terminou com poucas finalizações, e nenhuma clara. O clima no Maradona, que começou de incentivo, deu lugar à impaciência.
Na volta do intervalo, o panorama seguiu o mesmo. O Napoli até ensaiou uma pressão inicial, empurrado pela torcida, mas esbarrou na falta de profundidade e de movimentação no ataque. Politano arriscou um chute de fora da área logo aos cinco minutos, defendido sem sustos pelo goleiro. Depois disso, o jogo caiu novamente em um marasmo técnico.
Sem um meia criativo, o Napoli tentava resolver na base do vigor físico de Anguissa, que foi o único a quebrar linhas com conduções fortes pelo meio. O camaronês criou as duas principais oportunidades da etapa final: em uma, serviu Elmas, que chutou fraco; na outra, ele próprio arriscou, exigindo boa defesa do goleiro alemão.
Do lado do Frankfurt, Gotze tentou assumir o papel de protagonista. O campeão mundial de 2014 se movimentou bem entre as linhas e buscou aproximações, mas raramente encontrou apoio. Bahoya ficou isolado, e os laterais subiram pouco, por medo de deixar espaços às costas. O time alemão demonstrou organização defensiva, mas quase nenhuma presença ofensiva.
As substituições não mudaram o cenário. O Napoli trocou Politano por David Neres, mas o atacante teve pouca influência. Do outro lado, Toppmöller tentou refrescar o setor de ataque com Chaïbi, mas a bola continuou sem chegar com qualidade. A partida caminhou, assim, para um desfecho previsível: o 0 a 0 que ninguém teve força ou imaginação para evitar.
Napoli e Frankfurt seguem presos em seus próprios problemas
O empate sem gols não é apenas o retrato de um jogo ruim, é um diagnóstico dos desafios que Napoli e Eintracht Frankfurt enfrentam na temporada europeia.
O time italiano parece distante daquele que encantou a Europa há duas temporadas. Falta fluidez, intensidade e, sobretudo, identidade. A equipe, campeã no ano passado, ainda não conseguiu impressionar neste ano. Sem um meio-campista criativo após a lesão de Kevin De Bruyne e com McTominay claramente deslocado, o Napoli depende demais das jogadas individuais de Politano e dos avanços de Anguissa. O resultado é um futebol previsível, de posse estéril e pouca penetração.
No aspecto defensivo, ao menos, houve solidez. A dupla Rrahmani e Buongiorno teve atuação segura, e o goleiro Milinkovic-Savic pouco trabalhou. Ainda assim, o torcedor napolitano esperava mais de um time que, em casa, precisa se impor.
O Frankfurt, por sua vez, mostrou que também vive fase de reconstrução. Depois de perder peças importantes nas últimas janelas, o time alemão tenta se reinventar, mas ainda não encontrou equilíbrio. Contra o Napoli, mostrou disciplina tática, fechando bem os espaços e impedindo transições rápidas, mas foi inofensivo no ataque. Gotze tentou orquestrar, mas faltou movimentação de quem jogava à frente.
O resultado deixa as duas equipes com quatro pontos em quatro jogos, um desempenho abaixo das expectativas. A classificação ainda é possível, mas exige mais ousadia e qualidade, atributos ausentes em Nápoles nesta terça-feira.
(Foto: Getty Images)