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Basquete NBA

New York Knicks encerram jejum de 53 anos e revelam a fórmula que transformou a franquia em campeã da NBA

New York Knicks campeões da NBA. Durante décadas, essa foi uma frase que parecia impossível para boa parte dos torcedores da franquia. Após anos de reconstruções frustradas, decisões questionáveis e campanhas decepcionantes, a equipe finalmente voltou ao topo do basquete mundial ao conquistar seu primeiro título desde 1973. Mais do que encerrar uma espera de 53 anos, a conquista simboliza o resultado de um planejamento que começou muito antes das Finais contra o San Antonio Spurs.

A campanha da equipe também entrou para os livros de história. Os New York Knicks terminaram os playoffs com uma impressionante campanha de 16 vitórias e apenas três derrotas. Segundo levantamento da Opta Analyst, o aproveitamento de 84,2% coloca a franquia empatada com o Boston Celtics de 2024 entre as dez campanhas mais dominantes da história da pós-temporada. Trata-se de uma lista que inclui equipes lendárias como o Golden State Warriors de 2017, o Los Angeles Lakers de 2001, o Chicago Bulls de Michael Jordan e o San Antonio Spurs de Tim Duncan.

O mais impressionante é que essa conquista não nasceu de uma única movimentação de mercado ou de uma estrela surgida do nada. O título dos Knicks foi construído peça por peça por Leon Rose, executivo que assumiu o comando das operações de basquete da franquia em 2020 e mudou completamente a direção da organização.

Leon Rose transformou os Knicks de piada da liga em referência

Quando Leon Rose chegou à franquia, os New York Knicks eram vistos como uma das organizações mais problemáticas da NBA. A equipe vinha de sete temporadas consecutivas sem registrar uma campanha positiva e acumulava anos de decisões que não produziram resultados dentro de quadra.

Em vez de buscar soluções imediatistas, Rose apostou em uma construção gradual. A ideia era encontrar jogadores que se encaixassem em uma identidade coletiva e que estivessem dispostos a competir em alto nível. Seis anos depois, o resultado desse trabalho apareceu da forma mais importante possível: com o troféu Larry O’Brien sendo levantado em Nova York.

Jalen Brunson se tornou o rosto da franquia

Nenhum projeto campeão existe sem uma estrela capaz de liderar o elenco nos momentos mais importantes. Os New York Knicks encontraram esse jogador em Jalen Brunson.

Quando o armador assinou com a equipe em 2022, muita gente criticou o valor investido. Brunson ainda não era considerado uma superestrela e sequer havia sido titular absoluto durante boa parte de sua trajetória no Dallas Mavericks. A avaliação de parte do público era de que Nova York havia pagado caro demais por um jogador que ainda precisava provar seu valor.

Com o passar dos anos, a contratação se mostrou uma das melhores da década. Brunson se transformou em um dos principais jogadores da NBA, liderou os Knicks ao título e ainda conquistou o prêmio de MVP das Finais. Seus números impressionam, mas sua liderança e capacidade de decidir jogos importantes foram igualmente fundamentais para a conquista.

Outro fator que aumentou ainda mais sua importância para a franquia aconteceu em 2024, quando aceitou um contrato mais amigável para a folha salarial da equipe. Essa decisão ajudou a abrir espaço para que a diretoria continuasse fortalecendo o elenco.

OG Anunoby foi a peça que elevou o teto da equipe

No final de 2023, os New York Knicks realizaram uma troca que inicialmente gerou dúvidas. A franquia enviou RJ Barrett e Immanuel Quickley para adquirir OG Anunoby, uma movimentação que não transformava imediatamente o time em favorito ao título.

Porém, Leon Rose enxergava algo além do impacto imediato. Anunoby trouxe versatilidade defensiva, eficiência ofensiva e uma capacidade rara de contribuir sem precisar monopolizar a bola. Ao longo dos playoffs, seu impacto ficou evidente em praticamente todas as séries.

Nas Finais, inclusive, houve momentos em que seu desempenho foi tão relevante que alguns torcedores chegaram a cogitar seu nome para o prêmio de MVP da série. Apenas as atuações históricas de Brunson impediram que essa discussão ganhasse ainda mais força.

A franquia não teve medo de apostar alto

Uma característica que marcou a gestão de Leon Rose foi a disposição para correr riscos quando necessário. Enquanto muitas franquias acumulavam escolhas de draft pensando no futuro, os New York Knicks entenderam que havia chegado o momento de acelerar o processo.

Para adquirir Mikal Bridges e Karl-Anthony Towns, a franquia abriu mão de seis escolhas de primeira rodada e ainda realizou trocas de posições futuras. Foram negociações agressivas e que geraram debates entre analistas.

No entanto, existe uma verdade simples na NBA: escolhas de draft têm valor, mas títulos têm muito mais. Os jogadores adquiridos através dessas movimentações se tornaram peças essenciais da campanha campeã e justificaram o investimento realizado pela organização.

O desenvolvimento interno também teve papel importante

Apesar de grande parte do elenco principal ter chegado por meio de trocas ou da agência livre, os New York Knicks também colheram frutos do trabalho realizado dentro de casa. Mitchell Robinson e Miles McBride se tornaram peças importantes na rotação e ajudaram a equipe durante toda a temporada.

Em uma campanha tão longa quanto a dos playoffs, ter jogadores confiáveis saindo do banco é fundamental. Ambos contribuíram para manter o nível de intensidade da equipe e permitiram que os titulares chegassem mais descansados aos momentos decisivos.

Esse equilíbrio entre estrelas, coadjuvantes e profundidade de elenco foi um dos diferenciais da franquia ao longo do ano.

A troca de técnico foi o movimento mais corajoso da reconstrução

Talvez a decisão mais ousada de Leon Rose tenha acontecido fora das quatro linhas. Após anos de sucesso relativo sob o comando de Tom Thibodeau, a diretoria optou por fazer uma mudança que surpreendeu boa parte da liga.

Thibodeau havia conduzido os New York Knicks ao período mais consistente da franquia neste século e alcançado uma final de Conferência. Ainda assim, Rose acreditava que a equipe precisava de uma nova voz para dar o próximo passo.

A escolha por Mike Brown acabou se mostrando perfeita. O treinador implementou mudanças ofensivas importantes, utilizou melhor a profundidade do elenco e conseguiu preservar fisicamente seus principais jogadores durante toda a temporada.

O impacto ficou evidente nos playoffs. Enquanto várias equipes sofreram com desgaste físico, os Knicks mantiveram intensidade e energia até o último jogo das Finais.

O título foi consequência de anos de planejamento

Quando os New York Knicks derrotaram o San Antonio Spurs por 4 a 1 e conquistaram o título da NBA, o mundo viu apenas o capítulo final da história. A verdade, porém, é que essa conquista começou a ser construída anos antes, através de decisões que, isoladamente, nem sempre pareciam grandiosas.

A aposta em Jalen Brunson, a aquisição de OG Anunoby, as trocas por Mikal Bridges e Karl-Anthony Towns, o desenvolvimento de jogadores da casa e a contratação de Mike Brown formaram um quebra-cabeça que finalmente ficou completo em 2026.

O resultado foi uma das campanhas mais dominantes da história dos playoffs e o fim de um jejum que atravessou gerações de torcedores. Mais importante do que isso, os New York Knicks chegam ao futuro com uma base sólida, estrelas em seu auge e a sensação de que este título pode ser apenas o começo de uma nova era de sucesso em Manhattan.

Foto: Joe Murphy / NBAE via Getty Images