
O duelo começou em ritmo intenso na Vila Belmiro, com as duas equipes criando boas oportunidades logo nos primeiros minutos. O Santos tomou a iniciativa da partida e quase abriu o placar aos seis minutos. Neymar encontrou Gabigol dentro da área, o camisa 9 fez o pivô e rolou para Barreal, que apareceu livre para finalizar. O argentino bateu de primeira, mas acertou a trave, desperdiçando a primeira grande oportunidade do confronto.
O Remo respondeu rapidamente. Aos nove minutos, Jajá arriscou de longa distância e obrigou Brazão a trabalhar. O goleiro santista desviou levemente na bola, que ainda explodiu no travessão, levando muito perigo e mostrando que a equipe paraense também era capaz de ameaçar nos contra-ataques.
Depois do início movimentado, o Santos passou a controlar as ações da partida. A equipe comandada por Cuca manteve maior posse de bola, ocupou o campo ofensivo e criou diversas oportunidades, mas voltou a encontrar dificuldades na hora de concluir as jogadas.
A melhor chance da primeira etapa aconteceu aos 30 minutos. Em cobrança de escanteio de Neymar, Lucas Veríssimo apareceu no primeiro poste e acertou um venenoso chute, que explodiu novamente no travessão. No rebote, Gabigol apareceu livre diante do gol e tentou completar de cabeça, mas não conseguiu alcançar a bola, desperdiçando a oportunidade mais clara do Santos antes do intervalo.
Apesar do placar permanecer zerado, o Peixe terminou os primeiros 45 minutos transmitindo a sensação de estar mais próximo do gol. A equipe finalizou dez vezes, acertou a trave em duas oportunidades e dominou grande parte das ações ofensivas. A impressão deixada era de que bastaria um pouco mais de precisão nas finalizações para transformar a superioridade em vantagem no marcador.
Santos pressiona, tem gol anulado, mas não sai do zero contra o Remo

A etapa final foi bem diferente do que havia sido o primeiro tempo. Se antes o Santos conseguiu criar diversas oportunidades com velocidade e boas combinações ofensivas, depois do intervalo a partida ficou muito mais disputada fisicamente e marcada por interrupções constantes.
Mesmo com o jogo mais truncado, o Peixe chegou a balançar as redes aos 12 minutos. Neymar cobrou escanteio pela direita e Gabigol conseguiu encobrir o goleiro para marcar aquele que parecia ser o primeiro gol da partida. No entanto, após revisão do lance, a arbitragem anulou o gol ao identificar que a bola havia saído pela linha de fundo ainda na trajetória da cobrança de escanteio.
Depois do lance anulado, o confronto perdeu ainda mais qualidade técnica. As equipes passaram a disputar cada bola com muita intensidade, diminuindo os espaços e dificultando a criação ofensiva. O cenário voltou a evidenciar um problema que vem se repetindo nas últimas partidas do Santos. Assim como aconteceu em compromissos recentes, a equipe fez um primeiro tempo criativo, mas não conseguiu manter o mesmo nível de produção ofensiva na etapa final.
O clima tenso ficou refletido também nos números da partida. Ao todo, foram 22 faltas e sete cartões amarelos distribuídos pelo árbitro, sendo três para jogadores do Santos e quatro para atletas do Remo, estatísticas que traduzem um segundo tempo de muitos duelos físicos e poucas oportunidades claras de gol.
Mesmo sem repetir a criatividade dos primeiros 45 minutos, o Santos terminou novamente com um grande volume ofensivo. Em diversos momentos, Neymar e Gabriel Bontempo demonstraram qualidade na construção das jogadas e conseguiram encontrar espaços para aproximar a equipe da área adversária. O problema voltou a aparecer na conclusão das jogadas. O Peixe encerrou a partida com 19 finalizações, mas não conseguiu transformar a superioridade em gols, uma dificuldade que vem se tornando recorrente e que precisa ser corrigida caso a equipe queira brigar por objetivos maiores na Copa do Brasil e afastar definitivamente o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Gabigol simbolizou bem essa falta de eficiência ofensiva. Apesar de participar da movimentação do ataque e colaborar na construção das jogadas, o camisa 9 não viveu uma noite inspirada nas finalizações. Foram três tentativas ao longo da partida, mas apenas uma acertou o alvo, sem maiores dificuldades para o goleiro do Remo.
Neymar, por sua vez, voltou a ser o principal articulador da equipe. Atuando mais recuado, o camisa 10 não finalizou nenhuma vez na direção do gol, mas comandou a criação das jogadas santistas e terminou a partida com três passes decisivos, sendo o jogador que mais conseguiu colocar seus companheiros em condições de finalizar.
Apesar da superioridade e do maior volume ofensivo durante boa parte do confronto, o Santos não conseguiu transformar as 19 finalizações em vantagem no placar. O empate por 0 a 0 deixou a decisão completamente aberta para o jogo de volta. Agora, Santos e Remo voltam suas atenções para o confronto decisivo, que será disputado na próxima terça-feira, dia 4 de agosto, no estádio do Remo, valendo uma vaga na sequência da Copa do Brasil.
(Foto de capa: Alamy Live News)


